Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Com superapps, Bing e Baidu têm futuro incerto na China

Serviços de busca são cada vez mais descartáveis com ascensão de apps da ByteDance e da Tencent

Jacky Wong
Hong Kong | The Wall Street Journal

Será que usar o Bing é a melhor maneira de fazer buscas online na China? Não no momento, pelo menos: o serviço de busca americano subitamente ficou fora da rede na semana passada. O motivo ainda é desconhecido. A Microsoft, dona do serviço, se limitou a confirmar que o site ficou fora do ar.

O Bing não é o único serviço de busca a ter futuro incerto na China. Mesmo a Baidu, líder absoluta do mercado, com participação de 70%, está enfrentando problemas. 

Bing, da Microsoft; app ficou fora do ar na China na semana passada
Bing, da Microsoft; app ficou fora do ar na China na semana passada - Dado Ruvic/Reuters

Um recente artigo intitulado “serviço de busca Baidu já morreu” viralizou na mídia social chinesa, acusando a empresa de promover seus sites —especialmente uma plataforma para blogs chamada Baijiahao —em lugar de apresentar os melhores resultados.

A empresa negou a acusação, afirmando que menos de 10% dos resultados encaminham ao Baijiahao.

Não é a primeira vez que a Baidu parece frágil nos últimos meses. Notícias de que o Google estava tramando um retorno ao mercado chinês levaram as ações da Baidu a uma queda de 8% em um dia de agosto de 2018.

Os investidores temeram uma fuga em massa de usuários do serviço de buscas chinês. O desafio mais amplo que a Baidu enfrenta é a mudança na natureza da internet da China. 

Empresas como Alibaba e Tencent criaram essencialmente ecossistemas próprios que representam jardins murados separados, e eles ou tornam desnecessário o uso de serviços de busca externos ou bloqueiam o acesso deles a seu conteúdo.

Os consumidores chineses que querem fazer compras se dirigem diretamente às plataformas de comércio eletrônico do Alibaba, por exemplo. Os que estão em busca de entretenimento podem procurar o WeChat, da Tencent, que evoluiu de um app de mensagens para um mini sistema operacional que oferece todo tipo de conteúdo.

A Baidu vem tentando cultivar o seu jardim murado. Em 2016, acrescentou um news feed personalizado ao seu app para aparelhos móveis, e isso vem gerando avanços em seu tráfego e receita publicitária.

Nesse campo ela enfrenta concorrência séria da startup Bytedance, que atraiu usuários por meio do popular app de notícias Toutiao, e de serviços de vídeos curtos como o TikTok.

Ainda que seja costume classificá-la como parte de um grupo que inclui também o Alibaba e a Tencent, designado pelas iniciais “BAT”, a Baidu é uma empresa muito menor que os dois rivais, hoje, graças ao ceticismo quanto às perspectivas de crescimento de seu principal negócio. 

As ações da companhia vêm sendo negociadas a um múltiplo de apenas 16,7 vezes a receita projetada para ela no ano que vem, segundo a FactSet, bem abaixo do múltiplo de 26 vezes atingido pela Alphabet, controladora do Google. 

O preço pode parecer tentador, mas dada a incerteza que existe sobre os serviços de busca na China, não é hora de os investidores voltarem a apostar na Baidu.

Traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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