Dois milhões de moradores rurais de SP terão endereço fornecido pelo Google

Parceria com governo cria CEP digital para residências fora do mapa; projeto pode ser levado a favelas

São Paulo

O Google firmou uma parceria com o governo de São Paulo para criar endereços digitais a cerca de 2 milhões de pessoas que moram em áreas rurais e cujas casas não aparecem em serviços de localização como Google Maps e Waze

A iniciativa foi anunciada em evento no Palácio dos Bandeirantes nesta quarta-feira (11).

De acordo com o governo, a parceria vai iniciar o registro de 60 mil quilômetros de estradas que ainda não foram mapeadas nos 645 municípios estaduais.

Gustavo Junqueira, secretário da Agricultura e Abastecimento, segura placa com Plus Code; evento reuniu governo e executivos do Google
Gustavo Junqueira, secretário da Agricultura e Abastecimento, segura placa com Plus Code; evento reuniu governo e executivos do Google - Divulgação/GOVSP

A meta é registrar as casas nos próximos 36 meses. Com a medida, será possível que os cidadãos recebam entregas dos Correios e de varejistas do ecommerce.

Já as estradas serão mapeadas em parceria com a Secretaria de Agricultura, que tem um programa em curso chamado Rotas Rurais.

A parceria prevê interoperabilidade técnica entre dados georreferenciais já coletados pelo poder público (como do Cadastro Ambiental Rural) e o Plus Code, um código universal para localização. O recurso do Google simplifica em poucos caracteres coordenadas de latitude e longitude com precisão de três metros quadrados.

A ferramenta é gratuita, e qualquer pessoa que quiser descobrir o código de um endereço pode procurá-lo em um mapa no site do Plus Codes na internet.

Na parceria, produtores rurais que hoje não têm endereço poderão receber uma placa em casa com uma sequência numérica (como 97WQ+R4F, endereço do Palácio dos Bandeirantes, por exemplo).

A companhia afirma que o contrato não prevê compartilhamento de dados. “Cabe ao proprietário rural tomar a decisão de compartilhar esse Plus Code com governo ou empresas”, afirma Newton Neto, diretor de parcerias do Google para América Latina. 

Em paralelo, o Google trabalha com varejistas e bancos para incentivar o uso do código na internet. A empresa diz que não vai ser remunerada com a medida e que se trata de projeto de código aberto para “tornar a informação transversalmente acessível”.

No longo prazo, porém, se beneficia do mapeamento com maior geração de dados locais, devido ao aumento do consumo online, e possibilidade de oferecer recursos monetizáveis. Já o governo consegue poupar em processos de endereçamento, que também costumam ser demorados.

De acordo com Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento do Estado, o projeto poderá ser escalado a favelas e, depois, servirá a modelos de desenvolvimento para cidades inteligentes. O programa também facilitará a atuação da polícia.

A parceria será feita por meio do IEA (Instituto de Economia Agrícola), que desenvolve um software para sobrepor todas as bases de dados georreferenciais. O projeto será um casamento entre a tecnologia do Google e a do instituto.

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