Descrição de chapéu Financial Times

Facebook vai pagar US$ 52 milhões a moderadores de conteúdo traumatizados

Processo na Califórnia envolve 10 mil empregados expostos a publicações perturbadoras na rede social

São Paulo

O Facebook concordou na terça-feira (13) em pagar US$ 52 milhões em uma ação judicial que envolve milhares de moderadores de conteúdo nos Estados Unidos que alegaram traumas após exposição com conteúdos perturbadores na plataforma.

O processo, aberto na Califórnia em 2018, alegou que os moderadores não receberam proteção adequada contra lesões psicológicas depois de contato contínuo com imagens envolvendo exploração sexual infantil, terrorismo e decapitações, de acordo com o jornal americano Financial Times.

Entrada do Facebook em Menlo Park, na Califórnia; empresa já foi alvo de críticas pela proteção que dá a moderadores terceirizados
Entrada do Facebook em Menlo Park, na Califórnia; empresa já foi alvo de críticas pela proteção que dá a moderadores terceirizados - AFP

Moderadores de conteúdo são profissionais terceirizados, normalmente contratados por grandes grupos de consultoria, como a Accenture, responsáveis por avaliar centenas de conteúdos sensíveis denunciados na rede social todos os dias. Eles precisam interpretar se publicações infringem ou não as diretrizes de uso impostas pela empresa.

Parte dos conteúdos do Facebook é banida de forma automática na plataforma por meio de sistemas de inteligência artificial (em especial as que envolvem nudez), mas discurso de ódio, casos de violência e publicações relacionadas a morte e suicídio passam, muitas vezes, pelo controle desses moderadores.

O acordo cobre mais de 10 mil empregados atuais e que já passaram por centros de moderação nos estados da Califórnia, Arizona, Texas e Flórida. Eles receberão US$ 1.000, de acordo com o jornal americano.

Os que forem diagnosticados com problemas de saúde que tenham surgido em razão do trabalho, como depressão ou transtorno de estresse pós-traumático, poderão receber danos adicionais de até US$ 50 mil, além de recursos para cobrir o tratamento médico, conforme o acordo.

Em nota, a companhia diz que é "grata às pessoas que fazem esse importante trabalho para tornar o Facebook um ambiente seguro para todos. Estamos comprometidos em fornecer suporte adicional a eles por meio deste acordo e no futuro".

Conforme o Financial Times, há cerca de um ano, o Facebook disse que aumentaria os salários dos moderadores e introduziria "treinamento de resiliência, apoio à saúde mental e a capacidade dos trabalhadores de desfocar as imagens antes de olhá-las".

A empresa foi alvo de uma série de denúncias da imprensa por não proteger de forma adequada esses profissionais.

Como parte do acordo anunciado na terça-feira, o Facebook concordou em revisar o processo de revisão para torná-lo mais seguro para o trabalho.

Com agências

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