Google lança navegação anônima para Maps e outros recursos de privacidade

Empresa também criou o Password Checkup, recurso para segurança de contas e senhas

Paula Soprana
São Paulo | Com agências de notícia

O Google lança neste mês recursos de privacidade para o Maps, o YouTube e seu serviço de assistente de voz, com opções que incluem o modo anônimo e a exclusão automática de dados, comunicou a empresa na quarta (2).

Gigantes de tecnologia como Amazon, Facebook e Apple têm anunciado uma série de ferramentas que tentam dar mais controle sobre dados pessoais aos titulares, em resposta à crescente pressão de reguladores e de clientes.

O modo de navegação anônima no Google Maps deixará de salvar a atividade nas contas dos usuários, como os locais pesquisados. 

Mesmo com o modo anônimo ativado, o Google continua a coletar dados de geolocalização —uma premissa para o funcionamento do serviço—, mas quando a pessoa chega ao destino, seu trajeto não fica gravado no aplicativo.

O recurso também impede a segmentação de anúncios. Quando o usuário quiser recomendações de restaurantes ou informações sobre o trânsito, precisa desativar o modo anônimo.

No pacote de segurança, o Google também lançou o Checkup de Segurança, ferramenta que informa os usuários sobre ameaças às suas contas (como possíveis golpes de phishing) ou se alguma das senhas é fraca.

O assistente inteligente também permitirá que clientes apaguem conversas pelo comando de voz: "Ok Google, exclua a última coisa que eu disse".

A empresa afirma que adicionará opções de privacidade na configuração padrão da aplicação, correspondendo à expectativa de especialistas que criticavam a dificuldade para conseguir acessar tais funções.

A necessidade de incrementar a proteção de dados dos assistentes de voz inteligentes ficou evidente nos últimos meses depois de uma série de denúncias sobre parte das gravações coletadas pelos auxiliares virtuais serem revisadas por humanos nessas empresas.

A prática serve para o refinamento da linguagem do sistema de inteligência artificial, embora muitos consumidores desconheçam esse processo.

As críticas exigiram mais transparência das companhias, que vieram a público se desculpar —caso da Apple em agosto— ou anunciar novas alternativas —caso da Amazon com a Alexa

Além disso, o cenário regulatório se intensificou no último ano com a aplicação da GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia) e o ensaio de novas leis de privacidade na Califórnia e em Nova York.

O Facebook recebeu multa de US$ 5 bilhões (R$ 20 bilhões) da FTC (Comissão Federal de Comércio dos EUA) pela utilização indevida de informações. O Google teve que desembolsar € 50 milhões (R$ 225 milhões) por infringir a lei europeia —pouco perto dos US$ 2,7 bilhões (R$ 11 bilhões) determinados pela lei antitruste em 2017.

“As empresas que abominavam qualquer regulação hoje estão com outro discurso”, afirma Renato Monteiro Leite, advogado e professor do Data Privacy Brasil. “Dizem ativamente que não só seguem as leis atuais como querem ser reguladas”, completa.

Além de seguirem aspectos mais rígidos de novas legislações, as empresas passaram a incluir mais privacidade já na concepção dos produtos.

 
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