Descrição de chapéu Financial Times

Microsoft derrota Amazon e conquista contrato Jedi de computação do Pentágono

Presidente Trump interferiu no último momento e gerou revisão final da concorrência

Financial Times

A Microsot derrotou a Amazon e conquistou um importante contrato de US$ 10 bilhões do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, depois de diversas rodadas de lances, uma contestação judicial e uma intervenção de último minuto pelo presidente Donald Trump.

O Pentágono anunciou na sexta-feira que a Microsoft havia conquistado o chamado “contrato Jedi” de computação em nuvem, que permitirá que a empresa lide com boa parte das comunicações e dados do Departamento de Defesa americano.

Muita gente antecipava que a Amazon conquistaria o contrato, mas o presidente Trump interferiu no último momento para alertar que “grandes empresas” haviam se queixado do processo de licitação, o que gerou uma revisão final da concorrência por Mark Esper, o secretário da Defesa dos Estados Unidos.

Trump entrou em choque diversas vezes com Jeff Bezos, o fundador e presidente executivo da Amazon, e sua intervenção foi vista por alguns observadores como política em sua natureza. A Amazon é a única empresa de tecnologia capaz, no momento, de oferecer sistemas criptográficos suficientemente seguros para atender aos requisitos de comunicação para material “altamente sigiloso” do governo.

Dana Deasy, diretora geral de informações no Departamento de Defesa, declarou em comunicado que a estratégia de modernização do Departamento de Defesa foi criada para sustentar esse imperativo. "A concessão do contrato é um importante passo na nossa estratégia de modernização digital”.

O anúncio de Deasy representou a culminação de um processo de licitação de dois anos de duração que originalmente envolvia quatro empresas na disputa pelo contrato. O contrato representa a plataforma chave nos esforços do Pentágono para transferir boa parte de seu poder de computação para fora de seus servidores físicos e rumo à nuvem.

O contrato Joint Enterprise Defense Infrastructure (Jedi), foi pesadamente contestado não só por conta de seu valor mas porque coloca o ganhador em posição favorável para conquistar outros contratos de governos e grandes instituições em todo o mundo.

O processo de concorrência foi suspenso alguns meses atrás porque a Oracle, um dos quatro participantes originais, contestou o processo judicialmente. A companhia foi derrotada em seu recurso, mas Trump fez sua intervenção logo em seguida, levando à revisão realizada de última hora por Esper, indicado recentemente como secretário da Defesa.

Os comentários de Trump foram interpretados em geral como um ataque à Amazon, especialmente por ele ter citado Microsoft, IBM e Oracle – os três outros participantes da concorrência – como as companhias que se queixaram da licitação.

O jornal "The Washington Post" noticiou esta semana que um novo livro de um antigo funcionário do Departamento de Defesa afirma que Trump queria “ferrar” a Amazon, impedindo-a de conquistar o contrato Jedi. Nem o Pentágono e nem a Casa Branca comentaram sobre a reportagem. Bezos é dono do "The Washington Post".

Na sexta-feira, Mark Warner, senador democrata pela Virgínia, tuitou: “Que o presidente use as prerrogativas de seu cargo para punir críticos na mídia seria um completo abuso de poder. Isso não passa no teste do mau cheiro, e precisamos de respostas”.

No começo da semana, Esper se absteve formalmente da decisão final sobre o contrato, mencionando como motivo que seu filho é empregado da IBM – um dos participantes originais da concorrência.

A Amazon declarou em comunicado que “essa conclusão nos surpreende. [A Amazon Web Services] é líder clara na computação em nuvem, e uma avaliação detalhada, tendo por base apenas as propostas em concorrência, conduziria claramente a uma decisão diferente”.

A companhia não informou se contestaria a decisão judicialmente. A Microsoft declarou que estava trabalhando em uma resposta.

Tradução de Paulo Migliacci

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