Novo celular do Google, Pixel 4 tem sensor de controle por gestos sem tocar na tela

Smartphone custará US$ 799 nos EUA; ainda não há previsão de venda no país

Rafael Balago
Nova York

Um sensor de movimento é a aposta do Google para atrair a atenção dos consumidores para seu novo celular, o Pixel 4, apresentado nesta terça-feira (15). 

Em um evento em Nova York, a empresa mostrou também outras novidades em aparelhos, como fones de ouvido sem fio, um novo notebook e aparelhos Google Nest, antes chamados de Google Home, além de uma plataforma de games online.  

O radar do Pixel 4 fica na parte de cima de tela e tem alcance de cerca de um metro, em todas as direções. Ele é capaz de identificar quando há uma pessoa por perto e de reconhecer gestos simples. Ao notar que alguém se aproxima, o celular ativa o processo de reconhecimento facial, o que acelera a liberação do aparelho.

Mesmo com a tela bloqueada, é possível dar comandos com gestos no ar, como avançar a música, rejeitar uma chamada ou parar o despertador. “O sensor é capaz de detectar a velocidade e a direção dos movimentos, explica Nanda Ramachandran, diretor global para o Pixel.

Reprodução novo celular do Google, o Pixel 4
Novo celular do Google, o Pixel 4 - Divulgação

Segundo ele, o modelo é um primeiro passo na direção de mais aparelhos capazes de reconhecer gestos. “Outros celulares com sensores de movimento usavam a câmera para isso, o que gerava um gasto alto de bateria. Nosso sensor consome pouca energia e permite um raio de alcance maior que o de uma câmera”, explicou Ramachandran.

A Folha fez um teste rápido com o novo aparelho. O sensor de movimentos funcionou bem para mudar de músicas. Em um jogo de Pokemón feito para a nova tecnologia, foi possível lançar uma pokebola com gestos no ar, assim como fazer “carinho” em um Pikachu na tela. No entanto, o hábito leva ao instinto de tocar no display, e de início há dúvida sobre qual gesto fazer em cada situação. 

Conhecida pela qualidade das fotos, a linha Pixel também trouxe novidades nessa área. Há duas câmeras na parte traseira, que prometem melhores fotos com zoom e um modo capaz de fazer imagens boas em situações de pouca luz, como a de um céu estrelado.

O modelo vem com um software que usa inteligência artificial para melhorar as imagens. Mas há também espaço para toques pessoais: ao tirar a foto, o usuário pode regular o nível de luz, como em uma câmera profissional, caso deseje.

O zoom tem capacidade para aproximar até oito vezes. No teste, foi possível fazer uma foto legível de um texto pequeno que estava a vários metros de distância. No entanto, a qualidade é um pouco inferior à de uma foto em distância normal.

O Pixel 4 tem ainda um gravador de voz capaz de fazer transcrições automáticas, mesmo sem internet. O aparelho tem dois tamanhos: 5,7 ou 6,3 polegadas. Há três opções de cores: branco, preto ou laranja. A versão mais simples custará US$ 799 (R$ 3.296) nos EUA, e já está disponível para compra online. Não há previsão de venda no Brasil.

O preço do Pixel 4 é maior do que o do iPhone 11, último lançamento da Apple, que custa a partir de US$ 649 (R$ 2.692) nos EUA. As câmeras do aparelho do Google ficam em um quadrado, em posição e desenho quase iguais às do iPhone 11, o que gera uma comparação inevitável. Na frente, o design lembra mais um modelo da Samsung, com uma faixa preta contínua na parte de cima e as demais bordas livres. Não há botões frontais.

O Pixel vem com uma versão “pura” do Android 10, o que deixa a aparência mais sóbria, na comparação com os modelos de outros fabricantes que também usam o sistema. O processador, um Qualcomm Snapdragon 855, é um dos mais avançados hoje, o que garante velocidade ao abrir aplicativos e alternar entre as tarefas. 

Há quatro anos como fabricante de celulares, o Google segue buscando aumentar sua participação nesse mercado, ainda pequena. Em setembro, suas vendas somaram 2,23% do total na América do Norte, segundo o Statscounter. Apple (50%) e Samsung (26%) dominam as vendas.

Pixel Buds, fones de ouvidos do Google, custará US$ 179 (R$ 738) e será vendido a partir do ano que vem - Drew Angerer/AFP

O evento de lançamento em Nova York teve mais novidades, como o fone de ouvido sem fio Pixel Buds. Além de tocar música, ele permitirá interação por voz com o Google Assistant, inclusive para tradução de idiomas. Os fones captarão o som em uma língua e serão capazes de convertê-lo para outra, diretamenteo no ouvido dousuário. 

Os novos fones poderão ficar a vários metros de distância do smartphone, como a alguns cômodos da casa ou do escritório. A distância exata não foi detalhada.

O volume do fone também se ajustará automaticamente conforme o ambiente: o som aumentará quando a pessoa estiver em uma rua barulhenta, por exemplo, e diminuirá ao chegar em casa. O Pixel Buds custará US$ 179 (R$ 738) e será vendido a partir de 2020.

Aparelhos para casa

A linha Google Home, de aparelhos com alto-falante para usar comandos de voz em casa, passa a se chamar Google Nest. Os novos modelos trazem alto-falantes e microfones mais potentes, e poderão também ser fixados em paredes. A proposta do Google é que cada cômodo da casa tenha um, para que as pessoas possam seguir interagindo conforme circulam entre os ambientes.  

O aparelho também será capaz de detectar ruídos incomuns, como um cachorro latindo de forma diferente ou de um incêndio, e alertar automaticamente o usuário ou os serviços de emergência.

Também foi apresentada uma versão do Google Nest que inclui um roteador wi-fi e promete melhorar a distribuição do sinal pela casa. Com esse aparelho, é possível controlar o uso da internet de forma detalhada, pelo celular. Uma opção citada é bloquear o acesso para as crianças depois de determinado horário.

O Google Nest Mini, versão mais básica do aparelho, será vendida no Brasil, embora a data para isso não esteja confirmada. Nos EUA, custa US$ 49,90. O serviço Google Assistant fala português e possui diversas aplicações no país. Uma delas é dar acesso a conteúdo da Folha. Ele pode ser acessado também via smartphones e computadores.

Também foi anunciada uma plataforma de games, chamada Stadia, que será lançada em 19 de novembro. Ela terá um controle próprio e poderá ser usada para jogar em TVs, celulares e outras telas. O pacote, com um joystick e um Chromecast (aparelho que transmite conteúdo da internet para a TV), será vendido por US$ 129. Será preciso pagar uma mensalidade para ter acesso à todas as funções.

O Google divulgou ainda um novo notebook, o Pixelbook Go, que terá o sistema Chrome OS e custará a partir de US$ 649. Leve e fino, o computador pesa cerca de 1,04 kg e tem bateria com até 12 horas de duração.

O jornalista viajou a convite do Google

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