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Regras de ecommerce na Índia frustram Amazon e Walmart

Um dos mercados mais visados pelas empresas de tecnologia busca referências nas restrições da China

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Newley Purnell e Corinne Abrams
Nova Déli | The Wall Street Journal

A Índia está adotando restrições mais severas para as empresas estrangeiras de comércio eletrônico que operam no país, em um novo desafio à Amazon e ao Walmart, que apostaram bilhões nesse mercado nascente.

As regras atuais proíbem que empresas de varejo online não indianas mantenham estoques próprios no país e despachem produtos diretamente para os consumidores. 

Em lugar disso, elas encontraram uma maneira de contornar os obstáculos, operando como mercados online e vendendo o que na prática são seus próprios produtos, mas de estoques detidos por companhias locais afiliadas.

Manifestante indiano exibe cartaz contra o Walmart, na época de seu acordo com a gigante de vendas online indiana Flipkart, em Nova Déli; o Ministério do Comércio da Índia anunciou que vai apertar as regras de comércio eletrônico
Manifestante indiano exibe cartaz contra o Walmart, na época de seu acordo com a gigante de vendas online indiana Flipkart, em Nova Déli; o Ministério do Comércio da Índia anunciou que vai apertar as regras de comércio eletrônico - AFP

Uma divisão do Ministério do Comércio e Indústria indiano anunciou que elas não poderão mais realizar vendas do tipo, em uma aparente tentativa de eliminar essa lacuna. As novas regras, que entram em vigor em 1º de fevereiro, também proíbem empresas estrangeiras de assinar acordos de exclusividade com vendedores. 

A Amazon, por exemplo, no passado era distribuidora online exclusiva para a venda na Índia da popular marca chinesa de smartphones OnePlus.

Jeff Bezos, o fundador da Amazon, anunciou um investimento de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 19,3 bilhões) para expandir as operações da empresa na Índia, e o grupo de varejo eletrônico sediado em Seattle se tornou um dos líderes do mercado de comércio eletrônico do país desde seu lançamento lá, em 2013. 

Em maio, o Walmart adquiriu o Flipkart Group, o maior grupo indiano de varejo eletrônico, por US$ 16 bilhões (R$ 62 bilhões).

“Vai ser difícil para a Amazon e para a Flipkart”, disse Satish Meena, analista do grupo de pesquisa Forrester, apontando que alguns elementos das novas regras continuam incertos.

“Ambos investiram muito dinheiro com base nas normas que estavam em vigor, e agora elas subitamente foram mudadas.”

Uma porta-voz da Amazon disse que a empresa está avaliando as novas regras. Uma porta-voz da Flipkart afirmou que o setor de comércio eletrônico indiano criou “milhares de empregos” e deve ser um “grande promotor de crescimento” para a economia.

“É importante que uma estrutura ampla, criada com a participação do mercado por meio de um processo de consulta bem realizado, seja criada para propelir o crescimento do setor”, ela disse. 

Uma porta-voz do Walmart na Índia encaminhou quaisquer questões a representantes do Walmart nos Estados Unidos, que não responderam de imediato a um pedido de comentário.

Embora as empresas dominantes no comércio eletrônico indiano sejam controladas por estrangeiros, alguns rivais locais interessantes já começam a emergir, com as novas regras.

Um tuíte de Kunal Bahl, presidente-executivo da Snapdeal, uma empresa indiana de comércio eletrônico, elogiou a decisão do governo. “Essas mudanças nivelarão o jogo entre todos os vendedores, e isso ajudará a estender o alcance do comércio eletrônico.”

Outra beneficiária seria a Reliance Jio, empresa de telecomunicações criada pelo homem mais rico da Índia, que investiu bilhões de dólares na construção da primeira rede 4G do país. Analistas dizem que a empresa pode estar planejando ingressar no comércio eletrônico nos próximos anos.

Com massas de consumidores locais agora dispondo de serviços de dados de baixo custo e smartphones, o mercado de comércio eletrônico da Índia está a caminho de um boom, e vai crescer de cerca de US$ 33 bilhões (R$ 127,8 bilhões) este ano, para US$ 72 bilhões (R$ 278,9 bilhões) em 2022, de acordo com o grupo de pesquisa eMarketer.

“É uma das melhores notícias em muito, muito tempo”, disse Kishore Biyani, presidente-executivo do Future Group, que tem lojas de varejo em 250 cidades da Índia.

“Desde que as regras foram anunciadas estamos pensando em como nos tornarmos a Amazon da Índia, o Alibaba da Índia, em lugar de vermos alguma companhia internacional construindo presença na Índia”, disse.

Biyani afirmou que sua empresa conversou sobre parcerias com a Amazon, mas que, com a proteção das novas regras, poderia construir seu próprio negócio.

As autoridades indianas estão estudando maneiras de restringir o poder dos gigantes da tecnologia americanos. 

Diante do Google, parte do grupo Alphabet, e do Facebook e seu serviço de mensagens WhatsApp, usado por centenas de milhões de indianos, as autoridades estão examinando os métodos que a China empregou para proteger as startups nacionais e assumir o controle sobre os dados dos cidadãos do país.

Segundo analistas, o governo quer fomentar o desenvolvimento de empresas indianas de tecnologia capazes de competir no mercado global. As autoridades veem como as políticas restritivas chinesas ajudaram a criar algumas das maiores marcas de tecnologia, como Alibaba e Tencent.

As novas regras pretendem promover o crescimento do setor de comércio eletrônico indiano, “práticas de comércio justas e não discriminatórias”, e “competição saudável. 

The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci 

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