Evento em Lisboa celebra os 500 anos da viagem de navegador português

Importância de Fernão de Magalhães é debatida durante Portugal 360, no Rio

Naief Haddad
Rio de Janeiro e São Paulo

Lisboa vai celebrar em julho duas grandes proezas movidas pela audácia e pela curiosidade: o meio século da chegada do homem à Lua e, principalmente, os 500 anos da viagem de circum-navegação concebida e comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521). 

Com essas efemérides como mote, a capital de Portugal promoverá o Global Exploration Summit (Glex), que vai reunir alguns dos mais importantes nomes da exploração científica, entre antropólogos, historiadores, oceanógrafos, astronautas, arqueólogos, navegadores e zoólogos. 

Previsto para os dias 3, 4 e 5 de julho, o encontro vai discutir temas como as alterações climáticas e as tecnologias do espaço. É promovido pela sociedade norte-americana The Explorers Club, fundada em 1905 em Nova York, e pela empresa portuguesa Expanding World, da cidade do Porto.

Entre as atrações do Glex, estão o navegador e cineasta francês Fabien Cousteau, neto de Jacques Cousteau, e o médico e balonista suíço Bertrand Piccard, que participou do projeto do Solar Impulse, uma volta ao mundo em um avião movido a energia solar.

Outros destaques do encontro são os norte-americanos Beverly Goodman, geóloga que estuda tsunamis, e James Garvin, cientista-chefe da Nasa.

Primeiro grande evento da série de celebrações em torno dos 500 anos da expedição de Fernão de Magalhães, o Glex tem o apoio do departamento de turismo de Portugal.

“É a primeira vez que acontece uma gala [cerimônia] do The Explorers Club fora dos EUA”, afirma Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo de Portugal, o equivalente a ministra. “Será um momento espetacular de discussão dos novos desafios da exploração.”

Godinho participa do Portugal 360, que acontece até domingo (9) na Cidade das Artes, no Rio. Voltada para a cultura e o turismo lusitanos, a programação inclui debates, shows, workshops e exposições.

 

Por séculos, Fernão de Magalhães foi motivo de discórdia entre os dois principais países da península ibérica já que, embora português, ele realizou a histórica viagem a serviço da monarquia espanhola.

Agora, um dos principais projetos de comemoração dos 500 anos une as nações vizinhas. Os navios Sagres (Portugal) e Juan Sebastião Elcano (Espanha) vão percorrer todo o trajeto de Magalhães entre 2020 e 2021. 

“Em cada sítio que atracarem, as caravelas vão promover ações de integração cultural, com gastronomia, música, artesanato. Vão celebrar aquilo que foi fantástico em Magalhães, essa abertura ao mundo. Foi ele quem conseguiu abrir a cabeça em relação aos fatos de que o mundo é redondo e de que todos podemos nos misturar”, afirma Godinho.

Um debate sobre a importância da expedição de Magalhães aconteceu na quinta (6), o primeiro dia do Portugal 360. Um dos participantes foi o historiador José Manuel Garcia, autor do livro “A Viagem de Fernão de Magalhães e os Portugueses”. 

Para Garcia, a principal iniciativa do governo português em torno dos 500 anos está na educação. Ao longo dos próximos meses, todas as escolas do país terão uma semana dedicada às descobertas do navegador português, com aulas de temas variados, da biologia à astronomia. 

O jornalista Naief Haddad viajou ao Rio a convite da organização do evento Portugal 360

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