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Cidade colonial no centro do México ganha ar cosmopolita com visitantes

Guanajuato preserva igreja, teatro e campus universitário do século 18

Patrícia Figueiredo
Guanajuato e San Miguel de Allende (México)

Apenas 270 km separam San Miguel de Allende e Cidade do México, mas os dois cenários não poderiam ser mais diferentes. 

O clima tranquilo e o casario colonial da primeira cidade, no estado de Guanajuato, começaram a chamar atenção dos turistas na década de 1980. Desde então, muitos estrangeiros se mudaram para lá, o que faz com que o lugar tenha ares mais cosmopolitas do que poderia se esperar de um município de 60 mil habitantes. 

Conhecida por receber americanos, Allende se desenvolveu economicamente e abraçou a globalização sem perder as características coloniais que ajudaram a atrair turistas.

Em um dos cantos da praça Jardín Allende, a principal da cidade, há um enorme Starbucks. Ali, o inglês é o idioma padrão, mas a fachada, em tons quentes como as das cafeterias vizinhas, é discreta e não denuncia o que existe no interior.

No outro extremo da praça chama atenção a grande torre cor-de-rosa da Paróquia San Miguel de Arcanjo, que pode ser vista de longe. A frente do prédio, de arquitetura neogótica, ganha outras tonalidades conforme varia a posição do sol no céu.

Também na praça Jardín Allende está um dos poucos museus históricos do lugar, a Casa de Ignacio Allende. Construído no século 18, o casarão pertenceu a um oficial do Exército espanhol que lutou pela independência mexicana e foi condenado por insubordinação.

Ignacio José de Allende y Unzaga atuou com o padre Miguel Hidalgo, considerado o pai da nação mexicana, que em 1810 declarou guerra à coroa espanhola e comandou o início do movimento pela independência do país.

Além de perambular pelas ladeiras de paralelepípedo que partem da praça principal e que descortinam lojinhas e restaurantes, vale a pena se afastar do centro para alcançar a Fábrica La Aurora, enorme galeria que abriga estúdios de artistas locais, lojas de móveis, cafés e restaurantes.

No fim do dia, um dos principais passatempos de moradores e turistas é escolher um bar com boas vistas da igreja para ver o pôr do sol. 

O bar Luna Tapas, na cobertura do hotel Rosewood, tem uma vista desimpedida e apresentações de bandas locais no happy hour. Com diárias a partir de R$ 1.500, o hotel ocupa uma enorme casa laranja e já foi eleito um dos melhores do país. 

Mais econômica, a Posada Maria Luisa fica a poucas quadras da praça principal e tem tarifas desde R$ 200 para o casal, com café da manhã.

A uma hora e meia de carro de San Miguel de Allende está Guanajuato, que é capital do estado homônimo e contraponto à atmosfera calma de Allende. 

A cidade viveu seu apogeu no século 16, quando foi um dos maiores centros de exploração de prata no mundo. Hoje mais pujante que suas vizinhas, é destino de estudantes de todo o México que se encontram na Universidade de Guanajuato, uma das instituições de ensino mais antigas do país.

O campus principal, construído no século 18, é ponto turístico. A enorme escadaria que dá acesso ao salão de baile da faculdade é tão famosa que aparece até na cédula de mil pesos mexicanos. 

A melhor vista da cidade é a do mirante El Pípila, acessível por um funicular. Do alto, dá para perceber que Guanajuato é uma cidade não planejada que se esparrama pelas montanhas em vielas e becos tão apertados que parecem cenográficos.

Os próprios alunos da Universidade de Guanajuato são responsáveis por apresentar esses becos aos turistas. 

São os membros do corpo discente que organizam as divertidas “callejoneadas”, passeios noturnos a pé pelas entranhas do centro histórico. Munidos de violões e pandeiros e vestidos com trajes de gala antigos, os guias fazem paradas para contar piadas sobre a história da região e cantar músicas típicas.

A primeira saída costuma ser às 19h, mas o bilhete para a caminhada pode ser comprado em frente ao Teatro Juárez a qualquer hora do dia por 120 pesos (cerca de R$ 25).

O Teatro Juárez é ele mesmo um dos símbolos da cidade. Construído no final do século 19, tem na fachada grandes colunas e estátuas de bronze sobre o seu pórtico. 

O edifício fica em uma das extremidades do Jardín de la Unión, praça de formato triangular circundada por árvores podadas, formando uma cerca viva. Dentro do jardim há uma fonte, um coreto e alguns bancos. Já os arredores da praça são contornados por restaurantes e bares com mesinhas na calçada. 

Alguns metros adiante há outra praça ladeada por bares, a Plaza de la Paz, onde fica a igreja mais importante da região. 

De fachada amarelo-ovo e cúpula de cor terracota, a Basílica de Nossa Senhora de Guanajuato guarda uma imagem da Virgem Maria doada à paróquia local pelo rei Filipe 2º de Espanha.

Seguindo mais à frente na sinuosa rua principal, que liga quase todos os pontos turísticos de Guanajuato e vai mudando de nome a cada praça que atravessa, chega-se ao Mercado Hidalgo, um enorme galpão com as melhores ofertas de suvenires na região.

Só ali se pode encontrar a colorida cerâmica mayolica, que é produzida apenas no estado de Guanajuato e ganha ilustrações de flores e frutos típicos da região. 

Além das louças há ainda estandes de batas de algodão, frutas e legumes frescos, pimentas, tortilhas caseiras e outros tipos de artesanato. 

A cerâmica local está presente também nos bons restaurantes que surgiram no centro histórico nos últimos anos. Um dos representantes dessa leva é o Los Campos, criado por um canadense e uma mexicana que preparam pratos pequenos para compartilhar usando ingredientes regionais e técnicas mediterrâneas.

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