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Em Milão, deixe a lasanha de lado e guarde espaço para os drinques

Aperitivos simples são o melhor acompanhamento para happy hour na capital italiana da coquetelaria

Milão

​​A cidade de Milão destoa da imagem de cartão-postal da Itália. Não tem a beleza fácil de Roma ou Florença; está mais para São Paulo, onde o belo se esconde entre os prédios modernos e as paisagens cinzentas. 

A comida típica não é macarrão, é arroz. E o vinho fica em segundo plano. Repleta de bares, a metrópole é a capital italiana da coquetelaria.

Em Milão, o visitante descobre as peculiaridades da cultura de bar local. É nesses espaços que se toma o café da manhã —um expresso ou cappuccino, um pãozinho doce e nada mais.

Quando a tarde cai, entra em cena uma fabulosa invenção do país: o aperitivo.

A happy hour tem comida grátis, pois o italiano não consegue conceber a bebida fora do contexto gastronômico.

Na sua versão mais discreta, o aperitivo é um pequeno petisco que acompanha cada drinque. Pode ser amendoim, batata chips, uns cubos de queijo, algumas azeitonas.

A concorrência acirrada, porém, turbinou a oferta de comida nos bares milaneses. 

Em alguns lugares, há bufê à disposição, com frios, conservas, pizzas e até lasanha. Esses aí são para os mortos de fome; se você quiser beber bem em Milão, deve se contentar com o amendoim.

A escola italiana de mixologia se destaca pelo uso generoso do amaro (infusão amarga à base de álcool) e do vermute (infusão à base de vinho).

“O amargo é parte da cultura italiana desde o Império Romano. Gostamos de rúcula, chicória, alcachofra”, afirma Tommaso Cecca, gerente do Camparino, um bom ponto de partida para um giro pelos bares milaneses.

Localizado na Piazza del Duomo, centro geográfico da cidade, bem na entrada da galeria Vittorio Emmanuele, o espaço é de propriedade do grupo Campari, que fabrica a famosa bebida vermelha de mesmo nome.

Com garçons engravatados e cadeiras estofadas de veludo, o Camparino é um estabelecimento onde a tradição é seguida à risca.

Os pedidos se concentram no negroni —campari, vermute e gim em partes iguais—, coquetel que chegou aos cem anos de vida com popularidade inédita no mundo inteiro. Para petiscar, um aperitivo espartano: batatinhas, azeitonas verdes e folhado de aliche.

Ou pelo menos era assim: o bar fechou para reformas, cheio de mistérios mil, no meio do verão europeu.

A Campari, que prometia reabrir o ponto no outono, desconversa sobre as mudanças.

Com a mesma pegada histórica, vale uma visita ao bar Basso, onde presumidamente se inventou o coquetel negroni sbagliato (ou “negroni errado”), em que o gim é substituído por espumante. 

Aberto em 1947, o Basso tem garçons que estão lá, aparentemente, desde a fundação.

Não espere cortesia. Divirta-se com o mau humor do serviço e peça um negroni. Um só, pois o drinque ali vem em uma taça gigante —chamada de “bicchierone”, um copão. 

Aprecie a arquitetura e rume para a Milão contemporânea.

A vida etílica da juventude milanesa se concentra nas imediações do Naviglio Grande, um canal de água transparente usado para treinos de equipes de remo. 

A região tem bares para diversos gostos, de cervejarias, wine bars e espeluncas com música ao vivo às arapucas turísticas com lasanha à vontade no aperitivo.

Dá para fazer uma maratona de coquetéis numa caminhada de um pouco mais de dois quarteirões.

O Pinch, à beira do canal, é calculadamente escuro e ensebado para parecer um inferninho underground dos Estados Unidos. 

Da caixa de som sai blues e da chapa saem hambúrgueres, mas o som que sai da boca da clientela é inconfundivelmente italiano. 

Para acompanhar as bebidas durante o aperitivo, petiscos criativos como cuscuz marroquino e gaspacho .

Alguns passos a sudoeste está o Rita, com uma pegada bem diferente. O balcão ocupa quase todo o ambiente, que é claro e ruidoso. A música é brasileira (Jorge Ben Jor, Seu Jorge, Caetano). 

E a carta de coquetéis é humorística. Tem os drinques para “comer gente”, os para “consertar problemas”, os para “fugir da realidade” e, como não poderia deixar de ser, aqueles para “esquecer”.

Completando a volta na quadra, o Iter tem clima romântico e sotaque francês —evidente no uso de bebidas como chartreuse (um licor de ervas) e conhaque.

Já é hora de cambalear de volta para o hotel. 

Por sorte, perto do meu, havia um dos melhores bares da cidade, o Botanical Club. Ou seja, saideira inevitável. O espaço fabrica o seu próprio gim, um prodígio.

Depois de um ou dois gim-tônicas metidos a besta, a última escala: o mercadinho 24h, para água e aspirina. 

Na manhã seguinte, o café forte da Itália completaria a cura da ressaca.

 

Onde beber em Milão

1) CAMPARINO
Piazza del Duomo, 21, 20121

Nada de refeições. Serve apenas as comidinhas que fazem parte do aperitivo e croissants (€ 2,50 ou R$ 11) para acompanhar o café expresso (€ 4 ou R$ 17). No momento, está fechado para reforma

Drinques

Shakerato (€ 13 ou R$ 57) -Campari batido com gelo até ficar espumante
Garibaldi (€ 15 ou R$ 66) - Campari com suco de laranja

2) BAR BASSO
Via Plinio, 39, 20020

Cardápio enxuto e sem invenções. As opções vão do club sandwich (peito de peru, bacon, alface e tomate, por € 10 ou R$ 44) à lasanha à bolonhesa (€ 9 ou R$ 39)

Drinques

Negroni no bicchierone (€ 11 ou R$ 48) - Drinque clássico servido em um copão
Sbagliato (€ 11 ou R$ 48) - Campari, vermute e espumante, servido no bicchierone (copão)

3) PINCH
Ripa di Porta Ticinese, 63, 20143

Cardápio de inspiração norte-americana, com cheeseburger (€ 12 ou R$ 53), asas de frango ao molho barbecue (€ 10 ou R$ 44) e salada caesar (€ 12 ou R$ 53)

Drinques

Casa Azul (€ 10 ou R$ 44) - Tequila, bitter (infusão amarga), sucos de grapefruit e de limão, concentrado de gengibre e xarope de agave
Virgo (€ 10 ou R$ 44) - Campari, vermute seco e licor de amora

4) RITA
Via Angelo Fumagalli, 1, 20143

Serve brunch aos sábados. O completo, com pães, sucos, geleias e um prato principal, custa € 29 (R$ 128). O cardápio também tem ovos benny (com salmão defumado, molho hollandaise e espinafre), por € 14 (R$ 62)

Drinques

Casablanca (€ 10 ou R$ 44) -  Gim, bitter, gengibre, suco de limão, água com gás
Rosalia (€ 10 ou R$ 44) - Tequila com orégano, campari com erva-doce e vinho marsala

5) ITER

Via Mario Fusetti, 1, 20143

Oferece petiscos e pratos com sotaque francês, como os escargots na manteiga de alho (€ 13 ou R$ 57) e a bouillabaisse, uma tradicional sopa de peixe (€ 22 ou R$ 97)

Drinques

Cognac sbagliato (€ 10 ou R$ 44) - Campari, conhaque, espumante e suco de uva
Provenzale (€ 8 ou R$ 35) - Gim, bitter, lavanda, rosa, limão-siciliano, suco de mexerica e manjericão

6) BOTANICAL CLUB
Via Tortona, 33

Petiscos de influência oriental, como o roll de salmão, missô e ovo de codorna (€ 9 ou R$ 39)

Drinques

1821 (€ 8 ou R$ 35) - Gim produzido na casa, xarope de limão, suco de limão-siciliano, ginger beer e angostura
Underdog (€ 7 ou R$ 31) - Vermute tinto, cynar, amaro, bitter de chocolate

PACOTES

R$ 276 
2 noites em Milão, na Top Brasil Turismo 
Em acomodação dupla, com café da manhã. Preço por pessoa. Não inclui passagens aéreas

R$ 3.506 
6 noites em Milão, na CVC
Em apartamento duplo. Sem regime de alimentação, mas com passagens aéreas a partir de São Paulo. Preço por pessoa

€ 879 (R$ 3.893) 
7 noites entre Milão, Florença, Veneza e Roma, na Venice Turismo 
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios panorâmicos pelas cidades e traslados. Preço por pessoa. Não inclui passagens aéreas

R$ 3.699 
7 noites em Milão, no Decolar
Hospedagem em apartamento duplo, com café da manhã. Preço por pessoa. Inclui passagens aéreas a partir de São Paulo

US$ 969 (R$ 3.905) 
7 noites entre Milão, Florença, Roma e Veneza, na BWT 
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui city tours, roteiros  em Perúgia, Assis e Pádua, passeio de lancha no lago de Garda, guia durante todo o percurso, traslados e seguro-viagem. Preço por pessoa. Não inclui passagens aéreas

€ 996 (R$ 4.412) 
8 noites entre Roma, Milão, Veneza e Florença, na Schultz 
Em acomodação dupla, com café da manhã. Inclui tours pelas cidades de Verona, Pádua, Ferrara, Assis e Perúgia e passeio de barco pelo lago de Garda. Preço por pessoa. Não inclui passagens aéreas. Pacote válido até 22 de março de 2020

US$ 1.100 (R$ 4.433) 
7 noites em Milão, na Maringá Lazer 
Em apartamento duplo, com café da manhã. Inclui seguro-viagem e chip de celular com dados pelo período da estada. Preço por pessoa. Inclui passagens aéreas a partir de São Paulo. Pacote entre 1 e 9 de junho do ano que vem

US$ 1.308 (R$ 5.271) 
8 noites entre Milão, Florença, Veneza e Roma, na Flot 
Hospedagem em acomodação dupla, com meia pensão. Inclui passeios panorâmicos com guia em espanhol e inglês, visitas a Sirmione, Verona, Cinque Terre, Siena, Pisa e Assis. Preço por pessoa. Não inclui passagens aéreas

€ 3.510 (R$ 15.549) 
9 noites entre Milão, Florença, Siena e Cortona, na Interpoint 
Em quarto duplo. Inclui café da manhã e locação de veículo por sete dias. Preço por pessoa. Não inclui passagens aéreas
 

O jornalista viajou a convite da Campari

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