Descrição de chapéu Leonardo da Vinci, 500

Legado de Da Vinci se espalha por ruas e museus de Milão

Cidade tem programação especial para os 500 anos da morte do artista

Michele Oliveira
Milão

​​Leonardo da Vinci passou a maior parte da vida adulta em Milão, no norte da Itália. Nascido na região de Florença e morto na França, chegou à capital lombarda em 1482 e ali ficou por quase 20 anos. Seu legado pode ser visto ainda hoje na cidade —em manuscritos, maquetes e pinturas.

Neste ano, em que se comemoram os 500 anos de sua morte, algumas dessas peças estão expostas ao público em caráter excepcional, como parte de uma programação que segue até janeiro de 2020.

Depois de dar os primeiros passos como artista em Florença, Da Vinci mudou de cidade aos 30 anos em busca de reconhecimento e dinheiro.

Sua ida para Milão foi consequência da chegada da família Sforza ao poder, em 1450. Ricos, eles queriam deixar a cidade mais bonita, diz Claudio Giorgione, curador do Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci.

“Em 1482, quando Leonardo chegou, a cidade estava em transformação, com muitas obras: a cúpula do Duomo [a catedral], um novo hospital, igrejas”, diz Giorgione.

Da Vinci queria um emprego na corte de Ludovico “il Moro” e se dedicou, nos primeiros anos, a estudar engenharia militar para impressioná-lo. Ao mesmo tempo, começou a prestar atenção no sistema hidráulico da cidade e começou a pensar em melhorias. 

O resultado desses estudos pode ser conferido em três locais: na Pinacoteca Ambrosiana, na Conca dell’Incoronata e no Museu de Ciência e Tecnologia que leva seu nome.

A pinacoteca detém o “Codex Atlanticus”, com mais de mil folhas manuscritas por Da Vinci. É o conjunto de obras do artista mais completo do mundo —outros originais estão espalhados por museus, bibliotecas e coleções. 

A Conca é uma eclusa urbana construída em 1496 com a ajuda de Da Vinci. Até hoje está a céu aberto, a poucos minutos do bairro de Brera. Já o museu tem uma coleção de mais de cem miniaturas baseadas nos registros vincianos. Dessas, 52 estão expostas na mostra “Leonardo Parade”, em cartaz até 31 de outubro.

“Os desenhos que ele deixou das eclusas são os primeiros da história”, afirma Giorgione. “Seus registros são uma enciclopédia do conhecimento técnico daquele tempo.”

Está também em Milão sua obra-prima, “A Última Ceia”.  Da Vinci iniciou a pintura, encomendada por Ludovico “il Moro”, em meados dos anos 1490 e levou quatro anos para finalizá-la.

“Ninguém entendia por que Leonardo era tão lento. E ele era, de fato, lento. Mudava de ideia a toda hora e por isso não usou a técnica do afresco, mas sim uma técnica seca que não permitiu que a tinta penetrasse na parede”, diz Giorgione.

A pintura está desaparecendo e, por isso, o acesso à sala onde está, no museu Cenacolo, é hipercontrolado. Apenas 30 pessoas podem entrar por vez, e só por 15 minutos. 

Para dar conta da procura neste ano, a prefeitura de Milão lançou um ingresso que permite visitar cinco museus ligados a Da Vinci, incluindo o Cenacolo, e abriu 90 vagas por dia exclusivas para quem compra esse pacote. 

Onde ver obras do italiano

Pinacoteca Ambrosiana 
Abriga duas importantes obras de Da Vinci: a pintura “O Retrato de um Músico” e o “Codex Atlanticus”. Pintado em 1485, o quadro é seu único painel que restou Milão. Foi durante a restauração, em 1905, que uma partitura foi identificada nas mãos do músico retratado, levando à hipótese de que ele teria sido um amigo do artista. Já “Codex Atlanticus” tem mais de mil folhas manuscritas e cerca de 1.750 desenhos feitos entre 1478 e 1519, ano de sua morte. São registros de arquitetura, técnicas militares e hidráulicas, anatomia e astronomia que exigem do visitante uma observação atenta. Até 12 de janeiro a Ambrosiana organiza mostras com algumas das folhas mais importantes. O museu fica na praça Pio XI, 2. O ingresso custa € 15 (R$ 63). Mais informações em ambrosiana.it

Museu Cenacolo 
Está ali “A Última Ceia”. Na reforma da igreja de Santa Marie delle Grazie, Ludovico “il Moro” pede para Da Vinci pintar uma parede do refeitório do convento. O artista escolheu ilustrar o momento em que Jesus diz aos apóstolos que um deles o trairia. As reações de todos, o estudo da luz e o uso da perspectiva explicam o fascínio pela obra. Com 460 x 880 cm, o trabalho, iniciado em 1494, demoraria quatro anos para ser concluído e foi feito sem a técnica do afresco, que permite melhor fixação da tinta na parede. Por essa razão, o acesso à sala é limitado a 30 pessoas por vez, que só podem ficar ali durante 15 minutos. É preciso agendar a visita. Dica: comprar pelo telefone (com atendimento em italiano ou inglês) é mais fácil do que pelo site oficial. E cuidado com sites falsos ou que cobram bem mais pelo tíquete, que custa € 12 (R$ 50). O museu fica na praça Santa Maria delle Grazie, 2. Mais informações pelo site cenacolovinciano.vivaticket.it ou pelo telefone (+39) 02 92800360

Sala delle Asse
Um dos espaços mais importantes do castelo Sforzesco foi reaberto neste ano ao público como parte da programação em torno de Leonardo da Vinci. A sala, pintada pelo artista após a “A Última Ceia”, também a pedido de Ludovico “il Moro”, só foi descoberta no fim do século 19. Nela, paredes e teto reproduzem um pergolado com amoreiras entrelaçadas, além de raízes, troncos, galhos e paisagens distantes. Chamada de “Leonardo Mai Visto” (Leonardo nunca visto), a exposição conta com uma instalação audiovisual que ajuda o visitante a entender a pintura e o trabalho de restauração, que continuará após 12 de janeiro de 2020. Os ingressos custam € 10 (R$ 42). A sala fica no Castello Sforzesco. Informações  em milanocastello.it

Pela cidade 
Dois pontos a céu aberto (e de acesso gratuito) mostram a ligação entre Da Vinci e Milão. Perto do movimentado bairro de Brera está a eclusa Conca dell’Incoronata, construída em 1496 com a participação de Da Vinci. A obra tem portas que estiveram submersas (hoje o canal está seco) e eram manobradas à mão para permitir uma passagem controlada dos barcos. Embora sua conservação não seja excelente, é uma chance de ver ao vivo um projeto que foi tão estudado pelo artista e tão presente em seus manuscritos. Entre os pontos turísticos mais famosos de Milão —o Duomo, a galeria Vittorio Emanuele II e o teatro Scala— está uma estátua em homenagem a Da Vinci, feita de mármore de Carrara por Pietro Magni e inaugurada em 1872

Ingresso cinco vezes Leonardo 
A prefeitura de Milão vende até 12 de janeiro um ingresso especial que permite visitar cinco museus ligados a Leonardo da Vinci. Por € 40 (R$ 169), é possível ver a Sala delle Asse, a Pinacoteca Ambrosiana, o Museu de Ciência e Tecnologia, a Pinacoteca de Brera (onde há muitas pinturas de discípulos) e o Cenacolo Vinciano. A compra está condicionada ao agendamento da visita à “A Última Ceia”. Tíquetes extras estão reservados para quem adquire o cartão. Mais informações disponíveis no site cenacolovinciano.vivaticket.it


PACOTES

€ 425 (R$ 1.795)
3 noites em Milão, na Françatur (francatur.com.br)
Válido até outubro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios e traslados. Sem aéreo

US$ 840 (R$ 3.183) 
4 noites em Milão, na Tereza Ferrari Viagens (terezaferrariviagens.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, sem regime de alimentação. Com traslados. Não inclui passagem aérea

US$ 1.019 (R$ 3.861)
6 noites em Milão, na Maringá Lazer (maringalazer.com.br)
Saída no dia 21 de novembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui seguro-viagem e aéreo a partir de São Paulo

R$ 6.503
6 noites na em Milão e outras cidades, na CVC (cvc.com.br) 
Duas noites em Roma, duas em Milão, uma em Veneza e uma em Florença. Hospedagem em quarto duplo, com café. Com passeios. Inclui aéreo a partir de São Paulo

R$ 6.681
6 noites em Milão, na Abreu (abreutur.com.br)
Saída em 27 de setembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui aluguel de carro e passagem aérea a partir de SP

€ 1.599 (R$ 6.753)
9 noites na em Milão e outras cidades, na Schultz (schultz.com.br)
Três noites em Roma, três em Milão, duas em Florença e uma em Veneza. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui traslados, passeio com guia em português. Sem aéreo

US$ 2.595 (R$ 9.833) 
6 noites em Milão, na Venice Turismo (veniceturismo.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, sem regime de alimentação. Inclui traslados e aéreo

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do afirmado em versão anterior do texto, neste ano comemoram-se os 500 anos da morte de Leonardo da Vinci, e não o cinquentenário. A informação foi corrigida.

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