Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Com só um 1% do mercado na China, Samsung fecha fábrica

Gigante sul-coreana da tecnologia vai transferir parte da produção para a Índia

Timothy W. Martin
Seul | The Wall Street Journal

A Samsung planeja fechar uma fábrica de smartphones na China dentro de duas semanas. A gigante sul-coreana da tecnologia vem sofrendo forte queda de vendas na China, o maior mercado mundial de celulares, e vai transferir parte de sua produção para a Índia.

A companhia fechará suas instalações em Tianjin, cidade portuária no norte do país, perto de Pequim, antes do dia 31, informou um porta-voz.

DJ Koh, presidente-executivo da divisão móvel Samsung, em conferência da companhia
DJ Koh, presidente-executivo da divisão móvel Samsung, em conferência da companhia - Eric Risberg - 7.nov.18/Associated Press
 

A decisão não parece ter relação direta aos esforços dos Estados Unidos para convencer seus aliados, entre os quais a Coreia do Sul, a restringir seus negócios com a China no setor de tecnologia, em meio a uma escalada na disputa geopolítica que gira em torno da gigante chinesa das telecomunicações Huawei, grande concorrente da Samsung.

Cerca de 2.000 empregados da sul-coreana foram notificados na semana passada sobre o fechamento da fábrica de Tianjin, onde analistas estimam que a Samsung produza cerca de um terço dos celulares que monta na China. A Samsung é a maior fabricante mundial de celulares e também opera uma segunda fábrica no país, em Huizhou.

"A China continua a ser um mercado importante para a Samsung", afirmou o porta-voz em comunicado, no qual a empresa prometia que continuaria a investir em suas fábricas no país oriental. 

A companhia e suas afiliadas produzem baterias, chips de memória e outros componentes eletrônicos na China. 

Há cinco anos, detinha pouco menos de um quinto do mercado chinês de celulares. Sua participação, no entanto, vem caindo, e ela hoje responde por menos de 1% das vendas, de acordo com pesquisas da Counterpoint Research.

Rivais chineses como a Huawei e a Xiaomi roubaram negócios da Samsung ao oferecer recursos muito semelhantes em seus celulares, por preço muito mais baixo.

Embora o fechamento da fábrica de Tianjin não pareça estar relacionado à disputa entre os Estados Unidos e a China quanto à Huawei, surge em um momento em que empresas como a Samsung se veem enredadas na tensão entre as duas maiores potências econômicas do planeta. 

Possíveis tarifas e preocupações geopolíticas podem afetar empresas de tecnologia que têm operações industriais significativas na China.

Diante dos custos trabalhistas crescentes no país e das incertezas quanto ao comércio mundial, a Samsung optou, alguns meses atrás, por alocar US$ 700 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) para a construção da maior fábrica mundial de smartphones na Índia.

A estratégia da sul-coreana quanto à fabricação de celulares contrasta com a da rival Apple, que depende pesadamente da China para a fabricação de seus iPhones.

Entre 50% e 60% dos cerca de 300 milhões embarcados anualmente pela Samsung são montados no Vietnã, entre 20% e 30%, na China, e 10%, na Índia, de acordo com relatório de Simon Woo, do Bank of America Merrill Lynch, em julho.

Depois da expansão das instalações da empresa na Índia, estimou Woo, a participação da China nessa divisão deve cair a 10%.

A exposição menor à China significa que quaisquer tarifas aplicadas a celulares fabricados na China "provavelmente favoreceriam" a Samsung, ante a Apple, de acordo com um relatório divulgado em novembro pela Panjiva, a divisão de pesquisa sobre cadeias de suprimento da S&P Global Market Intelligence.

A Samsung espera estabilizar suas lucrativas operações de smartphones, depois de tropeços significativos este ano. 

Os embarques de smartphones da companhia caíram 13% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2017, de acordo com o grupo de pesquisa Strategy Analytics, uma queda superior à média setorial de 8%.
A Samsung enfrenta dificuldades para compreender a China há anos. 

Em 2016, quando a China ainda respondia por 8% das vendas de celulares da Samsung, o presidente da divisão de aparelhos móveis da companhia, D.J. Koh, disse ao jornal The Wall Street Journal acreditar que a situação tivesse chegado a um ponto de inflexão e que esperava uma recuperação significativa dentro de "um par de meses, seis meses".

Em agosto deste ano, o executivo reiterou a importância da China para a Samsung e prometeu visitar o país todos os meses. 

"Devido ao seu tamanho, o mercado chinês é algo de que jamais desistiremos", afirmou Koh. 

The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci 

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