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Turista observa pumas, sobe montanhas e rema entre icebergs na Patagônia chilena

Parque Torres del Paine, no sul do país, tem mais de 40 rotas de exploração

Flavia Vitorino
Puerto Natales (Chile)

Eu não sei o quanto de vinho o Fernão de Magalhães tinha tomado quando chegou pelas terras austrais, em 1520, ou se os europeus na época eram mesmo bem baixinhos. Só sei que a Patagônia leva esse nome porque o navegador português jurou que chegou até ali e deu de cara com patagões, os míticos "pés grandes".

Alguns anos depois, o labirinto no qual o explorador espanhol Juan Ladrillero (1480-1521) se perdeu por quase dois anos, cheio de fiordes, rios, canais e lagos, foi chamado de "a última esperança" e assim foi batizada Puerto Natales. Com Ushuaia, é uma das últimas cidades do mundo, ou do "fim do mundo", como hoje são conhecidas. 

Não é à toa. Para chegar até a Patagônia chilena são 250 quilômetros saindo de Punta Arenas, a cidade mais próxima para pouso, vindo de Santiago. Depois de voar quatro horas até Santiago e três horas até Punta Arenas, são mais quatro horas on road pela Rota do Fim do Mundo, com seu clima inóspito que, em intervalo de poucas horas, oferece sol, neve e chuva de gelo.

A Patagônia é a disneylândia dos aventureiros, espécie de meca das viagens de natureza. De um lado, os Andes gigantes e nevados fazem a alegria de montanhistas e esquiadores. De outro, o Atlântico e as geleiras com pinguins, focas, baleias e orcas.

Chega a parecer uma obra de arte aquela geografia. Uma pintura mesmo. Com 3.500 metros de altitude, as torres de granito que dão nome ao parque --Torres del Paine-- estão no topo da cordilheira e têm aos seus pés a imensidão branca dos glaciares e as lagoas de um azul profundo.

Não existe sensação mais prazerosa que a de olhar para um mapa e achar aquelas tirinhas sinalizando trilhas por todo lado. Você começa a traçar os percursos no papel e já visualiza vales, rios, cachoeiras, montanhas.

O hotel Explora Patagônia fica ancorado como um barco nas margens do lago Pehoé, no coração do Parque Nacional Torres del Paine, e tem mais de 40 rotas de exploração projetadas.

O único problema é escolher qual delas você irá fazer, e que lado do parque irá explorar. O ideal é o visitante reservar de cinco a sete dias para conseguir ver um pouco de tudo que a região tem.

No primeiro dia, fiz uma caminhada para tentar avistar pumas. O guia, especialista em animais selvagens locais, pareceu não se importar com os restos mortais de um guanaco, camelídeo aparentado da lhama.

"Olha, parece que este foi pego há pouco tempo."

Por mais aventureiro que você seja, meu amigo, ao olhar para o horizonte e não ver nada além de mato, lagos e montanhas, começa a imaginar se vai concluir a trilha ou virar comida de puma. "Sim, existem muitos, mas não se preocupe, eles preferem os guanacos." Guanacos são uma espécie linda que, infelizmente, não consegue fugir dos felinos. Dentro do parque, aliás, é proibido andar de mountain bike por conta dessas feras. Qualquer gesto rápido pode chamar a atenção dos bichos, que são muito ágeis. 

Na dúvida, você fica esperto para qualquer movimento estranho, e qualquer som vira um barulho suspeito.
Ao longo do caminho foram mais de dez guanacos (restos deles) perdidos na trilha. Parei de contar quando avistei uma estrada anunciando o fim do percurso.

Pouco antes de chegar, o guia sinalizou: "Deem uma olhada naquela montanha". Uma puma fêmea com três filhotes. A mãe (gigantesca) nos olhava firmemente e os pequenos curtiam o passeio. É uma mescla de sentimentos porque, no fundo, por mais medo que os pumas inspirem, é uma sensação maravilhosa vê-los soltos em seu habitat. Eu me senti afortunada no primeiro dia.

No dia seguinte, madrugamos para alcançar as Torres del Paine. São pouco mais de oito horas de caminhada, subindo quatro a cinco horas por todo o tipo de terreno, incluindo o último quilômetro no gelo e na neve. O trajeto é visualmente inesquecível, só perde para a base das Torres, o ápice da Patagônia. 

Aos pés dela, uma lagoa com tons de esmeralda faz você entender por que o lugar foi eleito a oitava maravilha do mundo em um concurso promovido por um portal de viagens que envolveu 330 destinos e computou mais de 5 milhões de votos.

E já que as pernas não vão funcionar direito no outro dia, decidi testar os braços e remar no lago Grey em direção às geleiras, cruzando blocos de gelo gigantescos pelo caminho. Mas você também pode ficar sentadinho no barco e escolher não remar: o visual não é menos incrível. 

Ali a água reina soberana em todos os seus estados naturais. É ela que cobre de branco as montanhas geladas, forma os glaciares azuis, esculpe as paredes das cavernas e se derrama na infinidade de canais, drenada por grandes torneiras naturais que encantam e fazem da Patagônia uma das maiores reservas de água doce do planeta.


Pacotes

R$ 3.818 
6 noites em Santiago e na Patagônia, na CVC (cvc.com.br
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios e traslados. Sem passagem aérea

US$ 1.162 (R$ 4.485) 
5 noites em Santiago e Puerto Natales, na New Age (newage.tur.br)
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeio no Parque Nacional Torres del Paine, seguro-viagem e traslados. Sem passagem aérea

US$ 1.247 (R$ 4.813) 
6 noites em Santiago, Punta Arenas e Punta Natales, na RCA (rcaturismo.com.br)
Três noites em Santiago, duas em Puerto Natales e uma em Punta Arenas. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios. Sem passagem aérea

US$ 2.236 (R$ 8.630) 
4 noites em Punta Arenas e Torres del Paine, na Venturas (venturas.com.br)
Três noites no hotel Explora Patagonia (dentro do Parque Nacional Torres del Paine) e uma em Punta Arenas. Hospedagem em quarto duplo, com pensão completa na primeira parada. Inclui dois passeios de meio dia ou um de dia inteiro. Sem aéreo

US$ 2.998 (R$ 11,5 mil)
6 noites em Santiago e no Parque Nacional Torres del Paine, na Interpoint (interpoint.com.br
Quatro noites em Torres del Paine e duas em Santiago. Preço válido até 30 de setembro. Hospedagem em quarto duplo, com todas as refeições na primeira parada e café da manhã nas demais. Inclui traslados e passeios com guia em português e equipamentos. Sem passagem aérea

US$ 4.919 (R$ 18,9 mil)
8 noites em Santiago, Torres del Paine e El Calafate, na BWT (bwtoperadora.com.br)
Quatro noites no hotel Tierra Patagônia (próximo ao Parque Nacional Torres del Paine), três em El Calafate e uma em Santiago. Hospedagem em quarto duplo, com sistema all-inclusive na primeira parada e café da manhã nas demais. Inclui seguro-viagem e traslados. Com passagem aérea

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