Descrição de chapéu Retomada das Concessionárias

Crise causada pela pandemia leva a aumento na oferta de carros usados

Um dos motivos do crescimento são os veículos vendidos por necessidade, sem intenção de troca

São Paulo

Para cada automóvel novo vendido no Brasil, outros quatro usados são negociados. A proporção mostra o peso de um setor que movimenta concessionárias e lojistas independentes pelo país.

A oferta tende a aumentar com a venda das frotas de locadoras e a retomada do mercado, pois o interesse do consumidor permanece.

De acordo com pesquisa feita pelo portal Webmotors em parceria com a Anfavea (associação das montadoras), 64% dos entrevistados pretendem adquirir um automóvel nos próximos seis meses, seja ele zero-quilômetro ou já rodado.

Entretanto, o mesmo estudo mostra que o consumidor está temeroso: 45% dos ouvidos dizem que não pretendem fechar negócio por medo de perder o emprego. Apesar disso, a procura tem aumentado nos sites de classificados.

"Estamos em um momento de retomada de buscas, com um crescimento de 12% na primeira semana de junho em comparação com o mesmo período de março, antes da quarentena", diz Eduardo Jurcevic, CEO do Webmotors.

Outro movimento percebido pelo executivo é o fluxo entre pessoas que precisam vender seus carros por necessidade, sem intenção de troca. Esse fator também contribui para o aumento da oferta.

De acordo com a Fenabrave, 2,9 milhões de veículos usados foram negociados no país entre janeiro e maio. O número inclui carros de passeio, veículos comerciais leves, ônibus e caminhões.

O empresário Adalmo Vaz Mourão, dono da loja paulistana Auto Nobre, diz que as vendas pararam nos dois primeiros meses da pandemia, mas a retomada está sendo rápida. Ele afirma que a procura tem sido maior por carros de alto padrão e blindados.

Quem pretende investir em um modelo usado mais simples e com poucos anos de uso precisa checar como foi feita a manutenção recente.

Carros com menos de três anos de uso podem ainda estar cobertos pela garantia de fábrica, mas isso só ocorre se as revisões tenham sido feitas de acordo com o plano de manutenção da montadora.

Comuns no mercado de populares usados, veículos que foram utilizados por motoristas de aplicativo tendem a registrar altas quilometragens mesmo que sejam novos. Não é raro encontrar modelos assim em lojas independentes e concessionárias, que os compram das locadoras.

Esses automóveis também precisam passar pelas revisões regulares, que são pagas pelas empresas de locação. Se houver o carimbo das oficinas autorizadas no manual, um modelo rodado vendido com desconto pode ser bom negócio.

Para explicar o que é considerado rodado, basta dizer que a quilometragem média anual dos carros brasileiros é de 15 mil quilômetros.

Ou seja, um modelo que percorreu 80 mil quilômetros em um ano, algo normal para motoristas de aplicativo, é considerado bastante usado, o que reduz seu valor de revenda.

Se um carro ano 2019 registrar alta quilometragem e não tiver seu histórico de manutenção registrado, a cobertura de fábrica estará suspensa, o que torna o negócio arriscado.

O mesmo ocorre no caso de carros considerados seminovos (com cerca de dois anos de uso) que, embora com baixa quilometragem, não tenham manual de revisões disponível. Há risco de adulteração no hodômetro.

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