Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Promessas ambiciosas do 5G podem demorar anos

Processo de instalação de infraestrutura é dispendioso e será um obstáculo

Marc Vartabedian
Washington

Cada um dos saltos modernos na tecnologia do setor de telefonia móvel trouxe mudanças distintas. A telefonia móvel de segunda geração, ou 2G, permitiu a transmissão de voz. As redes 3G abriram as portas para a revolução dos aplicativos. O 4G trouxe um ganho dramático de velocidade.

Agora, as aguardadas redes sem fio 5G devem ser poderosas o suficiente para levar ao mercado de massa carros autônomos e realidade virtual em tempo real, e práticas o suficiente para substituir a banda larga doméstica.

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Passageiros usam o celular dentro do metrô da capital paulista; quase 50% dos aparelhos móveis usam a tecnologia 4G, que futuramente dará espaço ao 5G - Danilo Verpa/Folhapress

Embora as empresas de telecomunicações devam começar a lançar redes 5G até o final deste ano nos Estados Unidos, o cumprimento das promessas mais ousadas quanto a essa tecnologia pode demorar anos, dizem especialistas.

O processo de instalação de infraestrutura dispendioso, que propõe desafios ainda não resolvidos, será mais um obstáculo. Em resumo, os inovadores aplicativos 5G podem estar para chegar, mas seus efeitos podem não parecer muito diferentes daquilo que já temos.

A principal das promessas do 5G é que o uso de ondas de rádio mais curtas permitirá que as redes transmitam dados adicionais suficientes para adensar muito a capacidade das conexões de internet.

As redes 4G atuais são capazes de acionar fechaduras, mas não têm banda suficiente para permitir sistemas complexos e autocontrolados —por exemplo, carros autônomos que se comunicam uns com os outros a fim de coreografar um esforço coordenado de estacionamento no coração da cidade de Nova York.

As redes 5G servem para “conectar coisas a outras coisas”, diz Sandra Rivera, vice-presidente sênior do grupo de plataformas de rede da Intel, uma das maiores fabricantes de chips, que está fortemente envolvida em uma corrida mundial para desenvolver e lançar a tecnologia 5G, em companhia de grupos de telecomunicações como a AT&T e a Verizon Communications.

A latência —demora entre a solicitação de um sinal de vídeo ou acesso a um site e o momento em que a rede responde— terá papel importante a desempenhar no sucesso das redes 5G. Em última análise, a latência 5G pode ser reduzida a um décimo da encontrada nas redes 4G, segundo a União Internacional de Telecomunicações, uma agência das Nações Unidas que desenvolve padrões técnicos para redes.

O futuro da realidade virtual e da realidade aumentada depende fortemente disso. “Com velocidades maiores e latência menor, nossa rede móvel 5G vai permitir acesso a diversas experiências novas e empolgantes, para os nossos clientes”, diz Andre Fuetsch, vice-presidente de tecnologia da AT&T. 

Entre os maiores desafios para realizar o potencial das redes 5G está o fato de que, por estarem posicionadas muito mais perto umas das outras, as ondas 5G não são capazes de percorrer longas distâncias.

As torres de telefonia móvel 4G hoje têm alcance de até 16 quilômetros. Mas redes 5G puras têm alcance máximo de 300 metros. As ondas 5G podem ter dificuldade para atravessar paredes e janelas, e até mesmo folhas nas árvores podem bloqueá-las na primavera.

As operadoras de telefonia móvel dizem que a solução para esse problema é aumentar o número de torres 5G, mas isso traz outras dificuldades. Fazer das redes 5G uma realidade onipresente, mesmo dentro das cidades, requer milhares de novas torres. Construi-las é dispendioso.

“Ninguém descobriu ainda como construir a infraestrutura”, diz o consultor de tecnologia Chetan Sharma. “A matemática requerida para o trabalho não é prática.”

Como resultado, as primeiras versões de redes 5G a chegar ao público provavelmente não serão “5G real”, ou seja, poderosas o suficiente para permitir o uso de aplicativos sofisticados, diz Sharma.

As velocidades certamente serão maiores, mas algumas empresas afirmam que as redes 5G servirão inicialmente como extensão da tecnologia que aciona as redes 4G, conhecida como tecnologia LTE (Long Term Evolution, na sigla em inglês).

Esses lançamentos iniciais de redes 5G operarão nas bandas baixas e médias do espectro, o que significa que a velocidade deve ser de 10% a 20% mais alta que o serviço 4G atual, no caso do 5G de frequência baixa, e até 300% maior no caso das redes 5G de frequência média, estima Sharma. O lançamento de redes 5G de frequência baixa requer menos infraestrutura de torres.

Os primeiros aplicativos incluirão acesso sem fio para residências, câmeras de alta velocidade em arenas esportivas, e serviços conectados de transportes em cidades.

Mesmo com as limitações iniciais, os avanços técnicos das redes 5G podem mudar as normas quanto a formas de acesso à internet. As tecnologias sem fio e com fio podem se misturar. Mas é provável que não haja smartphones 5G nos Estados Unidos antes do ano que vem. 


The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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