Ilha da Madeira dá vinho e praia o ano inteiro

Região autônoma de Portugal preserva tradições para atrair turistas estrangeiros

Alex Sabino
Funchal

O morador do Funchal é ansioso por despejar em cima do turista informações sobre tradições e atrações da Ilha da Madeira.

Como resumo, afirma, por exemplo, que a Madeira, localizada no oceano Atlântico, a quase duas horas de avião de Lisboa, foi eleita em 2018, pelo quarto ano seguido, a melhor ilha do mundo no World Travel Awards.

Mas não se trata apenas do orgulho de dizer que a “Madeira tem tudo, só não tem comparação”. Há também o interesse em alavancar o turismo, usando essas tradições e o clima como chamarizes.

No inverno, a temperatura quase nunca é menor que 10 °C —o que atrai europeus interessados em fugir do frio. No verão, não passa dos 32 °C.


Já a temperatura da água vai de 17°C a 22°C o ano todo, ou seja, dá para encarar um mergulho mesmo no inverno.

Um dos pontos mais procurados para isso são as piscinas naturais da vila de Porto Moniz, no noroeste da ilha (Funchal, a capital, fica ao sul).

Formada por rochas vulcânicas, elas são preenchidas pela água do mar. Há piscinas para crianças e acesso para pessoas com deficiência. No inverno, o espaço funciona das 10h às 17h30.

Já as tradições, embora não se restrinjam geograficamente à capital, podem ser todas encontradas por lá.

Uma delas é o vinho Madeira, mais licoroso, produzido pela companhia Blandy’s, ativa desde 1811 e controlada pela família inglesa de mesmo nome há sete gerações.

A empresa tem um museu e uma loja no centro do Funchal, que oferece degustação de diferentes tipos de vinhos (€ 15 ou R$ 62) e a chance de conhecer a história da presença inglesa na ilha —a aliança entre os dois países é a mais antiga da Europa, iniciada pelo Tratado Anglo-Português de 1373.

Uma garrafa de vinho Madeira da safra de 1908 pode sair por € 1.200 (R$ 5.000), mas dá para levar um exemplar por € 20 (cerca de R$ 80).

Se a bebida não corre o risco iminente de desaparecer no futuro —afinal, 70% da produção anual da Blandy’s (1 milhão de litros) é destinada ao mercado externo—, o mesmo não pode ser dito de outra marca da cultura madeirense, os bordados. 

Feitos 100% de forma manual, os bordados podem sofrer mudanças significativas no seu modo de produção ou até desaparecer. O motivo: as novas gerações não se interessam pela atividade. Nesse contexto, o turismo pode ajudar a salvar o produto, de acordo com os madeirenses.

A fábrica Bordados da Madeira Ltda., no centro do Funchal, tem workshops e vende material para os que querem começar a bordar. Uma artesã fica o dia inteiro na porta do prédio bordando e tentando chamar a atenção de quem passa na rua.

Hoje, a companhia emprega 400 mulheres —o número já chegou a 3.000. A funcionária mais jovem tem 45 anos.

Elas trabalham em casa e recebem de acordo com o número de pontos. Uma peça simples pode levar mais de um mês para ficar pronta, mas há toalhas que demandam um ano de trabalho —e são vendidas por € 3.600 euros (R$ 15,1 mil).

Todo o processo artesanal é controlado ponto por ponto para que a peça possa receber o selo de autenticidade do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Ilha da Madeira. 

Grandes encomendas também acabam se tornando vitrine para o bordado da Ilha da Madeira. Em 2016, por exemplo, foram confeccionadas mil golas para uma coleção da grife Chanel. Todo o enxoval de Beatriz, a primeira filha de Sarah Ferguson, a duquesa de York, foi montado com essas peças madeirenses.

Apesar da fama do artesanato, é o futebol que leva o nome da ilha ao exterior. O jogador Cristiano Ronaldo, eleito cinco vezes o melhor do mundo pela Fifa, é nascido no Funchal.

O atacante da Juventus empresta seu nome ao aeroporto local e também é homenageado com duas estátuas e um museu, além de batizar um hotel da rede Pestana.

Quem não se interessa pelo turismo esportivo pode ir direto para a gastronomia. 

Uma das iguarias locais é a poncha, espécie de caipirinha feita com aguardente de cana, mel e frutas. 
A bebida está presente em todos os lugares —custa de € 2,50 a € 4 (R$ 10,50 a R$ 16). Basta se acomodar na mesa de um restaurante, e a poncha já é oferecida pelo garçom.

Os madeirenses não gostam da versão industrializada da bebida, que pode ser encontrada em supermercados. Eles dizem que o verdadeiro drinque é o feito artesanalmente em empórios ou bares. 
Um bom acompanhamento é o também tradicional sanduíche de peixe-espada frito, especialidade da lanchonete Cristalina Chique, no centro do Funchal (€ 6 ou R$ 25).

Ainda no quesito comida, os madeirenses afirmam que ninguém pode ir embora sem provar a espetada (churrasco de carne de vaca com louro e outros condimentos). 

No restaurante A Montanha, que dá vista para a baía do Funchal, o prato sai por € 40 (R$ 167), sem acompanhamentos, e serve tranquilamente duas pessoas.

O Restaurante do Forte, localizado no Forte de São Tiago, também tem vista para o mar. A fortaleza foi construída no século 17 para proteger a região e acabou virando ponto turístico, tanto por sua arquitetura quanto por abrigar o Museu de Arte Contemporânea. É ainda um ponto popular para observar o pôr do sol.
No almoço, há um menu especial com opções mais em conta —risoto de frutos do mar (€ 13,50 ou R$ 56) e ravióli com cogumelos e espinafre (€ 12,50 ou R$ 52).

Para quem quiser observar o mar de outro ângulo, uma opção é contratar um tour de jipe, que começa no Pico dos Barcelos, onde um miradouro dá uma visão ampla da baía. 

A partir desse ponto, é possível escolher diversos caminhos, todos em direção às montanhas. Na empresa Green Devil, o passeio sai por € 35 (R$ 146). Mais informações estão disponíveis no site http://www.greendevilsafari.com.

O jornalista viajou a convite do Turismo da Madeira

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