Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Empresas devem priorizar tecnologias já adotadas, diz relatório

'Próxima grande novidade' para os negócios não existe, segundo a CompTIA

Angus Loten
Nova York

Os gastos mundiais com tecnologia da informação para uso empresarial devem crescer em 3,9% este ano, cerca de US$ 200 bilhões (R$ 735 bilhões) com relação ao ano passado, para mais de US$ 5 trilhões (R$ 18 trilhões), de acordo com o mais recente relatório da organização setorial CompTIA.

Os avanços não serão propelidos por uma ferramenta ou tecnologia. Em lugar disso, o estudo aponta, a "próxima grande novidade" na tecnologia para empresas, este ano, será a maneira pela qual as companhias extrairão o máximo dos sistemas e tecnologias de que já dispõem, combinando blocos básicos de tecnologia da informação, recursos humanos e sistemas de maneiras inovadoras.

"A ideia da próxima grande novidade morreu", o relatório afirma.

Robô carrega pequenas embalagens no laboratório 4.0 da Natura
Robô carrega pequenas embalagens no laboratório 4.0 da Natura - Eduardo Knapp/Folhapress

Segundo a CompTIA, o fenômeno anual de uma nova capacidade de tecnologia da informação que promete revolucionar as formas pelas quais as empresas operam se tornou menos relevante, em um mundo de negócios já saturado de tecnologia.

Em lugar de identificar a próxima ferramenta digital essencial —seja computação em nuvem, blockchain ou inteligência artificial —, as empresas se saem melhor quando trabalham para "compreender o conjunto crescente de blocos básicos, e como encaixar essas peças para propelir a transformação digital", afirmou a CompTIA.

Por exemplo, combinar a internet das coisas a algoritmos acionados por inteligência artificial pode gerar novas capacidades em uma série de aparelhos conectados, de maquinaria industrial a terminais de caixa do varejo, permitindo que as empresas automatizem tarefas, reduzam a complexidade e obtenham novas eficiências.

Os objetivos desses e de outros esforços variam de setor a setor, incluindo a melhora na experiência do consumidor, avanços nos locais de trabalho ou canais de vendas melhores, o relatório afirma.

A CompTIA calcula uma alta mínima de 1,5% nos gastos com tecnologia e uma alta máxima de 6,4%, a depender de uma gama de condições de mercado.

"É essa mistura de gastos, combinada ao que acontecer com os preços, que determinará que taxa de crescimento teremos no ano", disse Tim Herbert, vice-presidente sênior de pesquisa e informações de mercado da organização.

Enquanto muitas categorias emergentes de tecnologia devam gerar crescimento da ordem de dois dígitos, capacidades maduras ou próximas da maturidade verão crescimento de apenas alguns pontos percentuais.

Uma recente projeção do grupo pesquisa Gartner sobre gastos com tecnologia da informação antecipa crescimento de 3,2% ante 2018, o equivalente a US$ 3,8 trilhões, puxado pela transição contínua das empresas, de data centers localizados em suas instalações para a computação em nuvem.

As projeções se baseiam em uma análise das vendas de milhares de fornecedores de tecnologia, em numerosas categorias de produtos e serviços de tecnologia da informação.

Os dois relatórios alertam para viradas imprevistas nos gastos como resultado de uma possível desaceleração econômica e incertezas comerciais.

Traduzido do inglês por Paulo Migliacci

The Wall Street Journal
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