Coma muito e pague pouco em rodízio chinês de Nova York

Bairro de Chinatown abriga um dos maiores restaurantes da cidade, especializado na gastronomia típica cantonesa

Nádia Jung
Nova York

A língua oficial de um dos maiores restaurantes de Nova York é o chinês. Com 800 lugares, o Jing Fong, aberto em 1978, fica no coração do bairro de Chinatown.

Seu principal destaque é o dim sum, refeição de origem cantonesa composta por pequenas porções —desde pastéis fritos recheados com carne de porco até pés de galinha cozidos. Elas são servidas apenas no almoço, num esquema similar ao rodízio brasileiro.

Salão do restaurante Jing Fong, em Nova York
Salão do restaurante Jing Fong, em Nova York - Nádia Jung/Folhapress

O dim sum básico pode chegar a 48 itens, entre opções doces e salgadas.

No Jing Fong, garçonetes vestidas em trajes típicos empurram carrinhos (grandes e pesados) repletos de cestinhas de bambu, que comportam três ou quatro porções.

Não há cardápio. Os pratinhos são escolhidos direto dos carrinhos —os mais populares tendem a esgotar rápido. 

Diante da variedade e do fato de que as atendentes mal falam inglês, ajuda saber de antemão quais são as opções.

A comilança começa com um chá de jasmim, bebida típica para esse tipo de refeição, considerada pelos nova-iorquinos um brunch chinês. Mas também dá para escolher vinhos, destilados e cervejas.

Depois do chá, começa o desfile de pratos. Um dos carrinhos traz o hao gao, uma massa de arroz com recheio de camarão, entrada tradicional da culinária cantonesa, encontrada em restaurantes chineses de São Paulo e do Rio. 

Outra opção é o siu mai, uma massa fina de farinha de trigo recheada com carne de porco. O prato aparece frito, cozido ou no vapor. Há ainda versões do guioza.

Para os mais aventureiros, vale experimentar o pé de galinha, apreciado principalmente por chineses mais velhos. Ele é frito, braseado em um molho doce com alho e depois cozido no vapor, para que a carne se torne ainda mais macia. Outra opção exótica é o nor mai gai, arroz grudento envolto em folhas de lótus e recheado com carnes bovina e suína, além de cogumelos.

Terminado o almoço, chega a hora de pagar. O visitante não recebe uma conta, apenas a indicação do garçom de que é preciso ir até o caixa, ao lado da adega do restaurante, levando o cartão recebido no começo da refeição.

A experiência, com muita comida para duas pessoas, custa US$ 23 (R$ 87).

Saindo do Jing Fong, vale dar uma volta por Chinatown, para conhecer um pedaço da história dos Estados Unidos. 

No século 18, milhares de chineses deixaram seu país natal para participar da corrida do ouro e da expansão do sistema ferroviário que interligou as costas leste e oeste americanas. Uma grande parte dos imigrantes se instalou na Califórnia, em São Francisco; outra, em Nova York, que hoje reúne o maior número de chineses fora da Ásia. 

Essa história é contada no Museum of Chinese in America (Moca), que fica em uma das principais ruas de Chinatown (Center street, 215). O ingresso custa US$ 12 (R$ 45).

O bairro ainda abriga alguma das principais joalherias de Nova York e reúne centenas de lojas de eletrônicos, legítimos ou falsificados. 

Perambulando pelas ruas menores, o viajante descobre pequenos mercados que vendem doces, especiarias, cogumelos e frutas típicos. Um bom destino é a loja Aji Ichiban, uma rede de Hong Kong (Mott street, 37) que vende aperitivos com pedaços de lula seca, entre outros itens.

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