Turquia inaugura em Istambul primeira fase do maior aeroporto do mundo

Construção é alvo de polêmicas por impacto ambiental e morte de operários

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Ao lado da mulher Emine Erdogan, o presidente turco, Tayyip Erdogan, dirige carrinho de transporte interno do novo aeroporto de Istambul, inaugurado nesta segunda (29), Dia da República na Turquia
Ao lado da mulher Emine Erdogan, o presidente turco, Tayyip Erdogan, dirige carrinho de transporte interno do novo aeroporto de Istambul, inaugurado nesta segunda (29), Dia da República na Turquia - Presidência da Turquia/Via Reuters
Gokan Gunes
Istambul | AFP

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, inaugurou nesta segunda-feira (29) em Istambul um novo aeroporto que deve se tornar "o maior do mundo" —uma vitrine dos megaprojetos de infraestrutura que transformaram a Turquia desde sua chegada ao poder.

"Espero que o aeroporto seja benéfico para nossa região e para o mundo", afirmou Erdogan durante uma cerimônia pomposa, acrescentando que o nome do aeroporto será "Istambul".

"Istambul não é apenas o nome da maior cidade de nosso país, mas também de sua marca mais importante. É por isso que demos o nome de Istambul a esta grande obra", afirmou o mandatário.

Dirigentes de países dos Bálcãs e da Ásia Central, assim como o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, e o controverso presidente do Sudão, Omar el Bashir, acusado de genocídio pela Corte Penal Internacional, estiveram presentes na cerimônia.

A nova infraestrutura, que substituirá o aeroporto internacional Ataturk, saturado, terá no primeiro momento capacidade para 90 milhões de passageiros ao ano –passando a fazer parte dos cinco maiores aeroportos do mundo.

O presidente Erdogan acompanhou de perto sua construção, marcada por atrasos e por uma greve de funcionários, que pediam melhores condições de trabalho. 

O projeto integra a iniciativa do presidente turco de transformar a outrora capital do Império Otomano em uma encruzilhada entre três continentes: Europa, Ásia e África. 

O ato desta segunda, contudo, é mais simbólico, para coincidir com o 95º aniversário da República Turca. 

A construção, que se realizou a marchas forçadas, está atrasada, e o novo aeroporto não estará plenamente operacional até depois de 29 de dezembro. Até então, só vão operar cinco voos diários, portanto o aeroporto Ataturk continuará aberto. 

A transição de dois meses permitirá testar o aeroporto e "identificar os pontos que possam melhorar", afirmou Kadri Samsulnu, presidente da IGA, a empresa que gere o aeroporto.

Quando as quatro fases de construção e ampliação forem concluídas, até 2028, o aeroporto terá seis pistas e dois terminais em um gigantesco espaço de 76 quilômetros quadrados, segundo a IGA. 

O novo aeroporto poderá acomodar até 200 milhões de passageiros por ano –ou seja, quase o dobro do aeroporto americano de Atlanta, que ocupa atualmente o primeiro lugar, com 103,9 milhões. 

O edifício, que custou 10,5 bilhões de euros, é futurista, com paredes envidraçadas, linhas curvas e equipamentos de última geração. 

A transferência de equipamentos do aeroporto de Ataturk para o novo local será um desafio, uma operação que durará 45 horas no final de dezembro. 

A Turkish Airlines, emblema da economia turca, realizará na quarta-feira o primeiro voo comercial do novo aeroporto, para Ancara, e espera ampliar sua oferta graças à nova infraestrutura. 

"No ano que vem, vamos adicionar 40 aeronaves à nossa frota. Até 2023, vamos transportar 120 milhões de passageiros por ano", disse um funcionário da empresa, que pediu anonimato.

Junto da terceira ponte sobre o Bósforo e o túnel sob o mesmo estreito –inaugurado em 2016–, o aeroporto faz parte dos grandes projetos de infraestrutura defendidos por Erdogan, que quer transformar a Turquia para o centenário da República, em 2023. 

A construção do aeroporto foi alvo de polêmicas, principalmente por causa de seu impacto no meio ambiente. 

No mês passado, a situação dos quase 34 mil operários que trabalham na obra gerou críticas. 

Centenas deles foram presos depois de se manifestarem para melhorar suas condições e denunciar os atrasos no pagamento de salários. A maioria foi absolvida, mas cerca de 20 ainda estão presos. 

Segundo o IGA, 30 funcionários morreram na construção do aeroporto desde o início das obras –dado  subestimado, segundo os sindicatos.

 
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