Saiba como é ficar hospedado ao lado de feras da savana na África do Sul

Mais exclusivo que o parque Kruger, Madikwe oferece safári no quintal de hotel luxuoso

Elefante de frente, com perna dianteira direita levantada, com montanha ao fundo
Elefante na savana, visto do hotel Tau Game Lodge, no Madikwe Game Reserve, na África do Sul - Fernanda Reis/Folhapress
 
 
 
Fernanda Reis
Madikwe Game Reserve (África do Sul)

​ As malas nem foram descarregadas e os funcionários do hotel Tau Game Lodge, no parque Madikwe, norte da África do Sul, alertam: tranquem sempre as portas dos quartos para não serem furtados. Os ladrões, no caso, são os macacos que ali vivem e circulam livremente.

O conselho é relembrado no dia seguinte, quando um macho corpulento bate na porta de vidro do quarto, com vista para a savana, tentando entrar. Mexe na maçaneta, tenta achar uma brecha no teto, sem sucesso. Senta um pouco no chuveiro localizado na varanda e, só então, vai embora.

​Parte do atrativo de se hospedar em um hotel na reserva é, justamente, esse contato constante com os animais

Durante o café da manhã no deque, a vista é de zebras, javalis e antílopes se refrescando num bebedouro logo em frente. Da cama, pode-se ver mais de uma dezena de elefantes tomando água.

 

A distância entre bichos e hóspedes é curtíssima, mas uma cerca elétrica faz com que uns não cheguem ao espaço dos outros —só macacos gatunos e pássaros coloridos cruzam a barreira. 

Diferentemente de locais mais conhecidos para fazer safáris no país, como o Parque Nacional Kruger, no Madikwe só entra quem estiver hospedado no local —há opções de pequenos chalés a quartos de luxo. 
Assim, a quinta maior reserva do país, a cerca de quatro horas de carro de Joanesburgo, é pouco movimentada.

O dia no Tau começa cedo: às 5h a equipe do hotel acorda os hóspedes, que podem beber café e comer muffins antes de iniciar o primeiro passeio diário pela savana, às 5h30. 

Em carros com capacidade para dez pessoas, os grupos saem quando o sol nasce e as temperaturas ainda são amenas. Mesmo no verão, faz frio nesse horário e cada passageiro ganha um cobertor. 

Embora os veículos sejam cobertos, as laterais são totalmente abertas. Blusa e óculos escuros para se proteger de vento e sol são, portanto, aconselháveis. 

Repelente contra mosquitos também é bem-vindo. Os insetos picam, sim, mas os guias de Madikwe se gabam de estar numa zona livre de malária, diferentemente do Kruger.

Com três horas de duração, o passeio inclui uma parada na savana para os passageiros tomarem café com amarula, o licor local, e esticarem as pernas a uma distância segura dos animais. Na volta, é servido o café da manhã.

A tarde é livre para ficar na piscina, ir ao spa e ver a fauna. Antes da segunda saída, às 16h, mais comida —desta vez, um chá da tarde.

No trajeto, que termina por volta das 19h, há outra pausa para descer do carro. Dessa vez, o café dá lugar aos drinques preparados pelo guia, que monta ali um pequeno bar, com mesinha e cooler. 

A pausa coincide com o colorido pôr do sol na savana —só algumas zebras pastando a vegetação rasteira bloqueiam a vista do horizonte.

Não há um período ideal para visitar o local. Entre outubro e novembro começa a temporada de chuvas, que se estende até abril. Por um lado, nessa época os bebedouros ficam cheios e é possível observar neles dezenas de animais de uma vez só. 

Por outro, os safáris são prejudicados: os grupos ainda saem, com capas, mas animais tendem a se esconder e os passeios são mais curtos.

Com 750 km² de área e quase na fronteira com Botsuana, Madikwe era originalmente uma fazenda que, devido ao solo pobre, não produzia muito. Em 1991, o governo sul-africano decidiu transformar o espaço em reserva. 

Na ocasião, 10 mil mamíferos foram realocados de outros parques. Hoje é possível encontrar ali os animais conhecidos como “big five”, os cinco mais difíceis de serem caçados: leão, elefante, leopardo, rinoceronte e búfalo-africano —dos mais famosos do continente, só não há hipopótamos.

Ver todos os cinco depende da sorte do grupo. Cada guia toma um rumo diferente na saída. Quando descobre algo digno de nota —como uma dupla de guepardos descansando na sombra ou leoas com seus filhotes— avisa os colegas por rádio.

É um pouco como caçar pokémons: você roda, roda, roda por quase uma hora encontrando só os onipresentes antílopes e desanima, até que se depara com mais de dez girafas mordiscando folhas. 

Tomadas em grupo, as decisões são difíceis: gastar 20 minutos para ir atrás de um leão macho ou buscar o raro rinoceronte-negro?

Em três dias, a reportagem não encontrou leopardos, mas se deparou com os únicos cinco mabecos (cachorros selvagens) locais. Quando ouve no rádio que a matilha foi encontrada por um colega, o guia Derek McBride ergue os braços e comemora.

Esses animais, diz ele, são os caçadores mais eficientes da África. Eles matam 70% das vezes em que saem para caçar —como comparação, um leão tem sucesso em 30% das tentativas. Por comerem animais de fazenda e transmitirem raiva, são presa do homem e, segundo Derek, só há 10 mil deles no continente.

Os funcionários conhecem bem os bichos do parque e seus hábitos. Identificam as famílias, ensinam a diferenciar machos de fêmeas (no caso dos elefantes, elas têm a cabeça redonda, e eles, quadrada), contam curiosidades sobre as espécies.

Não só fazem referências a “O Rei Leão” (“Olha só quem matou Mufasa”, diz Derek, mostrando os gnus), como ainda explicam que, pela biologia, o filme da Disney não é possível: Scar e Mufasa jamais conviveriam no mesmo grupo, pois os machos formam haréns e expulsam os filhos aos quatro anos de idade.

Para além das aulas de cultura pop, cabe aos guias zelar pela segurança dos visitantes. Quando um rinoceronte passa correndo furioso atrás do outro, a poucos metros do carro, Derek diz, calmamente, que era uma disputa de território. Só mais um dia na savana.

Também é preciso frear a animação dos passageiros: há uma turma de elefantes lá longe, podemos chegar perto? No caso, não: deve-se torcer para que eles e as girafas se aproximem da estrada para obter uma vista melhor.

Por outro lado, se os leões estiverem de barriga cheia e preguiçosos, dá para sair da estrada com o carro e ficar bem do lado. É proibido ficar de pé ou falar alto, mas as fotos a dois metros de distância estão liberadas. 

Pacotes

US$ 709 (R$ 2.736) 
===== 5 noites, na New Age (newage.tur.br) 
Entre Joanesburgo, White River (na região do Kruger) e Cidade do Cabo, com café da manhã. Inclui safári, visita ao Cânion do rio Blyde, traslados e seguro-viagem. Preço por pessoa. Não inclui passagens aéreas 

US$ 761 (R$ 2.937) 
====== 6 noites, na RCA (rcaturismo.com.br) 
Entre Joanesburgo, parque Kruger e Cidade do Cabo, com café da manhã e duas refeições no Kruger. Inclui traslados com assistência em espanhol, safári e guia. Preço por pessoa. Sem passagens aéreas 

$ 3.298 
====== 6 noites, na cvc (cvc.com.br) 
Entre Joanesburgo, parque Kruger e Cidade do Cabo, com café da manhã nas cidades e meia pensão no parque. Inclui traslado, passeio panorâmico em Pretória, safári e visita ao cânion do rio Blyde. Valor por pessoa. Não inclui passagens aéreas

R$ 4.016 
======== 8 noites, na Submarino Viagens (submarinoviagens.com.br) 
Entre Joanesburgo e o parque Kruger, com café da manhã no primeiro destino. Preço por pessoa. Inclui passagens aéreas a partir de São Paulo

US$ 1.159 (R$ 4.473) 
====== 6 noites, na Free Way (freeway.tur.br) 
Entre Joanesburgo, Cidade do Cabo e o parque Pilanesberg, com café da manhã nas duas cidades e pensão completa no parque. Inclui traslados, safáris e seguro-viagem. Preço por pessoa. Não inclui passagens aéreas

US$ 4.338 (R$ 16.744) 
====== 7 noites, na Kangaroo Tours (kangaroo.com.br) 
Três noites no hotel Tau Game Lodge, na reserva Madikwe, com pensão completa e safáris, e quatro noites no One & Only em Cidade do Cabo, com café da manhã. Inclui traslados pela Kobo Safaris. Preço por pessoa, com passagem aérea da South 
African Airways

A jornalista viajou a convite de One & Only Cape Town, South African Airways, Tau Game Lodge e Kobo Safaris

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