Escala longa é chance de explorar Londres

Circuito de lazer da cidade é cheio de possibilidades para quem tem 12 horas entre um voo e outro

Escada coberta de neve, pela qual desce uma pessoa. Ao fundo, prédios
Estação Piccadilly Circus, em Londres - Jonathan Brady/PA Images via Getty Images
Leão Serva

Brasileiros que voltam de longe para casa, passando por um dos grandes “hubs” aéreos europeus, como o britânico Heathrow, frequentemente se veem numa situação: o voo chega de manhã e a conexão parte à noite

Em vez de ver a bunda acordar quadrada, que tal aproveitar a chance de uma viagem relâmpago a Londres, fazer alguns de seus melhores passeios, sem ter que pagar hospedagem?

Como todas as grandes metrópoles, a cidade tem um circuito de lazer cheio de possibilidades para todos os gostos. Mas, para passeios ao longo do dia, os museus são obrigatórios, como templos da cultura do passado e do presente.

Desde quando era o centro do mundo, Londres tem também o melhor circuito teatral do planeta, mas, como as performances costumam ser à noite, peças ou musicais só são possíveis para quem dormir na cidade.

Estas são quatro sugestões de roteiros pensando no caso de alguém que tenha cerca de 12 horas em Londres, chegando ao aeroporto internacional, por exemplo, em um voo da Índia, em torno das 6h, e saindo para o Brasil em torno das 21h.

Considerando uma hora para passar pela migração e, mais tarde, duas horas para os controles de passaporte e segurança, restarão cerca de 12 horas entre a saída e a volta à estação de metrô do terminal aéreo.

Na estação de metrô de seu terminal em Heathrow, compre o passe “One Day Travel Card” para zonas 1-6 (£ 17,20, ou R$ 78,14), que dá direito a ida e volta do aeroporto ao centro e passagens de ônibus e metrô durante o dia.

Para aproveitar suas 12 horas, otimize as coisas: é preciso descomplicar, despachar as malas direto para o destino final (não perder tempo com elas no aeroporto de Heathrow) e já ter o cartão de embarque no voo para o Brasil; levar uma mochila que inclua um kit de higiene e uma muda de roupa para vestir ao fim do dia. 

E ter nos pés um calçado bem confortável, para andar bastante e aproveitar o máximo de sua jornada relâmpago. Londres é famosa pelas chuvas (hoje menos frequentes que no passado); por isso, é conveniente ter uma capa leve ou um guarda-chuva.

Também não deixe de comprar ou reservar com antecedência os programas que quiser fazer, para não se frustrar com imensas filas ou ingressos esgotados. Os ingleses preparam seus passeios com muita antecedência. 

Nunca me esqueço do vizinho que me convidou para jantar em sua casa e, quando topei, ele abriu a agenda e sugeriu uma noite três meses à frente! Acostumado à moda brasileira, aquilo me pareceu igual a combinar um encontro para 2024... 

Pois hoje, ao final do inverno local, todos já estão planejando os fins de semana do verão, das férias de julho e até comprando tickets para shows que vão acontecer entre setembro e novembro. Então, não corra riscos, garanta os ingressos que puder.

E aproveite o caminho entre uma vista e outra: um dos charmes de Londres está nas caminhadas por seus parques, calçadas, praças e na fachada de seus prédios públicos. Levante a cabeça e vá em frente. Na capital inglesa, como disse o poeta, se faz o caminho ao andar.

As grandes instituições londrinas trabalham com um calendário que acompanha as estações, mudando as principais exposições entre o fim de março e o começo de abril, ao fim do inverno do hemisfério Norte. Assim, se você vai a Londres nas próximas semanas, pode ter um roteiro diferente de quem for em maio, por exemplo.

A grande estrela da temporada cultural do inverno, ainda em cartaz, é uma pequena escultura apelidada “Homem-Leão”, feita de marfim de mamute há 40 mil anos, quando o mundo ainda vivia coberto de gelo e leões povoavam a Europa. 

É uma das mais antigas manifestações estéticas conhecidas, exposta no Museu Britânico (até o dia 8/4), em meio a uma grande mostra sobre a tendência humana para a fé religiosa.

Desta temporada que termina, ainda há tempo para ver a grande mostra de Modigliani na Tate Modern (até 2/4); as obras colecionadas pelo rei Charles 1º, na Royal Academy (até 15/4); os trabalhos dos pintores franceses que se exilaram em Londres no final do século 19, na Tate Gallery (até 7/5), entre outros eventos.

Alguns desses grandes museus são tão ricos que talvez 12 dias não fossem suficientes para conhecer a coleção de um deles. Mas como nosso viajante só tem 12 horas, a ideia é apostar em umas poucas maravilhas.

 

DE COVENT GARDEN À SERPENTINE GALLERY

Um dos locais mais populares de Londres, o Covent Garden é um bom lugar para começar o dia. Saindo de Heathrow, basta pegar um trem até a estação Covent. 

Antigo mercado de flores, frutas e comidas, ele serve de cenário para o enredo da peça “Pigmalião” (1913), de George Bernard Shaw (1856-1950), depois levada ao cinema no filme “Minha Bela Dama” (1964).
Em Covent, há bons lugares para café da manhã e também para almoço, como um restaurante italiano do chef Jamie Oliver.

Saindo do mercado em direção ao rio Tâmisa, em cinco minutos chega-se à Somerset House, antigo palácio de reis ingleses, hoje um complexo cultural. Ali, vale conhecer a Courtauld Gallery e seu rico acervo de impressionismo e pós-impressionismo.

No centro da Somerset está a praça interna que tem o nome do banqueiro brasileiro Edmond Safra (1932-1999), com uma instalação de jatos d’água. O centro cultural apresenta até o dia 28/4 a mostra “The Classical Now”, com antigas obras gregas e romanas que inspiram artistas atuais, como Marc Quinn e Damien Hirst.

Saindo da Somerset, ande por quatro minutos até a estação Temple (linha District, verde). Pegue um trem para o museu Victoria and Albert (em South Kensington). 

O museu é particularmente forte em design, incluindo moda de todos os cantos do planeta. Sua grande estrela neste ano será a mexicana Frida Kahlo (1907-1954), em exposição de obras e objetos pessoais prevista para abrir em 16/6.

Dali, em 12 minutos de caminhada pelo parque Kensington Gardens, chega-se à antiga casa de chá da rainha Victoria, hoje uma galeria no parque: a Serpentine Gallery, dividida em dois pavilhões. Em um deles, a cafeteria serve lanches e chá com uma linda vista do parque.

E depois, como tudo acaba, corra para a estação South Kensington (15 minutos a pé) e pegue um trem da linha Piccadilly para Heathrow. 

DE RUSSELL SQUARE A LEICESTER SQUARE​

Ao sair de Heathrow, pegue o trem da linha azul (Piccadilly Line) até Russell Square. Escolha um café para ganhar tempo até a hora de abrir o museu. 

Junto à estação do metrô, há uma loja da rede Prêt A Manger, onde tudo é orgânico; um Café Nero, com estilo italiano; e, dentro da praça, o Café in the Gardens, com mesas no gramado, se o dia estiver bonito.
Ao terminar, basta atravessar a praça e você estará junto à entrada lateral do Museu Britânico (Montague Place), que costuma ser mais vazia que a principal.

O museu abre às 10h. É gratuito para o acervo, mas cobra para as mostras especiais. Até 8/4, sua principal atração é a exposição “Living With Gods” (viver com os deuses), sobre o relacionamento humano com as religiões, desde os tempos mais antigos. 

É parte dela a escultura “Homem-Leão”, que foi encontrada na Alemanha em 1939 (às vésperas da Segunda Guerra Mundial), mas só foi estudada a partir dos anos 1980.

Em 26/4 será aberta uma grande mostra sobre a influência da antiga arte grega sobre o trabalho do escultor francês Auguste Rodin (1840-1917). É um dos eventos mais esperados do calendário londrino para 2018.

O acervo do museu britânico é riquíssimo. Mas sua peça mais visitada e provavelmente valiosa é a Pedra de Roseta (encontrada no Egito, em 1799), com inscrições em três alfabetos, que permitiu ao francês Jean-François Champollion traduzir pela primeira vez os hieróglifos egípcios, em 1822.

Ao sair do museu, uma boa opção é caminhar pelo Soho. No caminho, há muitos restaurantes bons, de toda sorte e qualidade. 

Uma boa opção para uma refeição leve é o japonês Tonkotsu (63 Dean Street), para sopas e macarrões. Dali, ande até a Leicester Square e siga caminhando até a estação da linha azul em Piccadilly Circus. 

Reserve 60 minutos para o deslocamento até Heathrow, para chegar calmo e com folga.

DE TRAFALGAR SQUARE AO RITZ

Brasileiros costumam se referir ao tradicional lanche da tarde dos britânicos como “chá das 5”, mas ele costuma acontecer uma hora mais cedo, às 16h. Um dos mais badalados salões de Londres é o do luxuoso hotel Ritz, que, de tão procurado, aceita reservas das 11h30 até a hora do jantar.

Mas, antes, você tem um dia cheio pela frente. Pegue o metrô em Heathrow até a Leicester Square. Ande até a Trafalgar Square, com a altíssima coluna que tem no topo uma estátua do almirante Nelson (1758-1805), herói das guerras contra a França de Napoleão. Em frente à praça, fica a embaixada do Brasil e uma tradicional livraria Waterstones.

Na praça fica também a National Gallery, que abre das 10h às 18h (sextas, até as 21h). O ingresso é gratuito, inclusive para a mostra de Edgar Degas (1834-1917), até 7/5, com obras emprestadas pela primeira vez pelo museu Burrell, de Glasgow, na Escócia

Em 9/4, será aberta a exposição de outro impressionista francês, Claude Monet (1840-1926), com 75 pinturas que retratam a arquitetura. Os ingressos, pagos, já estão à venda na internet.

Ao sair, caminhe direto pela calçada até a vizinha National Portrait Gallery (NPG), dedicada a retratos produzidos ao longo da história da arte britânica. 

A NPG apresenta (até 20/5) a exposição “Victorian Giants”, com obras de pioneiros da arte fotográfica, como o também escritor Lewis Carroll (1832-98). Destaque para a foto de Charles Darwin (1809-82) feita por Julia Margaret Cameron (1815-79) em 1868/69.

Ao deixar a National Portrait Gallery, atravesse a praça Trafalgar e caminhe pela avenida The Mall, à margem do St. James Park, até o Palácio de Buckingham, casa da rainha Elizabeth 2ª. Há sempre muitos turistas. Em seguida, atravesse o Green Park em direção à avenida Piccadilly até o hotel Ritz. No salão de chá, é preciso ser pontual e usar paletó, gravata e sapato.

Ao sair, pegue o trem para Heathrow na vizinha estação Green Park.

DO GLOBE THEATRE AO PALÁCIO DE BUCKINGHAM

Uma das referências da paisagem londrina é o museu Tate Modern, implantado em 2000 no que era o prédio de uma grande usina que produzia energia elétrica para a cidade de Londres.

Ao seu lado, na margem sul do rio Tâmisa, formou-se um potente conjunto de polos culturais: teatros, cinemas, galerias de arte, museus e o antigo teatro Globe, de Shakespeare.

Do aeroporto até a Tate, é preciso pegar a Piccadilly Line em Heathrow e trocar por um trem da linha District (verde) para ir a Blackfriars. Dali, atravessar o Tâmisa por uma ponte chamada Millennium. Passe antes no Globe Theatre, réplica construída onde o famoso escritor apresentava suas peças no fim do século 16. Há visitas guiadas a partir das 9h e é possível ver o Globe e chegar para a abertura da Tate Modern, quase ao lado, às 10h.

O museu apresenta até 2/4 uma exposição de obras do italiano Amedeo Modigliani (1884-1920). Já a exposição de obras de Pablo Picasso (1881-1973) fica em cartaz até setembro. Ela mostra um recorte específico da obra do espanhol: sua intensa produção no ano de 1932, com mais de cem obras.

Ao sair da Tate Modern, caminhe até o Union Street Café, restaurante de comida italiana do chef Gordon Ramsay. Depois de um almoço rápido, siga para a Tate Britain. Se for a pé (45 minutos), atravesse a ponte de Westminster. 

Olhando à direita, você verá o London Eye, a imensa roda gigante. Ao fim da ponte, fica o Parlamento inglês e a torre do relógio Big Ben. Siga pelo calçadão junto à margem norte do rio e logo chegará à Tate.
A galeria original é mais focada em arte inglesa e, principalmente, na excepcional coleção de obras do pintor britânico William Turner (1775-1851), destaque de sua coleção permanente.

Além do acervo, vale visitar a exposição (até 7/5) que mostra as obras de pintores impressionistas franceses, como Claude Monet (1840-1926), que se refugiaram em Londres durante a década de 1870, fugindo da instabilidade política na França, e que retrataram cenas londrinas em seus quadros da época.

Depois, se ainda houver tempo, vá até o palácio de Buckingham (a pé ou de ônibus, 25 minutos; táxi, 8 minutos), residência oficial da rainha Elizabeth 2ª, e, em seguida, corra até a estação Green Park para pegar o trem de volta ao aeroporto. 

 

PACOTES

US$ 457 (R$ 1.484,61)
Passeio de três noites, com traslado de chegada e saída e excursão por Londres, incluindo cruzeiro pelo rio Tâmisa. Preço por pessoa, sem aéreo. Na RCA Turismo

R$ 2.121
Pacote de três noites, com café da manhã, tour e cruzeiro pelo rio Tâmisa. Traslado entre hotel e aeroporto incluído. Preço por pessoa, sem aéreo. Na Top Brasil Turismo

R$ 3.892
Pacote de seis noites em quarto duplo, sem alimentação incluída. Preço por pessoa, sem aéreo. Na Azul Viagens

US$ 1.270 (R$ 4.125,72)
Sete noites em apartamento duplo, com café da manhã e seguro viagem incluídos. Preço por pessoa, com aéreo. Na Maringá Lazer

R$ 4.571,12
Roteiro de duas noites em quarto duplo, com café da manhã. Preço por casal, sem aéreo. Na ME London

€ 1.150 (R$ 4.631,05)
Roteiro de quatro noites com passeios pela cidade e viagens para Oxford, Starfor-Upon-Avon, Chester e Liverpool. Preço por pessoa, sem áereo. Na Interpoint Viagens&Turismo

R$ 4.660
Pacote de cinco noites em quarto duplo, com café da manhã. Preço por pessoa, com aéreo. Na Ahoba Viagens

R$ 6.088
Pacote de quatro noites em quarto duplo. Inclui seguro viagem , passeio a pubs e traslados entre hotel e aeroporto. Preço por pessoa, com passagens aéreas. Na Trade Tours

US$ 2.037 (R$ 6.617,40)
Pacote para seis noites em Londres e Paris, com café da manhã, traslados, seguro viagem e guia incluídos. Preço por pessoa, com aéreo. Na New Age Tour Operator

€ 2.682 (R$ 10.800,41)
Roteiro de 12 noites em Londres, Stratford-Upon-Avon, Liverpool, Glasgow, Edimburgo, York e Inverness ou Aviemore, com café da manhã. Preço por pessoa, sem aéreo. Na 55destinos Viagens

£ 3.400 (R$ 15.446,88)
Pacote de duas noites com café da manhã servido no quarto ou no restaurante. Dois ingressos e passeio guiado para o castelo Windsor, com motorista. Preço por pessoa, sem aéreo. No Brown’s Hotel

£ 4.554 (R$ 20.689,73)
Cinco noites em quarto duplo, com café da manhã. Passeios privativos pela cidade, incluindo trajeto de barco pelo rio Tâmisa. Preço por pessoa, sem aéreo. Na Teresa Perez Tours

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.