Descrição de chapéu Destinos

Oriente-se na bagunça organizada conhecida como Cidade do México

Antes de cair na megalópole que atrai milhões de visitas, eleja os bairros de maior interesse

Museu Soumaya, no bairro Polanco, na Cidade do México

Museu Soumaya, no bairro Polanco, na Cidade do México Ronaldo Schemidt/AFP

Patrícia Figueiredo
Cidade do México

Os turistas se misturam aos locais nos 1.485 quilômetros quadrados pelos quais a Cidade do México se espalha. A megalópole com 20 milhões de habitantes, localizada a 2.250 metros de altitude, recebe mais de 2,5 milhões de visitantes por ano.

Apesar dos números superlativos, a capital mexicana nem sempre é caótica. Há bairros que parecem não pertencer ao mesmo lugar. 

Em Roma, região retratada no filme homônimo dirigido por Alfonso Cuarón e premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2019, predominam casas e prédios baixos. Se nos anos 1970, época em que se passa a obra, as residências abrigavam famílias de classe média-alta, hoje Roma e seu vizinho Condessa reúnem bares e cafés hipsters.

Já em Polanco o cenário é mais parecido com o de uma película de ficção científica, com prédios espelhados, lojas luxuosas e hotéis de design. 

O edifício mais marcante tem forma de chaminé, é revestido de placas de alumínio e abriga o Museu Soumaya.

Com entrada gratuita, a galeria guarda a coleção particular de Carlos Slim, bilionário mexicano do ramo de telecomunicações. O acervo, distribuído em seis andares, inclui obras de Rodin (1840-1917) e Vincent van Gogh (1853-1890).

No mesmo bairro estão ainda os restaurantes que colocaram o país no mapa da gastronomia mundial, com destaque para o Pujol, do chef-celebridade Enrique Olvera, expoente da nova cozinha mexicana e dono de estabelecimentos em Nova York e Oaxaca.

Mais descontraído, o Quintonil, no mesmo bairro, promete ameaçar mais a majestade do rival --na lista The World's 50 Best, ele já é o 11º melhor restaurante do mundo, enquanto o Pujol está na 13ª posição. Para comer em um deles é preciso reservar com meses de antecedência.

Sem tanto planejamento dá para conhecer outros bons endereços na capital. Em Roma está o Máximo Bistrot, cujo cardápio mistura influências italianas e ingredientes produzidos nos arredores da metrópole, e o La Docena, com receitas de peixes e frutos do mar feitas na grelha.

Com duas unidades na capital, em Roma e Polanco, o bar Licorería Limantour é um bom destino para quem quer provar destilados mexicanos, como tequila e mezcal. 

 

Para o café da tarde, experimente a concha, pão doce macio de crosta açucarada. Trata-se da especialidade da padaria Bakers, em Condesa, que também pode ser encontrada no Café Nin, onde conchas de vários sabores são levadas à mesa em bandejas com outros pães folhados.

Conectando Polanco e o centro histórico está o paseo de la Reforma, a avenida Paulista mexicana.

Ladeada por prédios de bancos e hotéis, a via é fechada aos domingos para o trânsito de veículos e fica tomada por famílias, ciclistas e vendedores de comida de rua. O trecho mais bonito é o que cruza o bosque de Chapultepec e funciona como uma passarela de museus.

De um lado está o Museu de Antropologia, que mostra com maestria a importância das civilizações maia e azteca para a cultura local. Suas salas exibem artefatos da era pré-colombiana com explicações em inglês e espanhol. 

No outro extremo do bosque fica o castelo de Chapultepec, construído para o vice-rei do império espanhol no final do século 18, que passou a funcionar como Museu de História Nacional em 1944. A caminhada até o castelo, no topo de uma colina, rende boas vistas do parque.

Na outra ponta do paseo de la Reforma é a região do Zócalo, praça erguida sobre ruínas do povoamento asteca de Tenochtitlán. Oficialmente conhecida como plaza de la Constitución, reúne programação para vários dias. 

Estão lá a Catedral Metropolitana e sua fachada gótica de mais de 100 metros de largura, as ruínas do templo Mayor, erguido pelos astecas, e o Palácio Nacional, sede do Poder Executivo e casa do mural mais conhecido do país, pintado por Diego Rivera (1886-1957) nos anos 1930.

O labirinto de ruas que parte dessa praça leva a outros pedaços da história mexicana. Uma rápida caminhada conduz ao Palácio de Belas Artes. O prédio art-déco coberto por mármore carrara abriga exposições temporárias.

Nas ruas apertadas do centro escondem-se bons endereços para provar a comida mexicana do dia a dia. Um dos mais populares é a taqueria El Huequito, que ganhou fama após aparecer no programa de TV do chef americano Anthony Bourdain. 

Outro sucesso é a Churrería El Moro, que desde 1935 usa a mesma receita para seus churros com chocolate quente.

Para qualquer passeio fora da região que vai de Polanco até o centro é necessário enfrentar algumas horas de trânsito ou de transporte público.

Distante quase 12 quilômetros do Zócalo, o bairro de Coyoacán ficou conhecido por acolher figuras históricas como o líder comunista soviético Leon Trótski (1879-1940). 

A atração mais visitada ali é o Museu Frida Kahlo, que ocupa a casa azul onde a pintora mexicana viveu com o marido, Diego Rivera, por 25 anos. As filas podem levar até quatro horas, por isso é recomendável comprar ingresso pelo site museofridakahlo.org.mx, por 246 pesos (cerca de R$ 50). 

A casa onde viveu e morreu Trótski também virou um museu com tours guiados por estudantes. Os guias explicam a relação do revolucionário com o México e recontam seus últimos dias de vida no aposento onde ele foi assassinado.

Entre um museu e outro dá para fazer uma parada no Mercado de Coyoacán, onde um estande de tostadas, o mais lotado, vende tortilhas crocantes servidas com ceviches, mariscos ou guisados de carne. 
Menos tradicional, o Café Negro é uma dessas cafeterias que detalha a origem do grão e o tipo de extração que dá origem à bebida.

Mais afastado que Coyoacán, o distrito de Xochimilco tem uma extensa rede de canais que formam ilhas, as chamadas chinampas, com moradores que mantêm pequenas roças de hortaliças e de flores. 

O barato é visitar a região aos fins de semana, quando mexicanos enchem os cais de onde saem passeios de barco. A tradição manda juntar a família em trajineras, barcos coloridíssimos, para celebrar aniversários. 

Nesses dias, o canal principal vira uma confusão de jangadas vendendo comidas e mariachis que tocam a pedido de passageiros. O circuito de uma hora custa cerca de 500 pesos (R$ 98) por barco. 

A história de Xochimilco remonta à época pré-hispânica, quando a área funcionava como celeiro da capital do império asteca. Naquela época, as chinampas eram menos extensas, e os canais serviam também como meio de proteção contra invasores.

Para chegar lá o ideal é descer na estação de trem Terminal Xochimilco e caminhar até o Embarcadero Nuevo Nativitas. Vale a pena combinar o passeio com a visita à Coyoacán, bairro que fica no meio do caminho entre o centro e os cais de Xochimilco. 

Em uma cidade tão grande é essencial hospedar-se em um local de acesso fácil. A maioria dos hotéis-boutique está em Roma ou Condesa. Polanco também tem boas opções, mas está mais longe do centro.
O Zócalo, aliás, é cheio de alternativas econômicas de hospedagem, mas a área fica deserta à noite, quando quase todas as lojas fecham.

Ficar perto de uma estação de metrô ou uma parada do Metrobus é prático para passear aos finais de semana, quando os vagões ficam menos cheios. A passagem custa cerca de R$ 1. Fora dos horários de pico (entre 7h e 10h e 17h e 20h) pode ser uma boa trafegar de Uber: os táxis são mais caros e têm péssima reputação entre turistas.

Outra tarefa que exige certo esforço é encontrar a melhor taxa de câmbio. Há operadoras no aeroporto com cotações melhores que os postos do Zócalo. O preço mais vantajoso, no entanto, costuma estar em bancos como o CI, com unidades no centro.

Vestígios da cultura asteca em Teotihuacan valem um bate-volta

Visitar a cidade de Teotihuacan é o melhor jeito de relembrar aqueles ensinamentos sobre a cultura asteca dos tempos de colégio. 

Ali é possível ver ao vivo as construções de base piramidal feitas entre o ano 250 e 100 a.C. para homenagear os deuses que, segundo a cultura asteca, controlavam desde os fenômenos climáticos até os sentimentos humanos. 

O monumento mais impressionante da cidade, que chegou a ter 125 mil habitantes, é a pirâmide do Sol.
A construção tem 65 metros de altura e pode ser escalada com escadas adaptadas.

Mas as melhores vistas estão na pirâmide da Lua, que tem 45 metros de altura e escadas só até a metade. Localizada em frente à calçada dos Mortos, oferece um panorama do sítio arqueológico. 

O jeito mais econômico de chegar até as ruínas é pegar um ônibus de linha da eAutobuses Teotihuacan, na rodoviária Terminal Norte. A passagem de ida e volta custa 104 pesos (R$ 20) e há saídas a cada meia hora. 

O ponto final do ônibus fica a 2 km das pirâmides, em frente a um dos portões do parque. A entrada no sítio custa 70 pesos (R$ 14). Dentro dele há vendedores de suvenir, mas nenhuma lanchonete --é bom levar água, não há sombra na maior parte do parque. 

A viagem por conta própria sai até quatro vezes mais barata que as excursões de operadoras de turismo, que cobram entre R$ 100 e R$ 150 por pessoa, com transporte e ingressos.


Pacotes

R$ 2.347 
6 noites na Cidade do México, na Submarino Viagens (submarinoviagens.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, sem regime de alimentação e sem passeios. Inclui passagem aérea a partir do aeroporto de Guarulhos (SP)

R$ 3.010 
7 noites na Cidade do México, na CVC (cvc.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, sem café da manhã. Sem passeios. Inclui passagem aérea a partir de São Paulo

US$ 870 (R$ 3.271) 
7 noites na Cidade do México e outras regiões, na Pisa Trekking (pisa.tur.br)
Três noites na capital, duas em Guadalajara, uma em San Miguel de Allende e uma em Morelia. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios. Sem passagem aérea

US$ 1.067 (R$ 4.011) 
7 noites na Cidade do México e outras regiões, na Venice Turismo (veniceturismo.com.br)
Duas noites na capital, duas em San Miguel de Allende, duas em Zacatecas e uma em Morelia. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã e quatro refeições. Inclui passeios nas cidades e traslados. Sem passagem aérea

US$ 1.410 (R$ 5.301)
8 noites na Cidade do México e outras regiões, na RCA (rcaturismo.com.br)
Três noites na capital, duas em Guadalajara, uma em Queretáro, uma em San Miguel de Allende e uma em Guanajuato. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios nas cidades e seguro-viagem. Sem passagem aérea

US$ 2.759 (R$ 10,3 mil)
13 noites na Cidade do México e outras regiões, na BWT (bwtoperadora.com.br)
Quatro noites na capital, uma em San Miguel de Allende, uma em Guanajuato, uma em Zacatecas, duas em Guadalajara, uma em Morelia, uma em Taxco e duas em Acapulco. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios nas cidades, seguro-viagem e traslados. Com passagem aérea a partir de São Paulo

US$ 3.310 (R$ 12,4 mil)
9 noites na Cidade do México e outras regiões, na Interpoint (interpoint.com.br
Cinco noites na capital, duas em Palenque, uma em Campeche e uma em Mérida. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Sem passeios e sem passagem aérea

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