Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Projeto de consertar o Facebook fica para 2019

Em 2018, Mark Zuckerberg determinou que seu lema seria consertar a rede social

Deepa Seetharaman e Georgia Wells
San Francisco | The Wall Street Journal

H√° um ano, Mark Zuckerberg declarou sua inten√ß√£o de consertar o Facebook. √Č uma obra em progresso.

No topo da lista de afazeres da empresa para 2019 está encontrar um ponto de equilíbrio entre o crescimento, muito enraizada no gigante da mídia social, e um compromisso para com a melhora da segurança e da proteção em todas as suas plataformas.

Mais de cem bonecos de papelão de Zuckerberg em protesto, no ano passado, em frente ao Capitólio; lema do executivo era 'consertar o Facebook'
Mais de cem bonecos de papelão de Zuckerberg em protesto, no ano passado, em frente ao Capitólio; lema do executivo era 'consertar o Facebook' - Saul Loeb/AFP

Essas tens√Ķes ficaram vis√≠veis ‚Äďe n√£o pareciam resolvidas ‚Äďdentro do Facebook ao longo de boa parte do ano passado, dizem atuais e antigos empregados.

Em um caso, um esfor√ßo para reduzir a polariza√ß√£o pol√≠tica da plataforma despertou preocupa√ß√Ķes de Zuckerberg e outros executivos, que n√£o sabiam se a ideia funcionaria ou se ela causaria redu√ß√£o no engajamento dos usu√°rios, que estava come√ßando a cair na plataforma Facebook.

O projeto terminou abandonado em setembro, ainda que a empresa afirme que seus esforços de combate à polarização continuam.

Um esfor√ßo separado para minimizar a desinforma√ß√£o, por meio da promo√ß√£o de not√≠cias ‚Äúde qualidade‚ÄĚ, tamb√©m enfrentou problemas depois que diversos executivos, entre eles o vice-presidente de pol√≠ticas, Joel Kaplan, expressaram preocupa√ß√£o com a possibilidade de que as medidas prejudicassem desproporcionalmente os sites conservadores e de direita.

Esse tipo de questão, que no passado não parecia importar muito enquanto o Facebook crescia a todo vapor, agora ocupa posição central nas perspectivas de negócios.

O crescimento na base de usu√°rios perdeu o √≠mpeto em diversos mercados. Como outros de seus rivais na tecnologia, as a√ß√Ķes do Facebook ca√≠ram acentuadamente nos √ļltimos meses, 40% ante o pico que atingido em julho. Para a empresa de Menlo Park, Calif√≥rnia, isso contribuiu para um abalo consider√°vel dos funcion√°rios. 

Em pesquisa na qual rebaixavam sua recomenda√ß√£o quanto √†s a√ß√Ķes do Facebook, analistas do banco de investimento Stifel informaram que ‚Äúno Vale do Sil√≠cio existem muitos lugares em que o pessoal do Facebook poderia buscar empregos que lhes permitiriam fazer coisas interessantes, e sentir mais orgulho quanto ao impacto de seu empregador, sem perder remunera√ß√£o‚ÄĚ.

O escrut√≠nio do governo sobre o Facebook s√≥ deve crescer em 2019. Zuckerberg disse que est√° aberto a formas mais intensas de fiscaliza√ß√£o, e solicitou a Kaplan e outros executivos que preparem planos de regulamenta√ß√£o que o Facebook considere suport√°veis.

O Facebook continua altamente lucrativo ‚Äďcom mais de US$ 5 bilh√Ķes (R$ 18,5 bilh√Ķes) de lucro no terceiro trimestre ‚Äďmas o crescimento de sua receita j√° n√£o √© t√£o intenso.

Zuckerberg disse que a empresa est√° em uma transi√ß√£o que resultar√° em crescimento mais lento e custos mais altos. Entre outros investimentos, o Facebook agora tem mais de 30 mil empregados para policiar conte√ļdos que violem as normas do site.

‚ÄúEstou orgulhoso do progresso que conquistamos‚ÄĚ, afirmou Zuckerberg em mensagem em seu perfil na rede. 

Mark Zuckerberg testemunha no Congresso americano em abril de 2018; pressão regulatória deve permanecer este ano
Mark Zuckerberg testemunha no Congresso americano em abril de 2018; pressão regulatória deve permanecer este ano - Jim Watson/AFP

‚ÄúMudamos fundamentalmente o nosso DNA, e adotamos como foco a preven√ß√£o de danos, em todos os nossos servi√ßos, e passamos a dedicar por√ß√£o cada vez maior dos esfor√ßos de nossa empresa √† preven√ß√£o de danos.‚ÄĚ

Alguns analistas externos dizem que a empresa deveria se concentrar em reparar a plataforma, e voltar ao crescimento mais tarde.

‚ÄúN√£o acho que aumentar o n√ļmero de usu√°rios seja solu√ß√£o‚ÄĚ, disse Jason Cieslak, presidente da consultoria Siegel+Gale. ‚ÄúEles est√£o tentando voar com o avi√£o enquanto ainda est√£o construindo peda√ßos dele.‚ÄĚ

O Facebook deveria se dispor a limitar os recursos de certos apps, ou a retir√°-los de vez de determinados mercados, nos casos em que a rede social tenha causado grandes danos, disse Cieslak.

Essa abordagem parece improv√°vel, n√£o menos porque o Facebook est√° levando adiante sua busca por novas fontes de crescimento de receita, o que inclui suas populares subsidi√°rias Instagram e WhatsApp.

Esses esforços causaram controvérsias internas na empresa, e levaram os fundadores dessas marcas a deixar o Facebook em 2018.

Analistas dizem que um grande desafio para o Facebook este ano seria gerar mais receita dessas unidades, sem perder usu√°rios.

Em meio √†s preocupa√ß√Ķes setoriais quanto a uma poss√≠vel desacelera√ß√£o na publicidade digital, os golpes repetidos contra a imagem de marca do Facebook podem atrapalhar os esfor√ßos para se expandir a outras √°reas que oferecem crescimento. 

O Facebook concorre na √°rea de conte√ļdo especial em v√≠deo com gigantes como a Amazon, a divis√£o Google da Alphabet, e a Netflix, e pode se tornar um parceiro menos atraente caso as manchetes negativas persistam, disse Brian Wieser, analista da corretora Pivotal Research.

Dentro da empresa, muitos empregados se incomodam com o teor da cobertura de mídia sobre a companhia, e o mesmo vale para ex-funcionários.

Eles questionam por que n√£o houve uma reforma maior nos escal√Ķes de comando, entre executivos que trabalham no Facebook h√° uma d√©cada ou mais e foram contratados quando a meta da empresa era expandir seu alcance mundial.

Diversos dos executivos encarregados de comandar os esfor√ßos de reforma do Facebook lideraram esfor√ßos de crescimento do passado, como o vice-presidente de crescimento Javier Olivan; a vice-presidente de bem social Naomi Gleit; e Guy Rosen, cofundador da Onavo, startup adquirida em 2012 que se tornou fonte chave de informa√ß√Ķes sobre concorrentes da empresa.

Um porta-voz do Facebook disse que fazia sentido colocar os grandes especialistas em crescimento da empresa no comando da prevenção de abusos.

The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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