Moradores treinados pelo Airbnb guiam passeios em Porto Seguro

Entre as atividades, estão uma cavalgada e uma visita a uma fazenda de açaí

Fábio da Garota (centro) conduz duas turistas até um vale, todos a cavalo

Fábio da Garota (centro) conduz turistas até o vale dos Búfalos, na região de Porto Seguro Divulgação

Carolina Muniz
Porto Seguro

Em agosto, o Airbnb lançou 15 passeios guiados por moradores de Porto Seguro, no sul da Bahia. As atividades vão desde aula de ioga à beira do rio até visita a uma aldeia pataxó.

Há três anos, a plataforma de aluguel de imóveis por temporada oferece o que chama de experiências —serviço no qual uma pessoa pode guiar viajantes em uma atividade na cidade onde vive.

No Brasil, é a primeira vez que o Airbnb participa ativamente da elaboração desses passeios, fazendo uma curadoria e dando treinamento aos moradores. “A prefeitura nos ajudou a identificar as pessoas que teriam interesse em participar, e o nosso time deu a capacitação”, afirma Leonardo Tristão, diretor-geral do Airbnb na América do Sul.

A maioria das experiências acontece nos distritos de Trancoso e Caraíva. A reportagem conheceu três delas: um tour por uma plantação, uma visita a um ateliê de biojoias e uma cavalgada.

A Fazenda Bom Sossego produz açaí e cupuaçu a sete quilômetros da orla de Porto Seguro. Antes do projeto, a agrônoma Juliana Dória, 25, nunca havia pensando em receber turistas na propriedade. 

A jovem, que hoje comanda a produção, cresceu ajudando o pai, Renato Dória, 62, a cuidar da terra da família. É ela quem conduz o passeio de cerca de duas horas por parte da fazenda, com 800 hectares.

Os visitantes são recebidos com água de coco —também plantado ali. Em seguida, partem para uma caminhada de 1,5 quilômetro que leva à plantação, onde pés de açaí e cupuaçu são cultivados juntos.

Tequila e Maria Julia, duas cachorrinhas vira-latas, acompanham todo o percurso e divertem o grupo enquanto a agrônoma explica cada detalhe, do plantio à colheita.

Quando está maduro, o cupuaçu cai e é recolhido. Com uma casca resistente, tem polpa carnuda —que Juliana oferece para os turistas— e dá o ano todo, diferentemente do açaí, cuja época vai do fim de janeiro até julho.

Durante o tour, feito no começo de agosto, ainda deu para ver alguns frutinhos. Deles, só a camada mais superficial é comestível, depois de processada. Da polpa pronta para consumo, em torno de 12% é açaí, e o restante, água.

Depois da lavoura, todos vão até a fábrica, onde os insumos são beneficiados, embalados e congelados.
A visita termina de volta à sede, onde são servidas receitas preparadas pela própria Juliana: geleias de frutos da fazenda, acompanhadas por bolo de coco e torradas, e uma musse de cupuaçu. É a oportunidade também de comer um açaí puro, sem xarope de guaraná ou aditivos, só batido com açúcar.

A experiência custa R$ 100 por pessoa e pode ser realizada em grupos de até sete, toda sexta-feira, às 9h.
É importante levar repelente e ir de tênis, meia e calça comprida, para evitar picadas de formigas (como aconteceu com a reportagem). A estrada até a propriedade é de terra, mas tem acesso fácil e boa sinalização. 

A 80 quilômetros dali, no povoado de Itaporanga, fica o ateliê do artesão Dionísio Chile, 50, que começou a recepcionar visitantes partir da iniciativa do Airbnb. 

A vila, que inclui uma aldeia pataxó, fica a 14 quilômetros de Trancoso, na estrada que leva a Caraíva. Ali, há lojas de artesanato feito sobretudo com palha e madeira.

Dionísio trabalhou até os 22 anos nas lavouras de Itamaraju, perto de Porto Seguro. Depois, foi encanador em São Paulo, onde brincava de esculpir pedaços de madeira que achava nas obras. Autodidata, voltou à Bahia para fazer o que ama: produzir biojoias com sementes, cocos e ossos.

O tour pelo ateliê começa no quintal, onde estão as matérias-primas do artesão: 25 tipos de palmeira cultivadas por ele e ossos doados por açougueiros. Dionísio mostra a oficina, lugar em que cria brincos, anéis e pulseiras. Ele se empolga ao explicar como funcionam as máquinas que inventou, usadas para cortar e lixar os produtos.

Depois, os visitantes conhecem sua pequena loja. A peça mais barata é um par de brincos (R$ 10), e a mais cara, uma pulseira feita de osso (R$ 120).

Com duração de duas horas, a visita termina com um café, com bolos e sucos —tudo feito pela mulher e pelas três filhas de Dionísio. Disponível em todos os dias da semana, às 14h, sai por R$ 150 por pessoa, em grupos de até quatro.

A terceira experiência vivenciada pela reportagem foi uma cavalgada guiada pelo domador Fábio da Garota, 47, cujo sítio fica a seis quilômetros do centro de Trancoso. Há mais 20 anos, ele dá aulas na região para moradores e turistas.

Com cerca de duas horas, o passeio leva até o vale dos Búfalos, planície onde os animais são vistos pastando. Também há a possibilidade de seguir para a praia dos Coqueiros, entre falésias e manguezais.

De volta ao sítio, Fábio também fecha a atividade com um lanche. A cavalgada pode ser feita de segunda a sábado —por conta do sol, os melhores horários são às 9h e às 15h. O valor é R$ 250 por pessoa, em grupos de até sete. 

Para saber mais sobre as experiências do Airbnb, acesse o link bit.ly/2kAqs7T.

A jornalista viajou a convite do Airbnb

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.