São Tomé e Príncipe é cenário ideal para mergulhar e ver tartarugas

Arquipélago de colonização portuguesa tem passeios históricos e foco em sustentabilidade

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São Tomé e Príncipe

​O estilo de vida sem estresse e bem-humorado dos habitantes do arquipélago africano de São Tomé e Príncipe é tão marcante que tem até nome: leve-leve. Em português mesmo, língua oficial do país.

Ao circular por lá, o turista invariavelmente será cumprimentado por desconhecidos, adultos e crianças, que o recebem com olhar curioso.

Localizado no centro-oeste do continente, o país, que reúne praias de águas claras e antigas fazendas, ainda é pouco explorado por viajantes, em sua maioria, de Portugal, de que foi colônia até 1975.

Mais visitada é a ilha de São Tomé, ao sul do arquipélago. Ali, é possível observar a arquitetura colonial e visitar as antigas propriedades produtoras de café e cacau, ou roças, nas quais trabalhavam escravos vindos de outros países africanos.

Uma delas, a Monte Café, foi inaugurada em 1852 e hoje é um museu. Chegou a pertencer ao ditador líbio Muamar Kadafi e, após sua queda, em 2011, passou a ser administrada pelo governo local.

Visitas às fazendas são também uma oportunidade para experimentar a culinária local, à base de banana-da-terra, inhame e fruta-pão.

A Roça São João dos Angolares, por exemplo, funciona como pousada e restaurantes, e serve um menu-degustação com sete entradas, prato principal e quatro sobremesas.

Vale provar o vinho de palma, obtido da palmeira, doce quando bebido logo após sua extração —em poucas horas, o líquido vira vinagre.

A localização equatorial faz com que o clima seja quente e úmido durante o ano todo. De junho a setembro é o período seco e, de outubro a maio, há chuvas de curta duração, que não atrapalham a visita.

O marco da linha do Equador fica no ilhéu das Rolas, ilha de apenas três quilômetros de extensão, à qual se chega de barco a partir de Ponta Baleia, no sul de São Tomé.

O trajeto de ida e volta sai por uma média de € 10 (cerca de R$ 42) por pessoa —a moeda utilizada no país é a dobra, com uma cotação fixa de 24,5 mil dobras para 1 euro, que pode ser utilizado para pagamento ou trocado em bancos, hotéis ou até mercados.

Habitado por 200 pessoas, o ilhéu é um dos principais pontos de mergulho do país. Por estar numa região vulcânica, São Tomé e Príncipe é ideal para a prática da atividade: as águas são quentes, com temperatura de cerca de 28ºC, têm boa visibilidade e fauna rica. O mergulho com cilindro que não exige certificação custa cerca de € 70 (R$ 294).

Ao norte de São Tomé, por sua vez, é possível ver a natureza local na caminhada pelos túneis de Ponta Figo, circuito de oito quilômetros no meio da floresta que passa por caminhos estreitos e escuros, com água batendo no joelho.

O túnel mais curto tem 30 metros de comprimento, e o mais longo, 400 —em todos eles há morcegos. A recompensa vem depois da terceira passagem, na chegada à cascata de Ponta Figo, onde é possível tomar banho. O passeio, com guia, sai por cerca de € 35 (R$ 147) por pessoa.

Quem quer relaxar tem nas praias locais o cenário ideal: de águas clarinhas e mornas, com poucos visitantes. No sul da ilha de São Tomé, as praias Piscina, Jalé e Exame são boas opções para passar um dia. Nas duas últimas, pode-se observar, à noite, a desova das tartarugas marinhas entre setembro e maio.

Cinco das sete espécies do animal existentes no mundo vivem no país. Embora a carne de tartaruga seja uma iguaria local, desde 2014 uma lei proíbe que ela seja caçada.

Para além da natureza, São Tomé tem um centro que merece ser conhecido a pé. No Mercado Novo são vendidos tecidos, frutas e verduras. Perto dali, a Fortaleza de São Sebastião abriga o Museu Nacional de São Tomé e Príncipe, que reúne objetos das roças e documentos históricos.

Muitos turistas que vão a São Tomé, porém, acabam se esquecendo da ilha de Príncipe, região autônoma de 142 km² mais isolada. Chega-se a ela de barco (em viagens com duração entre 6 e 12 horas) ou de avião, em voos de 35 minutos.

O governo local, no entanto, tem se esforçado para aumentar a popularidade do destino, investindo no turismo e no selo de sustentabilidade.

"Nossa agricultura é puramente biológica. Produtos químicos não entram na ilha", afirma o presidente do governo regional, Antonio José Cassandra. "Também não queremos cadeias de hotéis, apenas pequenos resorts, com limite de 50 bangalôs."

As praias de Príncipe conseguem ser ainda mais bonitas e intocadas que as de São Tomé: suas areias finas, rodeadas de verde, parecem não ter sido pisadas por ninguém há muito tempo, enquanto as águas são claras e mornas.

Uma das mais bonitas da ilha é a praia da Banana, cuja água é azul cintilante, sobretudo quando bate o sol. Fica próxima à Roça Belo Monte, que virou um hotel, mas preservou a estrutura da época colonial. Vale a visita.

Já nas praias de Grande do Sul e Boi pode-se observar a desova das tartarugas, como na ilha vizinha.

O Miradouro do Sul, do qual se vê o ilhéu Boné do Jóquei, dá ao visitante uma visão ampla da natureza rica do local. Outro mirante, para quem gosta de aventura, é o do pico do Papagaio, que se alcança após uma trilha de cerca de 700 metros. Do topo, vislumbra-se a ilha toda.

A preservação da natureza é prioridade em Príncipe. "A partir de 2020, será cobrada uma taxa para a entrada de plástico na ilha. Daremos compensação para o que chegar em material biodegradável", diz Cassandra.

Circular em Príncipe, porém, não é tarefa das mais fáceis: quase não há placas informativas nas estradas. É recomendável, assim, pegar um carro 4x4, de preferência com um motorista e um guia.

Turistas brasileiros não precisam de visto para viagens de até 15 dias. Passando disso, é necessário tirar um visto pela internet.

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