Trump emite nova proibição a Alipay e outros apps chineses

Presidente americano diz que os aplicativos podem acessar informação privadas de usuários

Washington | The Wall Street Journal

O presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, assinou na terça-feira (5) um decreto que proíbe transações comerciais por meio de oito aplicativos conectados aos chineses, incluindo a plataforma de pagamentos Alipay, do Ant Group, do milionário chinês Jack Ma, e apps da gigante chinesa Tencent Holdings.

Trump disse que os apps podem acessar informações privadas de seus usuários. Eles poderiam ser usados pelo governo chinês para "rastrear a localização de funcionários federais e de empresas contratadas, e formar dossiês de informação pessoal", acrescentou.

A ordem executiva entra em vigor em 45 dias, depois que Trump deixar o cargo. Um porta-voz da equipe de transição do presidente eleito, Joe Biden, não quis comentar o decreto presidencial.

Nesta quarta-feira (6), a China afirmou que tomará medidas necessárias para assegurar os direitos empresas afetadas pelo decreto.

Logo da Alipay em escritórios do Ant Group em Xangai, na China - Hector Retamal/AFP

As empresas americanas que fazem negócios com a China –incluindo Apple, Ford, Walmart e Walt Disney– disseram anteriormente a uma ordem do presidente Trump visando o app multifunções WeChat, da Tencent, dizendo que ele é vital para realizar negócios lá. As empresas americanas poderiam citar preocupações semelhantes sobre o novo decreto.

Um juiz federal emitiu uma preliminar bloqueando esse decreto, mas o governo apelou.

Em um comunicado, uma autoridade graduada do governo disse que a nova ordem se destina a evitar que dados de usuários americanos sejam usados pelo governo chinês para alimentar o que a autoridade chamou de "instrumento de massa para a opressão global".

"Esse é mais um exemplo dos EUA exagerando o conceito de segurança nacional, abusando de seu poder nacional, para oprimir companhias estrangeiras", disse uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, na quarta-feira (6). "Ele tem algum impacto nas empresas chinesas, mas, principalmente, acabaria prejudicando os interesses dos consumidores americanos."

Uma ex-autoridade de comércio dos EUA disse que a ordem executiva poderá levantar novas preocupações entre empresas sobre a possibilidade de restringir certas transações na China, um mercado quente para muitas multinacionais americanas.

Ao mesmo tempo, a medida do governo Trump aumenta as dificuldades para o governo Biden, ao salientar questões cada vez mais preocupantes de segurança nacional, privacidade e falta de acesso à China para algumas firmas americanas.

O Alipay, aplicativo de pagamentos e estilo de vida com mais de 1 bilhão de usuários, é propriedade do Ant Group, gigante tecnológico-financeira chinesa controlada por Jack Ma. Um representante da Ant não fez comentários de imediato.

O decreto também se aplica a três apps de propriedade da Tencent –WeChat Pay, QQWallet e Tencent QQ. Um representante da Tencent não fez comentários imediatos.

Enquanto o WeChat e o Alipay são onipresentes na China, são menos populares nos EUA. O Alipay, por exemplo, foi baixado 207 mil vezes nos EUA no ano passado da App Store e do Google Play, segundo a empresa de pesquisas Sensor Tower. O WeChat –que inclui WeChat Pay– foi descarregado 1,6 milhão de vezes no ano passado, disse a Sensor Tower.

Além dos apps de propriedade da Ant e da Tencent, o decreto se aplica ao Camscanner, aplicativo de escaneamento de propriedade da Intsig Information Co., de Xangai. Segundo a Sensor Tower, ele teve 4,4 milhões de downloads nos EUA no ano passado.

A proibição também se aplica a apps ligados aos chineses conhecidos como SHAREit, Vmate e WPS Office.

A nova medida se dá depois que o governo Trump emitiu algumas ordens executivas em agosto destinadas a impor novos limites a aplicativos de rede social chineses, como TikTok e WeChat, citando preocupações de segurança nacional. Os dois decretos foram contestados judicialmente.

Dois juízes federais também bloquearam separadamente a entrada em vigor da proibição do TikTok pelo governo Trump. A proibição teria impedido empresas americanas de realizar transações com o TikTok, incluindo hospedar dados da companhia e distribuir conteúdo da empresa, o que basicamente teria tornado o aplicativo inoperante nos EUA.

Ao emitir a ordem executiva para que o TikTok fosse efetivamente fechado ou vendido a uma empresa americana, o governo disse que temia que a ByteDance pudesse compartilhar informação sobre usuários americanos com o governo chinês. A companhia disse que jamais faria isso.

Anna Ashton, vice-presidente para assuntos do governo no Conselho Empresarial EUA- China, disse que a ordem de Trump parece se basear na possibilidade de que dados fossem compartilhados com o governo chinês –e não em qualquer incidente real.

"Assim como as ordens executivas do WeChat e do TikTok, a ameaça subjacente que o governo identifica não está claramente ligada a qualquer ação específica tomada pelas companhias citadas na ordem", disse Ashton em um comunicado. "Invasões de dados e atividades de hacking chinesas são mencionadas, mas não estão ligadas diretamente às empresas que o presidente visou."

Um membro do governo disse que a Casa Branca continua acreditando que suas ordens anteriores sobre o WeChat e o TikTok estejam em vigor. A autoridade acrescentou que o novo decreto provavelmente não poderá ser atacado sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, a lei que derrubou as ordens anteriores.

O governo Trump também tentou restringir firmas de telecomunicações chinesas como a Huawei por meio de decretos. Esses atos se destinavam a garantir a segurança das redes americanas, mas também pareciam minar a competitividade das firmas chinesas em todo o mundo quando o serviço wireless da próxima geração, 5G, começa a ser disponibilizado.

(Com Reuters)

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.