Descrição de chapéu Destinos

Moscou exibe sua transformação para conquistar mais estrangeiros

Capital russa quer 32 milhões de turistas em 2025; maioria de visitantes, hoje, é do próprio país

Moscou

Algumas cidades têm cara definida: prédios parecidos, uma cor particular. Não é o caso de Moscou. Na capital da Rússia, edifícios de arquitetura bizantina convivem com construções soviéticas e arranha-céus espelhados.

É uma cidade acostumada a se transformar —apenas 5% do que o viajante vê hoje foi construído antes de 1917, segundo a explicação de Nikita Tokarev, diretor da Escola de Arquitetura de Moscou.

“A Moscou contemporânea é um produto do último século”, diz ele. “A destruição era permanente e significativa, assim como novas construções.”

O ritmo de mudanças se acelerou na preparação para a Copa do Mundo do ano passado. No período entre 2011 e 2018, 350 ruas foram renovadas, parques foram criados e estações de metrô começaram a ganhar placas em inglês —até o fim do ano, todas devem ter informações traduzidas.

Com a modernização, Moscou quer receber mais visitas. No ano passado, foram registrados 23,5 milhões de turistas, sendo mais de 70% da própria Rússia. A expectativa do comitê de turismo da cidade é atrair estrangeiros e chegar a 31,8 milhões de visitantes em 2025, um crescimento de 35%.

Uma das novas atrações da cidade é o parque Zaryadye, inaugurado em 2017. Fica no centro de Moscou, em um espaço que, na época da União Soviética, era ocupado por um hotel, o maior do mundo no tempo da sua construção.

O parque dá a oportunidade de vislumbrar paisagens de outros cantos da Rússia. Seus canteiros têm vegetações representativas de todos os biomas do país. São mais de 1 milhão de plantas típicas de florestas, estepes, pradarias. 

Por meio de um simulador, o visitante pode observar represas, montanhas e cidades russas, como por exemplo São Petesburgo e Sochi. Entra-se numa cabine, que é suspensa no ar enquanto uma tela à frente exibe diferentes lugares vistos de cima.

O resultado é realista e a sensação é a de estar voando —os movimentos do brinquedo são suaves, não há emoção.

A atração custa a partir de 690 rublos (R$ 44) para adultos, e os ingressos podem ser comprados antecipadamente pelo site zaryadyepark.ru.

O parque Zaryadye é também um espaço cultural: tem uma sala de concertos que recebe até 1.600 pessoas e um pavilhão com iluminação natural reservado para exposições.

Os turistas, no entanto, concentram-se no mirante sobre o rio Moscou. A estrutura é como uma ponte em forma de V, que, ao chegar no meio da água, faz uma curva e volta à margem inicial, em vez de seguir em frente.

De lá, pode-se ver uma das Sete Irmãs, arranha-céus construídos entre 1947 e 1953, no governo de Josef Stalin, emblemas da arquitetura stalinista espalhados pela cidade. Fazem parte da coleção os prédios da Universidade Estadual de Moscou e do Ministério das Relações Exteriores.

Os prédios são representativos da fase stalinista da arquitetura soviética, que vai do fim dos anos 1930 aos anos 1950. Após um período de construtivismo, que privilegiava a função à forma, a cidade começou a ganhar prédios mais decorados. Causar boa impressão era essencial na ideologia soviética, afirma Nikita Tokarev.

Na escola stalinista, observa-se detalhes da arquitetura clássica e construções enormes, que davam à União Soviética uma fachada de prosperidade e poder, diz ele. “A realidade não era essa, mas a parte stalinista de Moscou talvez seja a mais impressionante.”

Chances para ver do alto essa parte da cidade não faltam. Em Moscow City, centro financeiro, há o Panorama 360, mirante mais alto da Europa, no 89º andar de um edifício.

Como indica o nome, a visão é de 360º. Ali há uma fábrica de sorvetes —casquinhas com massa de baunilha são distribuídas de graça, assim como tabletes de chocolate. A entrada para adultos custa a partir de 800 rublos (R$ 51) e pode ser comprada pelo site pnr360.ru.

Do Panorama 360 se vê outro mirante, a torre de televisão Ostankino. A vista de lá é parecida, a diferença é que há cafés e restaurantes a mais de 320 metros de altura. Neles, as mesas ficam sobre uma plataforma giratória, que se mexe lentamente —o único desconforto é causado pelo espaço apertado para sentar.

Para entrar em qualquer prédio público em Moscou você vai passar por detector de metais e mostrar o conteúdo da bolsa. Na torre de TV a segurança é ainda mais rigorosa: checam passaporte e passam seus pertences por um raio-X. Os ingressos custam a partir de 900 rublos (R$ 58).

Para ter a melhor vista da cidade, porém, a entrada é gratuita. No 34º andar do hotel Swissotel, o City Space Bar é todo envidraçado e, por estar no centro, mostra bem o Kremlin e a Praça Vermelha.

Cercado por uma muralha vermelha, o Kremlin, onde a cidade foi fundada, tem um conjunto de catedrais, museus e prédios dos séculos 14 ao 20. O destaque é a praça das catedrais, com três igrejas. Por fora, são brancas, com cúpulas douradas. Por dentro, cheias de pinturas coloridas.

Aos sábados, a praça recebe a cerimônia de troca de guarda, com uma hora de duração. Os ingressos para entrar no Kremlin custam a partir de 500 rublos (R$ 32) —há vários tipos de bilhetes, que podem ser comprados com até dois meses de antecedência.

 

A Praça Vermelha é vizinha da fortaleza. Em uma de suas pontas fica a Catedral de São Basílio, construída no século 16. Com suas torres de cúpulas coloridas em formato de suspiro, é o símbolo da cidade.

No outro extremo está o Museu Histórico Nacional, de 1872. Também na praça fica o shopping Gum, palácio no estilo imperial repleto de lojas de grife, cafés e restaurantes, onde multidões se aglomeram no frio.

A dez minutos de caminhada fica o teatro Bolshoi. Quem quiser assistir a um espetáculo precisa se planejar bem: os ingressos da temporada, que se estende de setembro a junho, são bem concorridos e alvo de cambistas. 

Outra possibilidade para conhecer o lugar sem ver um espetáculo é fazer o tour do prédio. O passeio dura uma hora e inclui uma visita ao ateliê em que são feitos os figurinos dos balés e, com sorte, um ensaio das bailarinas. Os ingressos, vendidos na porta, custam 2.000 rublos (R$ 129).

Moscou é construída como um círculo: o Kremlin é o centro, de onde saem vias radiais que desembocam numa avenida em formato de anel, a Garden Ring. Essa estrutura, somada à rede de metrô, torna a locomoção fácil. São mais de 200 estações e 14 linhas, equipadas com wi-fi.

Comprar um passe para andar de trem à vontade é uma boa: o trânsito é terrível, e o metrô vale a visita.

Há duas explicações para a beleza das estações, cuja construção começou nos anos 1930. A primeira: como a Rússia era o primeiro país socialista a ter metrô, precisava ter o melhor do mundo, para impressionar. A segunda: era uma tentativa do Estado de diminuir a força da religião, mostrando ao povo que não havia inferno sob a terra.

Entre as estações mais bonitas estão a Ploshchad Revolyutsii, com 88 esculturas de trabalhadores, soldados e camponeses; a Mayakovskaya, cujo teto tem mosaicos que ilustram um dia na vida do país; e a Komsomolskaya, com painéis formados por pastilhas banhadas a ouro.

É possível se locomover no metrô sem saber um A no alfabeto cirílico (ou, mais precisamente, um B: o A todos sabem, porque é igual no latim). Aprender a identificar as letras não é tão difícil quanto parece.

A jornalista viajou a convite do Comitê de Turismo de Moscou


Pacotes

R$ 603
3 noites em Moscou,na Top Brasil Turismo (topbrasiltur.com.br)
Hospedagem em quarto duplo no hotel Mir Abat, sem regime de alimentação. Preço por pessoa. Sem aéreo

US$ 640 (R$ 2.611)
3 noites em Moscou, na Trains & Tours Lufthansa City Center (lufthansacc.com)
Hospedagem em quarto duplo no Holiday Inn Lesnaya, com café da manhã. Inclui city tour, entrada na catedral de Cristo Salvador, traslados, transporte para os passeios na rua Arbat e no Kremlin e guias em espanhol. Por pessoa. Sem aéreo

US$ 1.126 (R$ 4.594) 
3 noites entre Moscou, Suzdal e Yaroslav, na Top Brasil Turismo (topbrasiltur.com.br) 
Em quarto duplo, com café da manhã e mais cinco refeições Inclui traslado de saída. Preço por pessoa. Sem aéreo 

US$ 1.558 (R$ 6.356) 
5 noites entre Moscou e em São Petersburgo, na Flot Viagens (newsite.flot.com.br)
Em quarto duplo no Marriott Grand e no Kempinkski Moika 22, com café da manhã. Inclui traslados, visita ao Kremlin e ao Museu Hermitage. Preço por pessoa. Inclui aéreo entre as cidades russas

US$ 2.499 (R$ 10.195) 
12 noites entre Moscou, São Petersburgo, Helsinque e Estocolmo, na BWT (bwtoperadora.com.br) 
Três noites em Moscou, uma no trem Moscou-São Petersburgo, três em São Petersburgo, duas em Helsinque, uma no cruzeiro Helsinque-Estocolmo e duas em Estocolmo. Em quatro duplo, com café da manhã. Inclui passeios com vista panorâmica, traslado e guia em português. Valor por pessoa. Sem aéreo

€ 3.225 (R$ 14.597)
6 noites entre Moscou e em São Petersburgo, na Interpoint (interpoint.com.br) 
Três noites em Moscou e três em São Petersburgo. Hospedagem em quarto duplo no The Ritz-Carlton e no Grand Hotel Europe, com café da manhã. Inclui ida a museus, monumentos e ao teatro Mariinsky. Com traslados e guias em espanhol ou português. Preço por pessoa. Sem aéreo

3.659 (R$ 16.575)
7 noites entre Moscou 
e São Petersburgo, na Kangaroo Tours (kangaroo.com.br) 
Três noites em Moscou e quatro em São Petersburgo. Hospedagem em quarto duplo no Baltschug Kempinski Moscow e no Astoria Hotel, com café da manhã. Inclui traslado do hotel ao aeroporto, bilhete de trem Sapsan, passeios nas duas cidades e visita ao ao museu Hermitage. Valor por pessoa. Sem aéreo

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.