Sem destino: casal cruza a cordilheira dos Andes de moto até o Chile

Martha e Richard percorreram 7.500 km na viagem entre Itatiaia (RJ) e o deserto do Atacama

Carolina Muniz
São Paulo

Para quem viaja de moto, o destino é só um pretexto: a graça está no caminho.

“Sinto que estou flutuando na estrada. A sensação é de liberdade, de viajar fora da caixinha”, diz o engenheiro de produção Richard Balse, 47.

Desde pequeno, é apaixonado por motocicleta. Francês, ele chegou a rodar de moto pela Europa anos atrás, mas fez a maior viagem em agosto: de Itatiaia (RJ), onde mora, ao deserto do Atacama, foram 7.500 km, percorridos em 15 dias.

Na garupa da BMW R1200 GS viaja sua mulher, a administradora Martha Balse, 50. “Adoro pilotar, mas, como sou baixinha, não consigo”, diz a brasileira, com quem ele é casado há 17 anos.

Antes de escolher as paradas, Richard selecionou as estradas. Sua preferida é Ruta Nacional 52, na Argentina. Cheia de curvas, atravessa a Cordilheira dos Andes, cruzando as salinas.

No começo do caminho, há uma placa avisando que, por 130 km, não há sinal de celular. “Gosto da sensação de que estamos sozinhos no mundo.”

Mas, na estrada mais esperada pela dupla, Martha teve uma crise de enxaqueca terrível, porque não se hidratou direito, conta.

Por viajar ao ar livre, o cuidado com o corpo deve ser maior. Os dois percorrem no máximo 750 km por dia, fazendo longas paradas a cada 250 km. Além disso, não costumam comer muito no trajeto, para evitar ter sono.

Em uma longa viagem de moto, qualquer pequeno desconforto acaba virando um grande incômodo. A recomendação deles é usar roupas dry fit, que facilitam a transpiração, e meias de pressão, para dar mais alívio às pernas.

Em relação à moto, têm outra precaução: nunca deixam o tanque esvaziar. Se está metade cheio, já abastecem novamente, para não ficarem na mão caso o posto indicado no mapa esteja fechado.

Antes de sair de casa, o casal teve medo de viajar sem a companhia de outras motos. Mas, após a experiência, animaram-se para continuar na estrada. Em setembro, foram até o Uruguai. E já programam uma viagem —para Ushuaia, no extremo sul da Argentina.

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