Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Seguradoras de NY podem usar redes sociais para avaliar clientes

Agência regulatória permitirá que empresas usem redes sociais para determinar preços das apólices

Leslie Scism
Nova York | The Wall Street Journal

A principal agência regulatória dos serviços financeiros no estado de Nova York vai permitir que empresas de seguros de vida usem dados de mídias sociais e outras fontes não tradicionais a fim de determinar os preços de suas apólices, ainda que as seguradoras tenham de provar que a informação não constitui discriminação injusta contra clientes.

Nova York é o primeiro estado a estabelecer normas específicas determinando como as empresas de seguro de vida podem usar algoritmos para vasculhar toda sorte de registro, de escrituras de imóveis a históricos de crédito, passando pelo uso da internet, para avaliar o grau de risco do cliente.

Ao menos uma dúzia de seguradoras está recorrendo a esses programas automatizados a fim de acelerar o processo de compra de apólices, facilitar a emissão online de apólices de seguro, e buscar estimular os negócios estagnados nesse segmento do mercado de seguros.

O objetivo da decisão, segundo Maria Vullo, a superintendente do Departamento de Serviços Financeiros de Nova York, é estabelecer regras antes que o uso desse tipo de informação se generalize.

“Porque essa é uma área de rápida evolução no mercado de seguros, era importante para o departamento estabelecer princípios gerais agora.”

Maria Vullo, a superintendente do Departamento de Serviços Financeiros de Nova York
Maria Vullo, a superintendente do Departamento de Serviços Financeiros de Nova York - Reprodução

Nos termos de uma orientação divulgada no começo de janeiro, as empresas de seguro de vida terão de usar analises estatísticas para determinar que algoritmos e dados estejam isentos de vieses contrários a minorias raciais e outros grupos protegidos pela lei.

As seguradoras não poderão aceitar a afirmação de um provedor externo quanto à lisura do processo. A orientação se aplica a empresas que operam em Nova York, mas consultores setoriais dizem que seu impacto pode ir além das fronteiras do estado.

Nova York tem um dos maiores departamentos de seguros, nesse setor regulamentado por autoridades estaduais.

“Todo mundo prestará atenção”, disse Tom Scales, que lidera a prática de seguros de vida na Celent, consultoria de tecnologia para seguros. Organizações setoriais disseram estar estudando a orientação.

As seguradoras “continuariam a estudar maneiras de ajudar mais americanos a se beneficiarem de proteção financeira”, disse Mary Griffin, presidente do Conselho de Seguros de Vida de Nova York.

“O uso de algoritmos para a emissão de apólices pode facilitar e acelerar a obtenção de cobertura pelos clientes.”

A orientação de Nova York surge depois de uma investigação de 18 meses na qual funcionários do departamento questionaram 106 empresas de seguro de vida sobre suas práticas.

Os inspetores constataram que havia muitos dados já em uso: registros imobiliários, informações de crédito, currículos educacionais, sentenças em julgamentos civis, credenciamentos profissionais 
e outros documentos de domínio público.

Só uma das 160 seguradoras envolvidas afirmou estar usando a mídia social, compras no varejo ou atividades na internet para avaliar potenciais clientes.

O departamento também constatou que alguns fornecedores vêm oferecendo às seguradoras dados que incluem “condição ou tipo de aparelhos eletrônicos possuídos pelo candidato” e “aparência do candidato em uma fotografia”, de acordo com material postado no site de um desses fornecedores.

“Tudo isso tem o potencial de refletir critérios disfarçados e ilegais, de ordem racial, para a concessão de seguros”, o departamento afirmou, sobre diversas categorias de dados não tradicionais.

As leis de seguros de Nova York há muito proíbem o uso de informações sobre raça como critério para aprovação de pedidos de seguro.

Consultores dizem que o uso da mídia social nas decisões sobre seguros vem sendo limitado.

"Os dados existem e estão sendo recolhidos, mas sua qualidade e integridade ainda não foram comprovadas como precisas o bastante para uso como critério na concessão de seguros”, disse Ari Chester, sócio na consultoria McKinsey.

Em lugar disso, muitas seguradoras dependem de conjuntos de informações de domínio público.

Autoridades reguladoras estão de olho no que as empresas de seguro de vida estão fazendo. A National Association of Insurance Commissioners, organização que dá padrões às autoridades de seguros, tem um grupo de estudo que analisa os efeitos das seguradoras na aceleração de vendas.

Traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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