Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Amazon e Walmart prometem revolucionar varejo com 'nuvem física'

Inteligência artificial e robótica entregarão bens de forma tão eficiente quanto se guardam e transferem dados

Christopher Mims
Baltimore

O centro de distribuição de 90 mil metros quadrados da Amazon em Baltimore é uma imensa máquina de atendimento de pedidos. Se você se posiciona em uma das pontas do armazém, sua estrutura de titânio branco e suas esteiras rolantes aparentemente intermináveis parecem desaparecer no horizonte, ainda que o horizonte de alguma maneira pareça estar dentro do edifício.

A máquina é uma combinação estonteante de escadas, rampas, separadores e um total de quase 18 quilômetros de esteiras rolantes. 

Um armazém completamente automatizado é apenas o começo. Amazon e Walmart patentearam armazéns parecidos com zepelins, que flutuarão a 300 metros de altura e estarão equipados com drones prontos a entregar creme dental e papel higiênico aos consumidores em suas casas, como se fossem arquivos de computador. Bem-vindo à nuvem física.

Antes de chegarmos lá, os robôs precisam ganhar a capacidade de executar todas as tarefas em um armazém por conta própria. Embora nenhum outro grupo de varejo se aproxime da Amazon em termos de escala, a Ocado, empresa de varejo online de mantimentos na Inglaterra, tem a automação mais sofisticada do mercado. 

Em um armazém a 110 quilômetros a sudoeste de Londres, um enxame de robôs da Ocado, com tamanho semelhante ao do R2-D2, corre por sobre uma grade elevada de quadrados vazados; as máquinas cruzam percursos e chegam perto de colidir umas com as outras, sem nunca fazê-lo.

Por sob a grade ficam os produtos, empilhados em bandejas com 18 camadas de altura. Quando um cliente faz um pedido, por exemplo uma garrafa de leite, um robô da Ocado se desloca ao quadrado apropriado, estende os braços para baixo e agarra uma bandeja contendo leite. 

O robô em seguida posiciona a bandeja dentro de sua barriga e a conduz a uma esteira rolante, que conduz o leite aos trabalhadores, que contam com a destreza necessária a pegar a garrafa e embalá-la em uma sacola de compras. 

Ainda que nem a Amazon e nem a Ocado tenham robôs capazes de embalar itens eficientemente, os robôs da Ocado podem mover itens autonomamente do local de armazenagem para as esteiras rolantes.

A Ocado já pensa de modo mais ambicioso. A empresa estuda como usar uma versão maior de seus robôs para lidar com contêineres de carga, porque carregar caminhões é muito difícil. 

Existem gargalos nos portos. Da mesma forma que ampliar a largura de banda permite expandir a capacidade da internet, aumentar os robôs da Ocado poderia possibilitar que eles se movimentem por sobre pilhas de contêineres e os carreguem em veículos de entrega.

Depois dos armazéns, os veículos de entrega são o próximo alvo da automação. Amazon e Walmart estão trabalhando em como levar pacotes de um furgão autoguiados ao comprador, seja por meio de um veículo autônomo ainda menor ou pela criação de armários de entrega nos bairros.

Quando a necessidade de um motorista humano é removida —e com ela a de um volante, air bag e cinto de segurança—, um veículo de entrega pode assumir quase qualquer forma. 

O conceito de transporte modular da Mercedes-Benz é um chassi elétrico em forma de prancha de skate, que pode servir de base a um furgão de passageiros, caminhão de carga ou casa motorizada. 

Durante o dia, o chassis poderia ser afixado a uma carroceria de ônibus e usado para transportar passageiros. À noite seria destacado para recarga, empilhado em uma garagem.

Ou poderia ser usado para transportar um contêiner em uma determinada direção e na chegada trocar de carroceria e transportar passageiros na direção inversa, para a jornada de retorno.

Em lugar de furgões de tamanho padrão, frotas de pequenas “cápsulas” de entregas poderiam apanhar pacotes em depósitos centralizados e entregá-las aos compradores, usando infraestrutura de inteligência artificial parecida com a que está em uso nos armazéns hoje.

Sistemas de entregas sobre rodas são muito mais prováveis que drones, para o futuro próximo nos EUA. Mas não vai demorar para que o céu se torne uma extensão da nuvem física, nos conectando da mesma maneira que nossos celulares nos conectam à computação em nuvem. 

Imagine um drone pousando para lhe entregar um café gelado, no caminho para o trabalho. A IBM já tem patente para isso, na verdade.

The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.