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Tecnologia e excesso de plástico devem dificultar valorização de veículos atuais

O comprador de um carro nacional nos anos 1960 ou 1970 não poderia imaginar que aquele modelo que levava para a garagem se tornaria um automóvel valorizado 50 anos depois.

Hoje é comum encontrar Fuscas e Chevettes em bom estado anunciados por mais de R$ 30 mil, o mesmo pedido por um carro popular ano 2016 e pouco rodado. Esportivos das décadas de 1980 e 1990 chegam a R$ 70 mil.

A reportagem perguntou a colecionadores se esse fenômeno pode se repetir com os carros atuais. Na opinião deles, a tecnologia e o excesso de peças plásticas tornam difícil o surgimento de futuros clássicos sobre rodas produzidos no Brasil, mas alguns deverão vencer o tempo.

Ricardo Borges/Folhapress
SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.01.18 1h O que vai bombar no Carnaval 2018 nas ruas. Denny Azevedo, 34, e Ricardo Don, 31, artistas, no Academicos do Baixo Augusta. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, COTIDIANO)
O comerciante Eduardo Gomes e seu Peugeot 206 Rallye 2004 na garagem de casa, no Rio

"O medo em relação aos carros antigos era que a carroceria fosse destruída pela ferrugem, o que está superado. A chapa atual não apodrece, mas a tecnologia embarcada é um dificultador e não sei como será a reposição de peças plásticas daqui a 30 ou 40 anos", diz Gustavo Tostes, 39, presidente do Veteran Car Club do Brasil-RJ.

O clube lançou nos anos 1990 o prêmio Futuro Clássico. Volkswagen Gol GTi bolinha, Ford Escort XR3 e Chevrolet Monza SR já receberam troféus no evento.

"Muitos desses acabaram se tornando colecionáveis, mas ainda eram uma incógnita quando foram premiados", afirma Tostes, dono de um Fusca 1972 e de um Fiat Coupé 1996, com apenas 13 mil quilômetros rodados.

Marcelo Berek, 57, comercializa automóveis antigos. Ele vê alguns modelos com potencial para um dia serem considerados colecionáveis.

"Conversíveis, esportivos e cupês, nesta ordem, são fortíssimos candidatos, mas os quatro portas estão no último lugar da fila. Algumas séries especiais podem despertar interesse, mas o resto vai virar carro velho", diz Berek, que também é colecionador.

QUANTO VALE?

Os especialistas não são capazes de determinar por que os preços dos antigos oscilam tanto. Para Berek, o mercado ainda está se adequando a essa realidade.

"Tenho oito Fuscas, de tudo quanto é tipo e modelo. Um deles está restaurado de ponta a ponta, mas mesmo assim não vale mais do que um 1968 todo original, com a pintura feia. Existe uma série de nuances para estabelecer preços", diz o colecionador.

Para o comerciante Eduardo Gomes, 50, os valores atingiram um nível irreal. "Comprei um Escort por R$ 13 mil e, cinco anos depois, me ofereceram R$ 20 mil. Não há explicação razoável para isso."

Gomes lembra que o lado emocional pode influenciar a alta de preços, com clientes dispostos a pagar caro por um carro idêntico ao de um avô ou que foram objetos do desejo. "Tem gente que não mede esforços para comprar aquele sonho de consumo que, quando foi lançado, era inatingível. Mas ter bom senso é fundamental."

O comerciante também faz sua aposta para o futuro. Além do Escort e de um Fiat 147 1978, ele guarda na garagem um Peugeot 206 Rallye 2004, com a esperança de que um dia vire artigo de coleção. Em comum, todos são pintados de vermelho.

Ele acredita que carros esportivos atuais, como o Renault Sandero RS, que foi lançado em 2015, poderão virar clássicos no futuro, e ainda procura outros modelos para sua coleção.

"Estou há anos procurando um Fiat Tempra duas portas em ótimo estado, mas não acho. Quem sabe um dia?"

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INVESTIMENTO DE LONGO PRAZO
Séries especiais e esportivos simples têm mais chance de valorização

Divulgação
SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.01.18 1h O que vai bombar no Carnaval 2018 nas ruas. Denny Azevedo, 34, e Ricardo Don, 31, artistas, no Academicos do Baixo Augusta. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, COTIDIANO)

ESPORTIVIDADE SEM LUXO
Carros esportivos com mecânica muito complexa têm menos chances de permanecerem íntegros com o passar dos anos, devido às dificuldades de manutenção. Contudo, modelos como o Renault Sandero RS, de mecânica simples, têm potencial para se valorizar

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SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.01.18 1h O que vai bombar no Carnaval 2018 nas ruas. Denny Azevedo, 34, e Ricardo Don, 31, artistas, no Academicos do Baixo Augusta. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, COTIDIANO)

COR EXCLUSIVA
As montadoras costumam lançar cores especiais para chamar a atenção quando lançam um novo carro. São tons que vendem pouco, como o laranja Nemo do Fiat Uno Sporting (2011), que, por serem raros, podem transformar o carro em um objeto de coleção

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SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.01.18 1h O que vai bombar no Carnaval 2018 nas ruas. Denny Azevedo, 34, e Ricardo Don, 31, artistas, no Academicos do Baixo Augusta. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, COTIDIANO)

SÉRIE LIMITADA
Modelos comemorativos têm mais chances de virarem clássicos. Quanto mais raro, maior o valor no futuro. Um dos mais colecionáveis é o Volkswagen Gol Vintage, que em 2010 celebrou os 30 anos do hatch e teve apenas 30 unidades produzidas

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SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.01.18 1h O que vai bombar no Carnaval 2018 nas ruas. Denny Azevedo, 34, e Ricardo Don, 31, artistas, no Academicos do Baixo Augusta. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, COTIDIANO)

ÚLTIMO MODELO
Algumas marcas lançam séries que celebram o fim da produção de um carro. Em geral, trazem numeração e acessórios exclusivos, que ajudam na valorização futura. A Chevrolet fez isso ao lançar o Vectra Collection, com pintura verde e forração de couro cinza

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