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Jairo Marques

Empatia e bom senso na recepção compensam falhas de estrutura

Investir em inclusão abre as portas para novos públicos, que podem ser turistas como qualquer outro

Não importa se serão alguns dias em uma casinha, meio pousadinha, lá na Marambaia ou quinze dias em um resort luxuoso à beira do mar do Caribe. O que todo o mundo espera para passar bons tempos de lazer e descanso é que, durante a hospedagem, suas necessidades sejam entendidas e que o estabelecimento se proponha a atendê-las a contento.

É assim também para pessoas com deficiência. Ser bem recebido atenua a falta de uma rampa aqui ou acolá, uma interpretação equivocada das condições do hóspede e até um ponto totalmente inacessível nas instalações. 

Isso porque não existe um ambiente que seja totalmente adequado para as mais diversas demandas humanas, mas existem maneiras de tornar uma estadia inesquecível e confortável para todos.

Primeiramente, é fundamental que pontos de turismo sejam profissionais e tenham um projeto arquitetônico universal para sua estrutura. Com isso, problemas básicos de ir, vir e ficar já são driblados de maneira eficiente, diminuindo muito o estresse de turistas idosos, com limitações de mobilidade, comunicacional ou intelectual.

 

Dentro desse conceito, é importante lembrar que não basta tornar acessível o hall, um quartinho com vista para os fundos e o restaurante. 

O turista com deficiência quer nadar na piscina, ir ao spa, à sauna, chegar pertinho do mar, subir a montanha, usar o complexo de diversão.

Investir em um negócio inclusivo, além de estar de acordo com as demandas de um mundo moderno e diverso, é abrir possibilidades de novos públicos, que vão consumir, repercutir e voltar onde foram bem recebidos e podem ser turistas como qualquer outro. É básico.

Quando se fala em pessoas com autismo, público que, aos poucos, tem se mostrado mais e se colocado como cidadão de direito no Brasil, algumas questões envolvendo o turismo vão precisar um pouco de atenção específica, mas, novamente, nada que vá mudar os rumos da civilização.

Algo importante, que pode fazer a diferença para esse grupo e suas famílias —e relativamente simples de ser atendido—, é saber se o hóspede tem alguma restrição ou seletividade alimentar. 

A oferta hoje de produtos que atendam as mais variadas demandas alimentares é grande e ter esse cuidado, sobretudo no café da manhã, é ganhar muitas estrelinhas em rankings de classificação de hospedagens e de restaurantes locais com alto fluxo de pessoas.

No caso de atividades lúdicas ou de descontração oferecidas a crianças, um alerta precisa ser acionado: o de não segregar ninguém, em qualquer situação, momento ou local.

Vale orientar monitores da regra que "brincar junto é sempre mais legal" e de que, às vezes, será necessário flexibilizar a lógica de alguma brincadeira para que todos participem dela. 

Também é fundamental que haja atenção para evitar superestimulações ou excessos de barulho que possam afetar uma criança com autismo, por exemplo. 

Vale anotar que uma manifestação de um pequeno com deficiência intelectual pode ser atípica, parecer estranha, mas está tudo certo. As formas de demonstrar contentamento ou frustração não são as mesmas para todos.

Redundando ideias, o que qualquer um deseja ao sair de casa para passear é ter um momento agradável para exibir no porta-retratos, para guardar nas lembranças e para acalentar alma. 

Então, que do lado do balcão de quem oferece tudo isso nunca falte o bom senso, a empatia e o espírito de colaboração. É assim que se inclui.

Jairo Marques

Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, tem pós-graduação em Jornalismo Social pela PUC-SP. É repórter e colunista de Cotidiano, escrevendo sobre acessibilidade. Mantém o blog Assim como Você.

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