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Gastronomia de Chiloé, no Chile, usa fumaça para temperar peixes, batatas e frutos do mar

Cozinha do arquipélago é mistura das heranças hispânica e indígena

Juliana Vines
Chiloé (Chile)

Os passeios pelas ilhas de Chiloé dão pistas sobre o que o turista vai encontrar na mesa. 

A partir de barcos ou de mirantes em terra firme é possível ver tanques de cultivo de peixes e frutos do mar por todos os lados.

O Chile é o segundo maior produtor de salmão em cativeiro do mundo, atrás apenas da Noruega, e o maior exportador de mexilhões para a Europa, de acordo com a organização da ONU para agricultura e alimentação (FAO).

Chef Natalia Canario, chef do restaurante do hotel Tierra Chiloé, prepara curanto, prato típico de Chiloé
Chef Natalia Canario, chef do restaurante do hotel Tierra Chiloé, prepara curanto, prato típico de Chiloé - Divulgação

Boa parte da produção sai da região dos Lagos, onde está Chiloé. O arquipélago também é um grande produtor de batata: há mais de 200 variedades do tubérculo. 

Tudo isso vai parar nos pratos. As batatas viram pães, engrossam caldos, acompanham cozidos, são defumadas e assadas debaixo da terra ou no forno. 

“Criamos um receituário próprio, com uso de técnicas ancestrais”, diz Lorna Muñoz Arias, chef nascida em Chiloé e proprietária do restaurante Travesía, na capital do arquipélago, Castro (restaurantravesia.wordpress.com). 

Para ela, a cozinha chilota é uma mistura das heranças hispânica e indígena, que resultou em sabores únicos. 

Um dos mais presentes é o gosto de defumado. “Costumamos defumar carnes, mariscos e tubérculos. É algo que caracteriza a culinária local”, afirma.

O curanto, prato típico do arquipélago, é um bom exemplo. O preparo, feito debaixo da terra, leva batata, mexilhões e outros tipos de carne, como a linguiça. 

“Fazemos uma espécie de panela de pressão enterrada, na qual colocamos pedras quentes e depois camadas de mariscos, que ajudam a formar vapor. Por cima vão carnes, batatas e pães. Fechamos tudo com folhas, que formam uma capa vegetal”, afirma a chef Lorna.

Pulmay (ou curanto en olla), cozido de mariscos e carnes acompanhado de pão de batata, servido no restaurante do hotel Tierra
Pulmay (ou curanto en olla), cozido de mariscos e carnes acompanhado de pão de batata, servido no restaurante do hotel Tierra - Divulgação

O prato surgiu como uma forma de conservar os alimentos. Na época de abundância, os chilotes cozinhavam tudo de uma vez para comer por meses. 

Depois, o ritual se transformou numa festa e, por fim, num prato, servido em restaurantes de todo tipo.

No hotel Tierra, localizado na região de Castro, o curanto é preparado de duas maneiras: em um evento ao ar livre durante a alta temporada, que vai de novembro a março, ou então na panela, quando ganha o nome de pulmay (ou curanto en olla).

O menu do restaurante, comandado pela chef Natalia Canario, não tem pratos fixos: varia de acordo com os ingredientes da época. 

Entre os preparos há, por exemplo, truta na manteiga sobre um salteado de porotos pallares (um tipo de feijão) ou polvo com molho chimichurri e batatas nativas.

O restaurante abre para não hóspedes apenas com reserva. Um jantar com couvert, entrada, prato principal e sobremesa custa aproximadamente US$ 80 (R$ 326) —taça de vinho e café inclusos. 

No Travesía, o curanto en olla custa 9.500 pesos chilenos (R$ 55). Um dos pratos mais pedidos, no entanto, é a chanchita tentación (13,5 mil pesos ou R$ 78), um porco defumado fatiado, acompanhado de batatas amassadas, torresmo e murta, fruto de um arbusto local.

Outro prato popular é o polvo com chapaleles (pão à base de batata e trigo) e algas (13 mil pesos ou R$ 75).


Pacotes

US$ 669 (R$ 2.729)
3 noites no Atacama, na Abreu (abreutur.com.br
Pacote com saídas entre 1° de junho e 15 de dezembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios e traslados. Sem passagem aérea

R$ 3.186
5 noites em Santiago, na  CVC (cvc.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passagem aérea a partir de São Paulo e traslados

R$ 3.506
6 noites no Atacama, na Submarino Viagens ( submarinoviagens.com.br)
Pacote com saída em 26 de setembro. Inclui hospedagem em quarto duplo, sem regime de alimentação. Inclui aéreo a partir de São Paulo

R$ 4.916 
8 noites em Santiago, na Azul Viagens (azulviagens.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, sem refeições e sem passeios. Inclui passagem aérea a partir de Campinas (SP)

US$ 2.150 (R$ 8.772) 
3 noites no arquipélago de Chiloé, na Freeway (freeway.tur.br)  
Hospedagem em quarto duplo, com pensão completa. Inclui passeios, traslados 
e seguro-viagem. Sem passagem aérea

US$ 2.550 (R$ 10,4 mil)
4 noites no Atacama, no Tierra Hotels (tierrahotels.com)
Pacote com saídas diárias. Hospedagem em quarto duplo no sistema all-inclusive. Inclui passeios e traslados. Sem passagem aérea

US$ 2.950 (R$ 12 mil)
5 noites em Santiago e no arquipélago de Chiloé, na Interpoint (interpoint.com.br)
Duas noites na capital chilena e três no conjunto de ilhas. Hospedagem em quarto duplo, com todas as refeições em Chiloé. Inclui passeios com guia e traslados. Sem passagem aérea

US$ 5.704 (R$ 23,2 mil)
5 noites em Santigo e no Atacama, na Maringa Lazer (maringalazer.com.br
Três noites na capital e duas no deserto, com saída em 6 de setembro. Inclui café da manhã, excursões, traslados, seguro-viagem e passagem aérea a partir de São Paulo

A jornalista viajou a convite do Tierra Hotels

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