Marcas renovam picapes médias para crescer com agronegócio

Com preços que passam dos R$ 200 mil, modelos trazem internet, mais potência e novos itens de segurança

São Paulo

As picapes médias e grandes seguem o ritmo do agronegócio e se renovam em meio a pandemia de Covid-19. O segmento se mantém estável em um mercado que registra forte retração.

As vendas de carros de passeio e veículos comerciais leves caíram 15% na comparação entre os meses de outubro de 2019 e de 2020. O número é da Fenabrave, que representa os revendedores.

No mesmo período, a perda entre as picapes de maior porte é de apenas 3,5%, o que indica uma recuperação bem mais rápida das vendas. As montadoras agradecem: trata-se de um segmento mais rentável que o de carros compactos.

Todas as marcas que vendem picapes médias estão atualizando seus modelos. Nos últimos dois meses, houve lançamentos de Chevrolet, JAC, Mitsubishi e Volkswagen. A nova Toyota Hilux chega às lojas em breve e, em 2021, será a vez da Nissan Frontier. Em comum, trazem mais tecnologia. É uma exigência do agronegócio moderno.

“Sabemos que o escritório do produtor rural é sua picape e que hoje a conectividade é fundamental para a administração dos processos”, diz Rodrigo Fioco, diretor de marketing de produto da General Motors, que produz a S10.

A picape da GM chega à linha 2021 com wifi, recurso que melhora a recepção do sinal de internet. A Ford segue outras duas demandas dos compradores: conforto e segurança. A Ranger ganhou suspensão menos rígida e sete airbags a partir da versão XLS, que custa R$ 156,9 mil.

“Vender picape no Brasil é como correr uma maratona, é preciso construir a reputação”, diz Antonio Baltar Júnior, diretor de vendas da Ford.

Mas, apesar dos luxos adicionados às picapes modernas, o estilo brucutu cobra seu preço. As versões mais equipadas de S10 e Ranger foram avaliadas em trechos urbanos e rodoviários e, apesar do bom desempenho, mostraram que foram feitas para o meio rural.

A versão High Country da Chevrolet (R$ 213,3 mil) tem motor turbodiesel com 200 cv. O câmbio é automático, com seis marchas. Ao girar a chave, a cabine treme por um breve instante, prova de que há muita força à disposição. Em seguida, tudo se estabiliza e a picape segue com uma suavidade surpreendente para um veículo de duas toneladas.

A posição ao volante não é das melhores na S10, falta regulagem de profundidade da coluna de direção. A Ford é superior nesse quesito ao oferecer melhor acomodação.

O modelo da Ford tem conjunto mecânico semelhante ao da S10, até a potência é igual. A versão Limited avaliada custa R$ 229,2 mil e tem até sistema autônomo de frenagem capaz de parar o carro para evitar uma colisão.

Já a Chevrolet é superior em conectividade com a central MyLink 3, fácil de usar e com tela de oito polegadas.

Em outubro, S10 e Ranger ocuparam, respectivamente, a primeira e a terceira posições no ranking de picapes médias. Entre elas está a Toyota Hilux. A linha 2021 da picape de origem japonesa está sendo produzida na Argentina.

As mudanças visuais já são conhecidas: a grade frontal recebe contornos cromados mais destacados e faróis com LEDs. O motor turbodiesel vai chegar a 204 cv.

Entretanto, quando o assunto é potência, nenhuma outra supera a Volkswagen Amarok. A linha 2021 chega a 258 cv na versão V6, vendida por a partir de R$ 243,3 mil.

Segundo Gustavo Schmidt, vice-presidente de vendas e marketing da VW do Brasil, o público da picape é composto pela elite jovem do agronegócio, chamada pela marca de “agromillennials”. O veículo se torna uma opção mais emocional voltada para o lazer.

Mas a escalada de potência dos modelos a diesel pode incomodar as empresas que precisam de um utilitário desse porte para o uso urbano e não querem carregar a imagem de poluidores. É aí que se encaixa a JAC iEV330P.

Produzida na China, a picape elétrica roda cerca de 300 km com uma carga completa, o suficiente para um dia de trabalho nos grandes centros.

A potência da JAC equivale a 177 cv. Em um teste curto, o que mais chamou atenção foi a total ausência de ruídos, bem diferente dos modelos tradicionais. Porém, paga-se um preço para ser ecológico: o modelo chinês voltado para o trabalho custa R$ 289,9 mil.

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