Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Problemas da Apple na China podem se tornar preocupação permanente

Clientes chineses não são tão leais à marca de Steve Jobs quanto os dos Estados Unidos

Jacky Wong
Hong Kong | The Wall Street Journal

Os problemas da Apple na China, que levaram a empresa a reduzir sua projeção trimestral de vendas pela primeira vez em 15 anos, podem ter causado choque. Mas deveríamos ter percebido o que estava por vir.

 
Não é porque os investidores deveriam ter identificado a Apple como potencial vítima da disputa comercial entre a China e os Estados Unidos.

Alguns consumidores chineses podem ter rejeitado os produtos da empresa por motivos patrióticos, nos últimos meses, mas as indicações de um boicote amplo à Apple são ínfimas.

Homem usa smartphone em frente à loja da Apple em Hong Kong; consumo mais frio na China impactou na previsão de receita da gigante americana
Homem usa smartphone em frente à loja da Apple em Hong Kong; consumo mais frio na China impactou na previsão de receita da gigante americana - Anthony Wallace/AFP

Um motivo mais simples e convincente para a queda de vendas é que a economia da China está enfraquecendo, o que gera condições adversas para a venda dos caros celulares da Apple em um mercado já saturado.

Os embarques de smartphones caem há seis trimestres consecutivos na China, de acordo com o grupo de pesquisa IDC.

A confiança dos consumidores chineses está caindo, e é natural que eles rejeitem os dispendiosos iPhones e optem por modelos mais baratos. Os smartphones da Apple saem por em média US$ 900 na China, enquanto os de rivais locais como Huawei e Xiaomi custam menos de US$ 300.

As duas empresas vêm erodindo a participação de mercado da Apple.

A Apple conseguiu ocultar algumas das fissuras no final de 2017, quando aumentou os preços de seus smartphones em mais de 20%, em média. Isso a ajudou a registrar o melhor trimestre de sua história em termos de receita, na China continental.

Mas agora que os consumidores estão mais sensíveis aos preços, é improvável que novos aumentos tenham sucesso comparável aos do final do ano passado.

As compras de outros produtos de alto preço pelos consumidores chineses –como carros e refrigeradores –também caíram abruptamente nos últimos meses.

A nova linha de iPhones lançada no ano passado não incluía recursos imperdíveis, que costumam convencer os consumidores a trocar de aparelho.

Os clientes da Apple na China não são tão leais quanto os dos Estados Unidos, para começar. Apenas cerca de 60% dos atuais donos de iPhones na China pensam em manter a marca americana para seu próximo celular, de acordo com relatório do grupo de pesquisa Aurora Mobile.

Pesquisas semelhantes nos Estados Unidos demonstram que cerca de 90% dos usuários pretendem ficar com o iPhone.

Isso se deve em parte à popularidade esmagadora do WeChat na China: o app de mensagens funciona como um mini sistema operacional, o que significa que é menos incômodo para o usuário trocar um celular com o sistema operacional iOS, da Apple, por um modelo equipado com o Android.

Se não surgirem notícias positivas na frente macroeconômica, os problemas da Apple na China podem se tornar uma preocupação permanente.

Tradução de Paulo Migliacci 

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