Descrição de chapéu Destinos

Histórias de cinema e cultura autêntica são trunfos da costa oeste do México

Cenário de filme e esconderijo de astros, Vallarta sublinha sua mexicanidade distinta, oposta a Cancún até na geografia

Daniela Mercier
Puerto Vallarta e Riviera Nayarit (México)

Difícil falar em praia no México e não pensar no Caribe. Mas dá para fugir do destino mais visitado por estrangeiros no país e aproveitar o calor que dura o ano todo com o pé na areia e um drinque de tequila na mão.

Uma das opções mais interessantes para o turista praieiro que não quer ficar restrito a um resort está do lado oposto a Cancún: numa faixa de 300 km banhada pelo Pacífico, nos estados de Nayarit e Jalisco —terra oficial da tequila.

É uma área pouco visitada por brasileiros. A viagem se inicia em Puerto Vallarta, cidade já bastante explorada por americanos e canadenses como refúgio no inverno.

Depois de Cancún, Cidade do México e Los Cabos, lá fica o quarto aeroporto que mais recebe estrangeiros no país.

Antigo vilarejo de pescadores, Vallarta entrou no mapa com histórias de cinema. Dentro das telas, foi o cenário de “A Noite do Iguana” (1964), dirigido por John Huston (1906-1987) e estrelado por Ava Gardner (1922-1990) e Deborah Kerr (1921-2007). Fora delas, foi o refúgio do seu protagonista, Richard Burton (1925-1984), com a então amante Elizabeth Taylor (1932-2011) —a quem conhecera antes, na filmagem de “Cleópatra”, e com quem acabou casando por duas vezes. 

Hoje, a piscina azul turquesa que lembra os olhos da atriz pode ser vista pelos hóspedes da Casa Kimberly, hotel em que foram transformadas duas casas ligadas por uma “ponte do amor”: a residência de Burton e a que ele deu de presente para Taylor na época do filme e que só foi vendida por ela nos anos 1990.

Os dois casarões coloniais foram reformados e abertos para hospedagem em novembro de 2015. Porém, grande parte da estrutura montada pelo casal está mantida, como a banheira de mármore em formato de coração que decora uma das nove suítes. 

Quem não é hóspede pode fazer reservas para jantar no restaurante do lugar, The Iguana, de cozinha contemporânea. Instalado no terraço, oferece uma vista da cidade e da baía das Bandeiras, e tem um bar especializado em drinques feitos com tequila, mezcal e raicilla —outro típico destilado mexicano, feito do agave, só que mais específico desta região.

Nos últimos anos, Vallarta se consolidou como centro de mais romances. É o único destino mexicano com uma “gayborhood”: são 70 negócios voltados à comunidade LGBT, incluindo hotéis, restaurantes, clubs e tours.

Um dos principais eventos anuais é o Vallarta Pride, que atrai mais de 15 mil pessoas, segundo o turismo local. Neste ano, a festa acontece de 17 a 24 de maio. A maior parte desse circuito se situa na chamada Zona Romântica, região boêmia entre o centro antigo e a orla. Essa área termina no píer da praia Los Muertos, uma grande estrutura em formato de barco a vela inaugurada em 2013, que virou símbolo da cidade e lugar certeiro para contemplar o pôr do sol.

Por atrair viajantes jovens, Puerto Vallarta abriga restaurantes com versões autorais e modernas da cozinha mexicana. A experiência mais saborosa, porém, está na rua. As tradicionais barracas de tacos (tortilhas de milho), algumas já na terceira geração de famílias, servem todo tipo de recheio. É possível provar uma variedade deles em poucas horas de um tour de caminhada e degustação.

No Vallarta Food Tours são oito pontos de parada onde há dos mais básicos tacos de peixe ao controverso taco de “cachete” (bochecha, entre outras partes exóticas da cabeça do boi). O mais típico é  o taco “al pastor” (carne de porco grelhada no espeto, inspirado no shawarma árabe).

 Para rebater a pimenta, o indicado é pedir a água de jamaica (chá gelado de hibisco), que costuma ser servida de cortesia. Para variar o sabor, há outras opções de águas frescas, como a de pepino.

Oferecer experiências mais autênticas aos viajantes parece ser uma das apostas da região para compensar a paisagem menos estonteante que a da rival caribenha.

A proposta fica mais evidente quando você sai de Vallarta rumo ao estado vizinho, Nayarit. É lá que estão 23 microdestinos, entre cidades e povoados, que na década passada receberam a denominação turística de riviera, formando a Riviera Nayarit.

Na charmosa Sayulita, um dos “pueblos mágicos” mexicanos, o colorido das arte indígena “huicol” (miçangas que moldam bijuterias e esculturas) é reforçado com a arte urbana. Imagens estilizadas da pintora Frida Kahlo e do líder revolucionário Emiliano Zapata decoram lojas, bares e pousadas e dão um ar ainda mais jovem à localidade, que é um dos pontos preferidos de surfistas na região.

Perto dali está o Planeta Cacao, projeto de agroturismo e para difundir a cultura do chocolate artesanal.
O espaço foi aberto em 2018 para ensinar ao público a história, o plantio do cacau e o processo de produção do chocolate. Oferece, além do tour pela plantação, uma oficina em que o turista elabora passo a passo o seu próprio doce, desde a extração da semente até a confecção da barra. 

O “cacahuatl”, amargo e consumido como bebida fria, era considerado sagrado pelos astecas. Depois, o chocolate chegou à Europa pelos espanhóis, onde ganhou a forma doce que conhecemos.

 A pesquisadora Laura Aguilar, da Universidade de Guadalajara e especializada em turismo social, é uma das criadoras da iniciativa. Para ela, a região de Puerto Vallarta e Riviera Nayarit tem uma “tradição gastronômica viva em sua simplicidade e sua história” devido à persistência de aldeias e comunidades antigas. “Temos uma maneira única de representar a mexicanidade, muito diferente da de Cancún e Los Cabos”, afirma.

A repórter viajou a convite do escritório de promoção turística de Puerto Vallarta e Riviera Nayarit


ONDE SE HOSPEDAR E O QUE FAZER

HOTÉIS

Casa Kimberly
Hotel em Puerto Vallarta funciona nas antigas casas dos atores Elizabeth Taylor e Richard Burton, ligadas por uma ponte. Tem nove suítes, spa, piscina, restaurante ao ar livre e um bar especializado em tequila
Site: casakimberly.com

Imanta
Localizado em uma reserva florestal privada, esse eco-resort se destaca na região de Punta de Mita pelo contato com a natureza. São sete tipos de chalés, um spa e dois restaurantes, um deles à beira-mar, além de um bar
Site: imantaresorts.com

W Punta de Mita 
Tem cinco restaurantes, spa, acesso privativo à praia e suítes coloridas inspiradas nos pueblos da região 
Site: marriott.pt/hotels/travel/pvrwh-w-punta-de-mita/

PASSEIOS

Planeta Cacao
Projeto que visa resgatar a história do cacau na região, realiza uma oficina de produção de chocolate artesanal, além de degustação. Informações no site planetacacao.mx

Vallarta Food Tours 
Passeio combina degustação de comida de rua e apresentação da cidade, com visita a oito barracas de taco, entre outros pontos. Veja mais em vallartafoodtours.com

Vallarta Adventures Operadora responsável pelo acesso à praia Las Caletas, também realiza passeio às ilhas Marietas e um específico para a praia Escondida (que depende das condições da maré e outras restrições).Reservas pelo site vallarta-adventures.com


PACOTES

R$ 466 
3 noites em Puerto Vallarta, na Top Brasil (topbrasiltur.com.br
Sem regime de alimentação ou passeios. Preço por pessoa. Não inclui aéreo

R$ 3.815 
7 noites em Puerto Vallarta, no Decolar (decolar.com
Sem regime de alimentação. Inclui traslados. Preço por pessoa. Com aéreo a partir de São Paulo

US$ 1.080 (R$ 4.687) 
7 noites em Nuevo Vallarta, na Maringá Lazer (maringalazer.com.br
Em regime all-inclusive. Inclui traslados e seguro-viagem. Valor por pessoa. Com aéreo a partir de São Paulo

US$ 1.153 (R$ 5.004) 
4 noites em Puerto Vallarta, no Meliá (melia.com
Em quarto com vista para o mar, com regime all-inclusive. Preço para o casal. Sem passagens aéreas

cotação: US$ 1 = R$ 4,34

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