Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Cresce a preocupação sobre drones armados

Assunto ganhou atenção após suposta tentativa de assassinato contra Nicolás Maduro

Andy Pasztor Dustin Volz
The Wall Street Journal

Os representantes das empresas que fabricam drones (aeronaves de pilotagem remota) para uso pessoal e comercial e as autoridades ainda buscam um consenso sobre a expansão das operações de drones e a proteção da segurança pública.

O assunto ganhou atenção depois de uma suposta tentativa de assassinato contra o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no dia 4, em Caracas.

Segundo autoridades do país, dois drones carregados com cerca de dois quilos de explosivos plásticos ameaçaram o presidente. Ele escapou ileso, mas sete soldados foram feridos.

O incidente representa "a primeira ocasião, fora de uma zona de guerra, em que uma organização empregou um drone como arma" para tentar um ataque, disse Pete Cooper, ex-especialista em segurança cibernética do governo britânico e hoje consultor em Londres.

Para ele, o atentado pode servir como catalisador para que "outros grupos, que podem ter considerado um ataque desse tipo, mas descartaram a possibilidade", agora "retomem a ideia".

Na opinião do especialista, "a regulamentação ajudará, em alguma medida", mas sistemas mais pró-ativos, projetados para localizar e neutralizar drones, são essenciais para a proteção.

Brendan Schulman, presidente de políticas públicas e assuntos legais da SZ DJI Technology, da China, maior fabricante de drones comerciais do mundo, disse que o ataque na Venezuela é um alerta claro ao setor sobre a necessidade de medidas de segurança.

"Não creio que isso impedirá o progresso dos drones", disse. Porém, "deve provocar uma aceleração" e "destacar a importância de implementar soluções de identificação remota", que "darão às autoridades mais capacidade de rastrear drones no ar e identificar a posição de seus operadores em terra".

A identificação remota é uma das medidas de segurança mais consideradas. Esse sistema –que representa um desafio tecnológico considerável– é o principal obstáculo à expansão das operações comerciais de drones.

No país, onde o debate esquentou nos últimos anos, propostas para regulamentar sistemas remotos de identificação devem ser divulgadas até o segundo trimestre de 2019. Até lá, a discussão sobre as limitações propostas ao uso de drones, como uma altitude máxima de voo de 120 metros, deve continuar.

Há meses o governo Trump pede ao Congresso uma autoridade para abater ou desabilitar drones potencialmente perigosos, mencionando, entre outras preocupações, a facilidade com que terroristas poderiam adquiri-los e transformá-los em armas.

Como medida provisória, agências federais americanas declararam zonas de exclusão de voo para os drones no entorno de instalações militares, usinas de energia, instalações de armas nucleares e edificações do governo. Fabricantes já desenvolvem aparelhos com restrição a essas áreas.

"Se a sociedade e o governo vierem a confiar em que as zonas de voo restrito são suficientemente seguras, o setor poderá crescer de maneira significativa", disse Tim Bean, cofundador e presidente-executivo da Fortem Technologies, startup que oferece tecnologias de detecção e combate a drones, a governos e clientes empresariais.

Em maio, senadores apresentaram um projeto de lei que conferiria poderes a um departamento governamental para proteger edificações em caso de risco. A União Americana pelas Liberdades Civis se opôs, alegando que o projeto conferiria poderes amplos demais ao governo.

A indústria mundial de drones cresceu muito nos últimos anos: de 500 mil drones para uso pessoal e comercial em 2014 a mais de três milhões em 2017.

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