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Facebook fecha acordo para pagar News Corp por conteúdo na Austrália

Acertos surgem após aprovação de lei para forçar grandes plataformas de tecnologia a pagar pela veiculação de notícias

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Hannah Murphy Jamie Smyth
San Francisco e Sydney | Financial Times

A News Corp fechou um acordo de três anos de duração para fornecer notícias ao Facebook na Austrália, pondo fim à batalha entre os impérios controlados por dois bilionários que vinha sendo acompanhada em todo o mundo como um possível modelo para a regulamentação das grandes empresas de tecnologia.

O grupo noticioso controlado por Rupert Murdoch anunciou na segunda-feira que o acordo permitiria que a empresa “ofereça acesso a notícias e informações confiáveis a milhões de usuários do Facebook” no país, por meio da área de notícias da rede de mídia social. Os detalhes financeiros da transação não foram revelados.

O acordo inclui conteúdo dos jornais The Australian; Daily Telegraph, de Sydney; e Herald Sun, de Melbourne; bem como de publicações regionais da empresa, anunciou a News Corp em comunicado. O canal noticioso de TV paga Sky News Australia chegou a um acordo paralelo com o Facebook.

Os acordos surgem depois que a Austrália aprovou uma lei controvertida, no mês passado, com o objetivo de forçar grandes plataformas de tecnologia como o Facebook e o Google a pagar os provedores de notícias pelo conteúdo noticioso que elas veiculam.

As autoridades de outros países enfrentam um dilema sobre como regulamentar o conteúdo veiculado no Facebook, do presidente-executivo e cofundador Mark Zuckerberg, e outras redes de mídia social vinham acompanhando atentamente as negociações australianas como possível modelo.

As plataformas online abocanham a vasta maioria da publicidade digital em circulação, o que priva os provedores tradicionais de conteúdo noticioso dos recursos necessários a cobrir as notícias locais e regionais. Legisladores nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá sugeriram adotar medidas semelhantes às implementadas na Austrália a fim de devolver poder comercial aos veículos noticiosos que enfrentam dificuldades.

O Google e a News Corp chegaram a um acordo durante o debate sobre o projeto de lei, mas o Facebook tomou a decisão dramática de excluir as notícias australianas de sua plataforma por diversas dias, até que o Parlamento do país aceitasse emendas que aumentariam o poder de negociação das empresas de tecnologia em suas transações com os provedores de notícias.

Diversos executivos do Facebook disseram ao Financial Times que se sentiram compelidos a tomar uma medida assim drástica em parte porque a News Corp vinha fazendo exigências inaceitáveis e estava “com a faca na garganta” da companhia durante as discussões. A News Corp nega vigorosamente essa descrição das negociações.

O blecaute noticioso também gerou fortes críticas ao Facebook por este ter adotado a “opção nuclear”, especialmente depois que serviços de emergência e páginas online de saúde essenciais terminaram cortados da plataforma inadvertidamente.

“O acordo com o Facebook é um marco na transformação dos termos comerciais para o jornalismo, e terá impacto material e significativo sobre as operações de notícias na Austrália”, disse Robert Thomson, presidente-executivo da News Corp.

Embora a quantia que o Facebook deva pagar não tenha sido revelada, Rod Sims, presidente da comissão de defesa da competição no governo australiano, disse ao Financial Times que os acordos a que Google e Facebook chegaram com provedores de notícias australianos provavelmente envolveriam pagamentos de mais de 100 milhões de dólares australianos (US$ 77 milhões) ao ano para as empresas jornalísticas.

“Os acordos são uma prova do sucesso de nossa legislação”, disse Sims.

O Google já chegou a um acordo mundial sobre conteúdo com a News Corp e a acordos locais com a Nine Entertainment, que controla os jornais The Sydney Morning Herald e The Age, de Melbourne, e com a Seven West, companhia de mídia que controla o West Australian. um jornal da cidade de Perth.

Negociações comerciais entre o Facebook e diversos outros grandes provedores de conteúdo noticioso na Austrália, entre as quais a Nine Entertainment, continuam, enquanto o gigante da mídia social batalha para persuadir Camberra a não impor regulamentação adicional.

A nova lei permite que o Tesouro australiano submeta as plataformas digitais a um novo código de negociação com a mídia noticiosa, que sujeitaria as grandes empresas de tecnologia a decisões de arbitragem inapeláveis e as exporia a penalidades severas em caso de não cumprimento das regras.

Josh Frydenberg, o secretário do Tesouro australiano, instou o Facebook a fechar negócios com os provedores de notícias da Austrália.

A Nine Entertainment declarou que “continuamos a manter conversações construtivas e frutíferas como Facebook. Quando houver alguma coisa a anunciar, o faremos para a [Bolsa de Valores da Austrália], como requerido”.

Andrew Hunter, o diretor de parcerias noticiosas do Facebook na Austrália e Nova Zelândia, disse que a companhia tinha “o compromisso de levar o Facebook News à Austrália”.

O Financial Times já chegou a acordos comerciais com o Facebook e o Google.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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