Descrição de chapéu The Wall Street Journal

China reforça censura ao popular TikTok, a GIFs e a 'fetiches'

Governo criou uma organização específica e regras que proíbem 100 categorias de conteúdo

Yoko Kubota
Pequim | The Wall Street Journal

As plataformas para vídeos curtos, que passaram por uma explosão de popularidade na China, encararão censura mais explícita e custos mais altos, depois que uma organização setorial criada pelo governo divulgou novas regras que proíbem 100 categorias de conteúdo, que variam de difamar líderes a encorajar casos extraconjugais.

As diretrizes divulgadas na semana passada também requerem que as plataformas reforcem a censura e verifiquem todo o conteúdo antes de postá-lo.

Muitas das proibições estendem áreas já restritas, como relacionadas ao vazamento de segredos nacionais. Também restringem conteúdo potencialmente nocivo –como vídeos que encorajam o suicídio –, e peculiaridades: vídeos sobre fetiches de pé, sobre aventuras sexuais de uma noite só e sobre GIFs (líderes nacionais não podem aparecer tremendo, por exemplo).

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Ícone do aplicativo TikTok - AFP

As amplas proibições devem elevar o custo operacional das plataformas dominantes de vídeos curtos, oferecidas pelas startups Bytedance e Kuaishou, que são uma parte muito movimentada da internet móvel da China e apresentam rápido crescimento, mas incomodam o governo autoritário.

O app da Bytedance para vídeos curtos, conhecido como Douyin na China e TikTok no exterior, registrou disparada no uso, como o da Kuaishou. Os usuários são em sua maioria jovens e postam vídeos de poucos segundos de duração mostrando animais de estimação, passos de dança e aleatoriedades. 

Em um sinal da popularidade, o WeChat –o app mais usado na China, que reúne todos os tipos de serviço, de pagamentos a rede sociais–, da Tencent, acrescentou uma plataforma para vídeos curtos aos seus serviços.

As autoridades estão tentando conter a velocidade com que mensagens e memes se espalham, diz Ben Cavender, analista sênior do China Market Research Group. 

Para o governo chinês, “as plataformas de vídeos curtos são preocupantes porque o conteúdo é fluido, aderente e obtém audiência muito rapidamente”, acrescenta.

A Bytedance e a Kuaishou, que tem investimento da Tencent, se recusaram a divulgar números sobre usuários ou vídeos. 

Ainda não está claro se as regras têm força de lei, porque foram divulgadas por uma organização setorial criada pelo governo, ou se servem mais como diretrizes que poderiam gerar advertência ou multas.
Uma pessoa da organização disse que as regras resultaram de longas discussões.

A Kuaishou participou da redação das propostas, da mesma forma que o Toutiao, um app que agrega notícias, operado pela Bytedance.

As empresas de tecnologia chinesas vêm sofrendo crescente pressão do governo nos últimos anos. Em 2018, a Bytedance foi repreendida diversas vezes devido a seu app de notícias; a empresa também tinha um app para a publicação de sátiras, que foi descontinuado.

A Bytedance afirma que o número de usuários diários de seu app de vídeos curtos, o TikTok, ultrapassou os 200 milhões de pessoas na China, em outubro. 

Na Kuaishou, mais de 15 milhões de vídeos são subidos para o site a cada dia, de acordo com uma reportagem da agência oficial de notícias chinesas, Xinhua.

Essas empresas já empregam legiões de monitores para tentar apanhar material repreensível, e dependem cada vez mais de sistemas de inteligência artificial para policiar seu conteúdo. 

Sob as diretrizes anunciadas, as plataformas de vídeo devem ter uma equipe de censores de “alta qualidade política”.

 Em princípio, elas precisam ter pelo menos um auditor de conteúdo treinado para cada mil vídeos curtos subidos para seus sites a cada dia, as regras dispõem. Com base em números publicados em abril sobre a Kuaishou, a plataforma precisaria de pelo menos três vezes mais censores.

  • 200 milhões de pessoas usam o TikTok, da ByteDance, na China, um dos aplicativos de vídeo mais populares do mundo em 2018
     
  • 15 milhões de vídeos curtos sobem no app da Kuaishou todos os dias. As duas empresas receberam investimento da Tencent, dona do WeChat 

Traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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