Apenas metade das prefeituras do Norte acessa a internet com fibra ótica

Pesquisa do CGI mostra que adesão nas administrações públicas municipais foi de 30% a 73% em quatro anos

São Paulo

Pouco mais de metade (54%) das prefeituras do Norte e 58% das localizadas na região Centro-Oeste do país acessam a internet por fibra ótica. Nos municípios com mais de 5.000 e até 10 mil habitantes, são 37% e 55% prefeituras com esse tipo de conexão nas respectivas regiões.

Os dados são da pesquisa TIC governo eletrônico de 2019, divulgada nesta terça-feira (12) pelo CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), entidade levanta informações sobre tecnologia da informação para política pública há 15 anos.

A adesão à fibra ótica nas administrações públicas municipais foi de 30% a 73% nos últimos quatro anos. A conexão por cabo vem em segundo lugar, com 71%, seguida do rádio, com 49%. Considerando todos os modelos, que ainda incluem DSL, 3G ou 4G, satélite e discada, 100% das prefeituras têm acesso à rede.

A fibra ótica é a infraestrutura de acesso mais avançada, com maior capacidade de tráfego e uma banda mais larga, o que confere velocidade e qualidade superiores, portanto uma prestação de serviço público mais ágil e estável ao cidadão.

Nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, a conexão das prefeituras via fibra ótica corresponde a 89%, 77% e 66%, respectivamente.

A defasagem de acesso acompanha a desigualdade do investimento de infraestrutura nessas regiões, que nos últimos anos receberam pouco se comparadas a Sul e Sudeste. Só 19% das casas do Norte têm acesso à fibra ótica, dado que sobe para 21% no Centro Oeste, 35% no Nordeste, 42% no Sul e 45% no Sudeste, de acordo com a TIC Domicílios de 2018.

"O avanço no Norte é mais lento em todas as pesquisas, isso impacta a capacidade de análise de dados e de prover serviços que necessitam de capacidade de banda larga. Em comparação, no Sul, 83% das prefeituras com até 5.000 habitantes usam fibra ótica", diz Manuella Ribeiro, coordenadora da TIC Governo Eletrônico.

Do total de prefeituras, 95% possuem sites oficiais. Os principais gargalos estão no Amazonas, onde 46% das cidades não têm site, no Piauí (9%) e em Roraima (8%). Em 2019, 85% dos órgãos públicos federais e estaduais e 82% das prefeituras tinham perfil em redes sociais.

​De acordo com a pesquisa, menos de 10% dos sites oficiais de órgãos federais e estaduais disponibilizaram atendimento em tempo real, seja por atendentes (chats, 6%), por meio assistentes dos assistentes virtuais (7%).

Dos órgãos com perfis em redes sociais, 18% disseram que têm atendimento em tempo real e 9% chatbos em suas redes. Já entre as prefeituras, 13% disponibilizaram atendimento por meio de chats em seus sites e 16% nos perfis ou contas em redes sociais.

A pesquisa mostra que houve um crescimento em relação a 2017 do número de prefeituras que disponibilizaram o serviço de solicitação de acesso à informação, de 62% para 71%, e ouvidoria online, de 46% para 62%.

Um novo indicador dessa pesquisa, sobre uso de dados em órgãos públicos federais e estaduais, mostra que 23% utilizaram análise de grandes dados agregados, big data, para a tomada de decisões nos últimos 12 meses.

O Ministério Público foi o órgão que mais adotou a tecnologia, com 62% no âmbito nacional e estadual; órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário usaram 20%, 55% e 26%, respectivamente.

Dentre os órgãos que fizeram análise de big data, 41% utilizaram dados de geolocalização de celulares, conexão wireless ou GPS; 41% usaram dados de redes sociais, blogs e sites; e 33% fizeram uso de dados de dispositivos inteligentes ou sensores como trocas de dados entre máquinas, sensores digitais ou etiquetas de identificação por radiofrequência.

Chamou a atenção de pesquisadores que três em cada quatro órgãos usam outras fontes de dados que não as mencionadas na pesquisa (citadas acima). A hipótese é que a análise de big data seja proveniente de dados públicos coletados pelo governo.

Um sistema satisfatório de análise de dados permite a elaboração de políticas públicas mais assertivas em todos os setores da sociedade, bem como acompanhamento do uso de recursos públicos.

"Aumentou a presença online, mas o que é feito lá? Há muito espaço para avanço e interação em tempo real. Prefeituras que têm serviços eletrônicos avançam lentamente em transações online completas, ou seja, a prestação de serviço que inicia e é finalizada pela internet", diz Ribeiro.

Responderam à pesquisa 90% dos órgãos federais e estaduais (665) e 92% das prefeituras (5.114). A coleta foi realizada por meio de entrevistas por telefone de julho a dezembro de 2019.

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