Descrição de chapéu The Wall Street Journal apple

Você já pode desbloquear um iPhone usando máscara; mas precisará de um Apple Watch

Atualização de versão beta do iOS permite destravar smartphone com relógio no pulso

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Joanna Stern
Nova York | The Wall Street Journal

Apple em 2017: “Nunca nada foi tão simples, mais natural, mais tranquilo. Chamamos isso de Face ID”. Essa é uma citação real de um executivo, quando a companhia lançou o reconhecimento facial no iPhone X.

Apple em 2021: “Nunca nada foi... menos natural ou mais difícil. Chamamos isso de Face No ID”. Essa é uma citação muito inventada, refletindo a falência do reconhecimento facial agora que as máscaras são uma vestimenta essencial.

A pandemia destruiu o maravilhoso escâner de alta tecnologia da Apple: nossos rostos não podem ser nossa senha quando não podem ser vistos. E digitar senhas à vista de estranhos e colegas de trabalho pode ser um risco de segurança, especialmente para profissionais de saúde e outros na linha de frente que passam horas usando equipamento de proteção individual.

Bem, com ou sem máscara, o Face ID da Apple funciona de novo —mais ou menos. Com a atualização iOS 14.5 —lançada na quinta-feira (4) pelo programa de software beta público da empresa e que deverá ter lançamento geral na primavera (no hemisfério Norte, outono no Sul)—, você pode destravar seu iPhone sem digitar uma senha, mesmo que seu rosto esteja oculto.

Um homem de máscara assistindo um vídeo em seu iPhone, em Xangai, na China - Aly Song - 23.out.20/REUTERS

Só um detalhe caro: você precisa ter um Apple Watch (que no Brasil, custa a partir de R$ 2.599), e ele precisa estar destravado e no seu pulso. Pense numa armadilha bem elaborada da Apple. Fora isso, a sinergia é ótima.

Sigo os avanços dessa luta crucial, que modifica a vida, há quase um ano. Em abril, houve um esforço para criar máscaras compatíveis com o Face ID. (Surpresa! Elas não pegaram.) Pouco depois, com o iOS 13.5, a Apple fez a tela de senha aparecer mais depressa quando o telefone não consegue enxergar seu rosto (ainda é demorado).

Comparada com essas, a nova solução dependente do relógio é quase tão boa quanto a coisa real, do rosto nu. É rápida e fácil de configurar.Testei uma versão pré-lançamento nos últimos dias, destravando meu iPhone enquanto usava todo tipo de máscara, em todo tipo de condição.

Prevendo suas perguntas, reuni as respostas:Como funciona? Se seu relógio estiver desbloqueado em seu pulso e seu iPhone não conseguir ler seu rosto, o relógio vai vibrar delicadamente e seu iPhone será destravado. E realmente depressa.

Veja as estatísticas:- destravar sem máscara, usando Face ID: 0,8 segundo;- destravar com máscara, usando truque do relógio: 1,4 segundo;- destravar iPhone SE com escâner de impressão digital Touch ID: 0,7 segundo;- destravar com senha: um ano. Bem, 3 segundos inteiros.

Veja o que acontece nos bastidores: a série de sensores naquele dente no alto da tela do iPhone —que a Apple chama de câmera TrueDepth— tenta identificar você como de costume. Se ela não conseguir ver seu nariz e boca, ela procurará o relógio destravado para liberar o telefone.

Se ela não vir rosto nenhum —ou vir um rosto sem máscara que não ache que é o seu—, continuará travado.Isso é seguro? Tanto quanto suas senhas. Lembre-se, não está usando biometria para autenticá-lo.

Mas vamos fingir que um bandido roubou seu Apple Watch e pensou que fosse o ingresso para seu iPhone. Primeiro, ele teria de vestir seu relógio e digitar a senha dele. (Ele trava quando você o retira do pulso.) Então, para fazer todo esse truque de destravamento funcionar, ele também teria de digitar sua senha do iPhone. Nessa altura, ele perceberia que não precisava do relógio, para começar!Mas é um bom momento para lembrar a regra cardinal: não compartilhe esses códigos com pessoas em quem você não confia. E escolha senhas numéricas fortes. Nada de 123456!

Um temor mais realista? Que uma pessoa mascarada pegue seu telefone e consiga destravá-lo por estar próxima do relógio destravado no seu pulso. Embora o iPhone verifique a presença de um rosto, poderia ser qualquer pessoa embaixo da máscara (e seus olhos não precisam estar abertos).

Testei isso com diversas pessoas.A pessoa precisaria estar muito perto —a cerca de três metros, segundo meus testes. A proximidade, assim como grande parte desse software, não é definitiva, segundo me disse uma porta-voz da Apple.

A marca também parece ter previsto isso: você recebe um alerta em seu Apple Watch dizendo que seu iPhone foi destravado. Você pode tocar um botão na notificação para travar o telefone de novo.Além disso, esse atalho do Apple Watch só serve para destravar o iPhone. Se você estiver usando máscara enquanto tenta comprar alguma coisa via Apple Pay, App Store ou iTunes, o telefone ainda pedirá sua senha.

Sabe o que faz tudo isso e não exige um acessório extra de US$ 200 ou mais? Um sensor de impressão digital. Essa é obviamente uma opção melhor quando se usa máscara, mas o único iPhone atual que ainda tem Touch ID é o iPhone SE, de baixo preço.

Segundo reportagens, a Apple avalia acrescentar um sensor de dedo na tela juntamente com a função de reconhecimento facial em futuros iPhones. O mais recente Galaxy, da Samsung, já tem os dois. A Apple não quis comentar sobre futuros produtos.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

WSJ

Conteúdo licenciado pelo Wall Street Journal para publicação na Folha de S.Paulo, a responsável pela tradução para o português.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Leia tudo sobre o tema e siga:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.