Evolução de carros chineses é medida em teste

JAC T60, Ford Territory e Caoa Chery Tiggo 8 são o novo perfil dos modelos que ganharam mercado a partir de 2011

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São Paulo

A coisa começou a ficar séria para as montadoras chinesas no Brasil em 18 de março de 2011. Foi o Dia J, data escolhida pela Anhui Jianghuai Automobile Company, a JAC Motors, para abertura simultânea de 50 concessionárias país afora.

Até então, os modelos com etiquetas em mandarim eram basicamente caminhonetas e furgões de trabalho. Havia também os veículos de passeio importados por Chery, Lifan e Effa, cujas deficiências diante dos concorrentes nacionais justificavam o preconceito do público.

O mercado é outro após dez anos. Os carros, também.

A JAC deixou de lado os compactos populares e agora se dedica a utilitários esportivos e carros elétricos.

Reinventada pelo grupo Caoa, a Chery mede forças com marcas europeias, americanas e japonesas instaladas no Brasil. Até a Ford, que se tornou importadora após fechar todas as suas fábricas no país, traz o Territory, um automóvel produzido na China.

O tempo, o gosto do público e as crises —incluindo os anos de restrições aos importados por meio de cotas e sobretaxa— moldaram a indústria automotiva chinesa no Brasil. Os três produtos mais caros e tecnológicos da leva atual passaram pelo teste Folha-Mauá.

É de bom tom começar pela JAC, que mudou a imagem desses automóveis no Brasil. O utilitário esportivo T60 Plus é o que a marca oferece de melhor hoje.

O estilo é o mais chamativo entre os modelos avaliados, a começar pela cor azul mediterrâneo do carro testado. Os faróis foram deslocados para baixo e a luz diurna em LED vai junto ao capô. Na traseira, as lanternas escorrem pela lateral e são interligadas por um friso luminoso instalado na tampa do porta-malas.

A versão avaliada custa R$ 124 mil e tem proposta semelhante à do Jeep Compass: concorrer tanto com os utilitários compactos mais equipados como com os modelos de porte médio.

O T60 Plus traz seis airbags, painel digital de fácil leitura e uma central multimídia complexa, que exige muitos comandos para realizar operações simples, como zerar os dados do computador. Essa é uma característica comum aos demais carros aqui testados. O problema, portanto, é da indústria chinesa.

Equipado com motor 1.5 turbo a gasolina (168 cv), o SUV da JAC foi bem nas provas de desempenho de consumo, com resultados semelhantes ao do Territory. E essa é uma má notícia para a Ford.

O utilitário sino-americano também utiliza motor 1.5 turbo (150 cv) conciliado a um câmbio automático do tipo CVT, que simula oito marchas. A versão SEL custa R$ 180 mil de acordo com a tabela da fabricante, mas há promoções frequentes na rede de concessionários da marca.

Pelo seu porte e preço, o Territory deveria trazer um motor mais potente. A Ford tem opções interessantes em seu portfólio, como o 2.0 turbo (248 cv) que equipa o novo Bronco, modelo importado do México. Mas há os limites do projeto e da origem.

A versão SEL deixa de lado itens essenciais em sua faixa de mercado. Não há acendimento automático dos faróis nem regulagem de profundidade da coluna de direçã0 —outra característica ruim dos modelos de origem chinesa.

Mas trata-se de um Ford, e as qualidades globais da marca estão presentes. O acabamento e o nível de ruídos são típicos dos carros premium, e o espaço no assento traseiro permite cruzar as pernas sem esbarrar no banco da frente.

O porta-malas do Territory, contudo, é pequeno. Seus 348 litros mal comportam as bagagens de um casal com dois filhos em uma viagem de fim de semana. E aí chegamos ao Caoa Chery Tiggo 8.

Vendido pelo mesmo preço do modelo da Ford, o SUV montado em Anápolis (GO) é superior em desempenho e oferece sete lugares.

A prova de aceleração do zero aos 100 km/h foi cumprida em 8,8 segundos pelo Tiggo 8, um número impressionante para um carro equipado com motor 1.6 turbo (187 cv).

Não é fácil chegar à terceira fileira: só crianças se sentiram confortáveis por lá. Mas os assentos extras são um diferencial em sua faixa de preço.

O câmbio automático de dupla embreagem e sete marchas faz o motorista perceber melhor as trocas e traz esportividade ao Tiggo 8. Está mais para SUVs de origem alemã do que para os modelos japoneses, por exemplo.

Montado no Brasil com a maior parte das peças importadas, o modelo da Caoa Chery mostra onde a indústria chinesa pode chegar: não por acaso teve de aumentar a produção para encerrar a fila de espera no Brasil. Mas JAC e Ford também mostram que esses novos carros orientais não são apenas curiosos, mas, sim, competitivos.

Ford Territory SEL

Preço R$ 180 mil

Motor dianteiro, transversal, a gasolina, 1.5 turbo

Potência 150 cv a 5.300 rpm

Torque 21,4 kgfm entre 1.500 e 4.000 rpm

Transmisão Tração dianteira, câmbio automático do tipo CVT (simula oito marchas)

Pneus 235/55 R17

Peso 1.632 kg

Porta-malas 348 litros

Comprimento 4,58 m

Largura 1,94 m

Altura 1,67 m

Entre-eixos 2,72 m

Aceleração (0 a 100 km/h) 11,8s

Retomada (80 km/h a 120 km/h): 8,3s

Frenagem (80 km/h a 0) 32 m

Consumo urbano 9,9 km/l

Consumo rodoviário 15,6 km/l

Caoa Chery Tiggo 8

Preço R$ 180 mil

Motor dianteiro, transversal, a gasolina, 1.6 turbo

Potência 187 cv a 5.500 rpm

Torque 28 kgfm a 2.000 rpm

Transmissão Tração dianteira, câmbio automatizado de dupla embreagem (sete marchas)

Pneus 235/55 R18

Peso 1.600 kg

Porta-malas 500 litros

Comprimento 4,70 m

Largura 1,86 m

Altura 1,71 m

Entre-eixos 2,71 m

Aceleração (0 a 100 km/h) 8,8s

Retomada (80 km/h a 120 km/h): 5,7s

Frenagem (80 km/h a 0) 42,1 m

Consumo urbano 9,4 km/l

Consumo rodoviário 13,6 km/l

JAC T60

Preço R$ 124 mil

Motor dianteiro, transversal, a gasolina, 1.5 turbo

Potência 168 cv a 5.500 rpm

Torque 21,4 kgfm a 2.000 rpm

Transmissão Tração dianteira, câmbio automático tipo CVT (simula seis marchas)

Pneus 215/50 R17

Peso 1.365 kg

Porta-malas 450 litros

Comprimento 4,41 m

Largura 1,80 m

Altura 1,66 m

Entre-eixos 2,62 m

Aceleração: (0 a 100 km/h) 11,5s

Retomada (80 km/h a 120 km/h) 7,6s

Frenagem: (80 km/h a 0) 33,1 m

Consumo urbano 10,4 km/l

Consumo rodoviário 16,4 km/l

Números de desempenho e consumo foram aferidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia

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