Facebook lança seção de vídeos e aposta no entretenimento

Nos últimos anos, empresa investiu em vídeo e no direito de transmissão de eventos esportivos

Paula Soprana
São Paulo

O Facebook aposta no mercado de entretenimento e streaming ao anunciar o Facebook Watch, recurso que está disponível para todos os países da rede social a partir desta quarta-feira (29).

Existente há um ano no mercado americano, o Watch é uma seção do Facebook dedicada exclusivamente a vídeos, sejam de canais de TV, de influenciadores ou de marcas que tenham uma página na rede social.

Facebook lança seção de vídeos e aposta no entretenimento
Facebook Watch oferece métricas e técnicas para reter mais pessoas em transmissões - Reprodução

O objetivo do novo recurso é oferecer ao usuário um espaço personalizado com vídeos de seu interesse e com sugestões baseadas nos conteúdos com que interage, incluindo os que são populares entre seus amigos.

A quem produz conteúdo, o Watch oferece métricas e técnicas para reter mais pessoas em transmissões, além de novas possibilidades de receita.

A quem consome, a divisão permite a descoberta de novos vídeos sobre entretenimento, esportes e notícias, além de mais facilidade para encontrar vídeos ao vivo.

Em comunicado, Fidji Simo, vice-presidente de vídeo da empresa, enfatiza que, no Watch,  as pessoas podem “discutir os grandes momentos enquanto eles estão acontecendo”. 

Isso mostra a estratégia do Facebook em reunir usuários em torno de transmissões.

“Durante cinco anos, vimos o vídeo explodir na plataforma, com as lives [vídeos ao vivo]”, diz Mauro Bedaque, líder de parcerias de entretenimento para a América Latina.

Segundo ele, o diferencial do Watch é a “visualização intencional”, quando o usuário assiste a um vídeo porque quer, não porque está “gastando tempo na plataforma” – o típico scroll infinito.

Segundo a empresa, mais de 50 milhões de pessoas nos EUA assistem a vídeos por pelo menos um minuto no Facebook Watch. O tempo total gasto assistindo a vídeos aumentou 14 vezes desde o início de 2018 nos EUA. 

DE OLHO NA TRANSMISSÃO?

O Facebook busca uma posição estratégica nas transmissões ao vivo, principalmente em relação ao esporte. 

Os direitos de transmissão esportiva, que antes eram dominados pela TV a cabo, agora são diluídos entre parceiros com maior alcance de público. O que era direcionado apenas às classes A e B, pode ser transmitido a um público maior.

Exemplo da intenção do Facebook em conquistar sua parte nesse mercado foi a disposição em investir US$ 600 milhões por direitos de transmissão de um torneio de críquete na Índia, liga vista por mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. No entanto, perdeu a corrida para a Twenty-First Century Fox.

Em 2018, comprou os direitos dos jogos da La Liga, campeonato de futebol espanhol, para transmiti-los na rede social a alguns países asiáticos.

Outro movimento foi a contratação, em janeiro, de Peter Hutton para a área de negociações de transmissão esportiva.

Hutton foi um dos responsáveis pela expansão do serviço de assinatura do Eurosport Player, comprado pela Discovery, e disponível em 52 mercados. 

A companhia de Mark Zuckerberg segue o mesmo caminho que o Twitter, o YouTube TV, a Amazon e o Hulu, que têm interesse em participar de um mercado que dá sinais de saturação na TV por assinatura. 

A Amazon já adquiriu os direitos globais de transmissão do “Thursday Night Football”, da NFL, e dos jogos da Premier League. O Hulu já teve direitos sobre a liga de hóquei nos EUA.   

No Brasil, a chance de o Facebook entrar no mercado tradicional dos grandes clubes de futebol é remota, pelo menos até 2024, porque a Globo detém os direitos de transmissão. Isso não impede a empresa de buscar parcerias com outros esportes, seus clubes e circuitos no médio prazo.

Para Marcio Zorzella, da Denstu Aegis Network, grupo global de comunicação, a rede social aproveita o momento "direct to consumer" (direto ao consumidor, na tradução do inglês) para apostar no mercado de vídeo, mesmo que não ofereça conteúdos originais, como a Netflix.

A vantagem é que pode distribuir conteúdos a 2,2 bilhões de pessoas no mundo. O Watch, lembra Zorzella, permite que, além de grandes marcas, pequenos produtores de vídeo possam monetizar seus conteúdos e interagir melhor com suas audiências, ampliando a oferta e receita do modelo de negócio.

"É um conceito de marketplace e 'social vídeo'. Algo que a Apple lançou nos primórdios do Apple Music para bandas, mas que não vingou. Com tanta abundância de provedores, a pergunta que fica é se nessa corrida pela receita, prevalecerá o conteúdo premium dos provedores ou o algoritmo das plataformas", diz.

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