Entre mar e montanha, Puerto Plata também tem história para contar na República Dominicana

Costa norte do país reúne resorts de luxo, natureza preservada e vestígios coloniais

Fortaleza San Felipe, construída em 1577 em Puerto Plata, República Dominicana

Fortaleza San Felipe, construída em 1577 em Puerto Plata, República Dominicana Manuel Cohen/AFP Forum

Puerto Plata (República Dominicana)

"Aqui há vida. É a República Dominicana autêntica.” Assim a recepcionista do hotel recebe os turistas e descreve San Felipe de Puerto Plata, a cidade mais importante da costa norte do país. 

As boas-vindas soam como uma alfinetada a Punta Cana, destino mais procurado do território dominicano, conhecido por suas praias e resorts all-inclusive (com comida e bebida à vontade), que praticamente isolam os turistas em suas dependências.

Situada entre a montanha e o mar, San Felipe de Puerto Plata, ou somente Puerto Plata, é opção para quem quer ir além do conforto e da contemplação. Lá os visitantes são convidados a explorar também a cultura dominicana, além de outras belezas naturais.

Há resorts all-inclusive com diárias a partir de R$ 250. Os preços, considerados atrativos, ajudam a explicar o fato de a República Dominicana ter sido o país mais visitado do Caribe em 2017, com 6,2 milhões de turistas, segundo o relatório mais recente da Organização Mundial do Turismo, divulgado em 2018.

Junto com as paisagens preservadas, a história entra no roteiro. A cidade se orgulha de ter a maior coleção de casas em estilo vitoriano do século 19 no Caribe —herança do colonialismo espanhol. 

No simpático centro histórico, chamam a atenção as delicadas habitações coloridas, em geral de madeira, e ricas em detalhes.

 

Da Plaza Independencia, a principal praça da cidade, são necessários apenas 15 minutos de caminhada para a Fortaleza San Felipe, uma das primeiras do período colonial na região. 

A fortificação foi concluída em 1577 pelos espanhóis para defender a costa abundante em ouro e prata dos ataques piratas.

No caminho é fácil achar restaurantes que oferecem frutos do mar e peixes, como o típico pescado com coco (R$ 45), que lembra a moqueca baiana, e o mofongo (R$ 25), feito com plátano, que no Brasil se assemelha à banana-da-terra. 

O plátano do mofongo é frito, amassado com alho e servido com acompanhamentos como carne, frango ou arroz.

À beira-mar, a Fortaleza San Felipe forma um belo cenário com a paisagem ao redor. A cor do oceano harmoniza com o gramado, que convida os visitantes a uma pausa para descanso ou para um piquenique improvisado.

É um ponto de observação do pôr do sol, que raramente é encoberto pelas nuvens. O Malecón, calçadão da orla, é outro bom lugar para ver o entardecer.

Uma das principais atrações da cidade é o pico Isabel de Torres, o ponto mais alto de Puerto Plata, com 793 metros e que pode ser visto de vários pontos. Um bondinho leva os turistas ao topo, onde há um Cristo Redentor.

Os marinheiros de primeira viagem em Puerto Plata se surpreendem —e alguns se decepcionam— ao saber que a costa norte da República Dominicana é banhada pelo oceano Atlântico, e não pelo mar do Caribe, como em boa parte da costa sul.

A diferença é grande. No geral, as praias do norte têm areia fina e dourada, e não branca. A cor da água oscila entre o verde e o azul-turquesa, um pouco mais escura que o mar caribenho.

Uma das mais bonitas de Puerto Plata, a Playa Dorada tem áreas reservadas aos hóspedes dos resorts —que têm ótima infraestrutura e as diárias mais caras da região—, mas também pode ser aproveitada por visitantes de passagem.

Se você não estiver instalado em um dos resorts, é bom levar algo para comer, já que a entrada nesses empreendimentos é geralmente restrita aos hóspedes e não há quiosques na orla.

Quando o sol nasce na Playa Dorada, a água é fria, mas a temperatura não demora a subir. Com poucas ondas, o mar calmo é um convite ao relaxamento —e perfeito para crianças.

Ali, o turista pode até esquecer que está em território dominicano. Os hóspedes são quase todos estrangeiros, muitos norte-americanos e europeus.

A arquitetura da maioria dos hotéis, com muito luxo, pouco resgata a cultura local.

Os únicos dominicanos vistos pela reportagem foram funcionários dos hotéis ou vendedores, que oferecem água de coco e artesanato, observados pelos seguranças dos hotéis.

Entre os ambulantes, há imigrantes haitianos, que decidem atravessar a fronteira para fugir da crise humanitária que o país enfrenta desde 2010.

O turista que procura adrenalina encontra boas opções de esportes aquáticos em Cabarete. O distrito, que atrai muitos jovens, fica no município de Sosúa, a apenas 40 minutos de carro a leste de Puerto Plata.

A Playa Encuentro é excelente para surfistas, mas ruim para o banhista de maneira geral. O fundo do mar é coberto por pedras lisas e escorregadias, por isso é recomendado entrar na água com calçados de borracha. 

Nos meses de janeiro e fevereiro, venta menos e tem mais ondas, o que favorece a prática do surfe. Em junho e julho, esse ciclo se inverte, o que favorece a prática do windsurfe e do kitesurfe.

À noite, restaurantes em Cabarete transformam seus salões em pistas de dança, embalando os clientes nos ritmos de merengue, reggaeton e bachata, estilo de música típico do país.

Outra atividade muito procurada na região é o circuito de cascatas chamado 27 Charcos de Damajagua, que fica a uma hora e meia de Cabarete. 

Para chegar às quedas d’água, é preciso voltar a Puerto Plata e pegar um ônibus ou seguir por mais 30 minutos de carro. 

O visitante tem três percursos disponíveis. O acesso a sete quedas custa R$ 37; a opção intermediária, com 12 cascatas, R$ 41; já quem está disposto a descer por todas as 27 paga R$ 52. No valor estão incluídos guia, capacete, colete salva-vidas e sapatos de borracha.

Completar a aventura não é simples. Antes de entrar na água, é preciso subir uma trilha a pé. A reportagem fez o percurso mais fácil, com uma caminhada de meia hora.

O esforço não acaba por aí: o turista tem que saltar de uma altura de quatro metros e nadar pelo rio Damajagua em direção às quedas d’água, passando por entre as rochas. Os guias acompanham os grupos.

Não há voo direto do Brasil para Puerto Plata. A melhor maneira de chegar à costa norte do país é saindo da capital, Santo Domingo, a 180 km de distância, de ônibus (R$ 30), táxi (preço a negociar) ou carro alugado. Também não há voo comercial interno.

Leve dólares americanos. A moeda é aceita em todo o país, inclusive nos estabelecimentos mais afastados. Se quiser economizar, procure uma casa de câmbio e troque-os por pesos dominicanos. Isso porque, quando a compra é feita em dólar, a conversão quase sempre é arredondada para cima.

O jornalista viajou a convite do Ministério de Turismo da República Dominicana


PACOTES

R$ 1.993 
4 noites em Santo Domingo, na Submarino Viagens 
Preço por pessoa, sem regime de alimentação, no Weston Suites & Hotel. Inclui aéreo a partir de São Paulo

US$ 993(R$ 3.693) 
6 noites em Punta Cana, na New Age 
Preço por pessoa, com regime all-inclusive, no resort Tropical Princess. Inclui traslados e seguro-viagem. Com aéreo

US$ 1.140 (R$ 4.240)
5 noites em Punta Cana, na Flytour 
Para saída em maio. Com regime all-inclusive, no resort Iberostar Grand Bávaro. Com traslados. Sem aéreo

R$ 5.420 
7 noites em Punta Cana, na CVC 
Pacote individual, com regime all-inclusive, no resort Catalonia Bávaro. Inclui traslados. Com aéreo

R$ 5.630
7 noites em Punta Cana, na Litoral Verde 
Por pessoa, com regime all-inclusive, no Grand Bahia Príncipe Bávaro. Com aéreo

R$ 6.818 
10 noites em Santo Domingo, La Romana e Punta Cana, na Maringá Turismo
Pacote individual. Sem regime de alimentação em Santo Domingo (hotel Sheraton). Em La Romana (resort Catalonia Gran Dominicus) e Punta Cana (resort Catalonia Punta Cana), com regime all-inclusive. Inclui traslados. Com passagem aérea

US$ 6.720 (R$ 24.998) 
7 noites em Punta Cana, na Venice Turismo 
Por pessoa, com regime all-inclusive, no resort Paradisus Palma Real. Inclui traslados. Com aéreo

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