Home office deixa de ser ponto de apoio e ganha protagonismo nas casas

Veja quatro projetos de espaços onde os donos passam a maior parte do tempo

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Yara Guerchenzon
São Paulo

Planejados inicialmente como um ponto de apoio para estudo ou trabalho em casa, os home offices ganharam importância e se transformaram no lugar onde os moradores já se acostumaram a passar a maior parte do tempo.

Conheça a seguir quatro projetos de home office que adquiriram um status maior do que o previsto e passaram a ser fundamentais para os seus proprietários.

Com paisagem

Do alto de uma cobertura em Ipanema, no Rio, o casal de moradores, ambos advogados, trabalha todos os dias em um espaço de 13,2 m² de frente para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.

Os autores do projeto, Richard de Mattos e Maria Clara de Carvalho, do escritório Pílula Antropofágik Arquitetura, contam que naquele ambiente havia antes um pequeno cinema e que, com a chegada dos atuais proprietários, ganhou nova função. “Logo nos pediram para projetar ali um home office, tirando partido da bela vista e do jardim externo da cobertura.”

Cores claras e alegres marcam o projeto, em contraste ao tom cinza do piso de porcelanato cimentício e do teto com cimento queimado, além da bancada feita com placa cimentícia revestida de cimento queimado. Para guardar documentos, dois gaveteiros com rodízios foram colocados na parte de baixo.

Na parede de trás, prateleiras flutuantes e engastadas em chapas de madeira organizam livros e objetos. Por fim, como o local é fechado com vidro, uma persiana de tela solar controla e filtra a incidência de luz natural.

Feito por acaso

Instalado numa das laterais de uma varanda de 5 m², este pequeno home office nem era para existir. A proprietária do imóvel é uma jovem empresária que trabalhava eventualmente em casa —até começar a pandemia.

Home office de estúdio no Tatuapé, em São Paulo, foi feito na sacada
Home office de estúdio no Tatuapé, em São Paulo, feito na sacada pela Andrade & Mello Arquitetura - Luis Gomes/Divulgação

“Ela não poderia imaginar que iria precisar usar diariamente esse espaço de trabalho e por tanto tempo”, conta a arquiteta Erika Mello, da Andrade & Mello Arquitetura, escritório responsável pela reforma do estúdio de 33 m², localizado no Tatuapé, em São Paulo.

Segundo Erika e seu sócio, Renato Andrade, a moradora queria inicialmente que essa sacada tivesse só uma área para relaxar no fim do dia, quando retornasse para casa. A colocação do tampo de MDF com o painel de madeira cumaru na parede veio por sugestão dos arquitetos.

“A ideia surgiu para aproveitar melhor esse espaço, dando-lhe uma função, já que teríamos que esconder os equipamentos do ar-condicionado justamente neste canto. Nós já sabíamos que a cliente levava trabalhos para casa de vez em quando, por isso fizemos a proposta”, conta Erika Mello.

Outros pontos positivos do trabalho na varanda é que a moradora conta com luz e ventilação naturais e ainda pode aproveitar a vista. Para organizar os objetos, ela conta com prateleiras encaixadas nos frisos do painel.

Camuflado

Ao ser contratado para fazer uma reforma completa no imóvel dos anos 1960, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, o arquiteto André Di Gregorio, do Estúdio BRA, ouviu de seus clientes, um jovem casal, ambos profissionais liberais, que seria preciso incluir no projeto de seu primeiro apartamento um pequeno home office.

Home office camuflado em apartamento em Higienópolis, São Paulo; projeto do  Estúdio BRA
Home office camuflado em apartamento em Higienópolis, São Paulo; projeto do Estúdio BRA - Maíra Acayaba/Divulgação

Porém, não gostariam que ele ocupasse um ambiente exclusivo, nem que ficasse no quarto ou à vista nas áreas sociais. A solução foi colocá-lo literalmente dentro de um armário.

“A demanda dos moradores era, ainda, de conseguir fechá-lo assim que acabasse a jornada de trabalho, para ajudá-los a separar a vida profissional e pessoal”, conta André.

O projeto conta com um painel de lâmina natural de madeira Tauari que cruza a sala de uma ponta a outra, ocultando as portas de acesso à cozinha e à área íntima, além de dar lugar a algumas prateleiras e ao próprio home office, instalado já próximo à varanda.

“Posicioná-lo perto da janela foi a grande sacada. Além da vista para as árvores na rua, a luz natural é incrível.” O arquiteto aproveitou o espaço para embutir uma bancada de MDF, fechada por portas camarão.

Entre plantas

Depois de 30 anos trabalhando fora, em um mesmo escritório, o assessor de imprensa carioca Marcelo Guidine precisou se acostumar à atividade profissional em casa, logo no começo da pandemia.

Home office desenvolvido pelo morador durante a pandemia em Copacabana, Rio
Home office desenvolvido pelo morador durante a pandemia em Copacabana, Rio - Divulgação

Em julho do ano passado, deixou o emprego anterior para cuidar de seus próprios clientes, em carreira solo. Com isso, precisou de um espaço no seu lar que fosse específico para desempenhar o trabalho, sem improvisações.

No apartamento em Copacabana, no Rio, aproveitou uma área da sala subutilizada, ocupada antes por um sofá, e instalou uma bancada e uma prateleira, ambas de freijó, que vão de uma parede a outra. No fundo, providenciou um espelho que reveste toda a superfície. “Isso faz o ambiente parecer maior e mais iluminado. Além do mais, eu não queria trabalhar olhando para uma parede o dia todo”, conta o morador.

Sob a bancada, instalou dois gaveteiros volantes. Fora isso, não demorou a aderir ao urban jungle. “Acho que pirei nas plantas”, brinca, ao contabilizar 15 vasos desde o início da pandemia.

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