É melhor acumular do que trocar ou vender suas milhas durante a quarentena

Tentar ganhar dinheiro com pontos na pandemia é arriscado, porque empresas têm atrasado pagamentos

São Paulo

Já que o turista não pode usar suas milhas para viajar agora, uma opção seria vendê-las para conseguir uma renda extra na crise. No entanto, especialistas nesse mercado afirmam que está arriscado fazer esse tipo de transação no momento.

"Todo o setor do turismo está sofrendo com o coronavírus, inclusive as empresas de compra e venda de milhas, que deixaram de pagar nas datas corretas", diz Alexandre Zylberstajn, sócio do site Passageiro de Primeira, especializado em aviação e programas de fidelidade.

Além dos atrasos nos pagamentos, outra questão a ser levada em conta é a queda do preço do milheiro (unidade que corresponde a mil milhas), afirma o engenheiro Rodrigo Goés, que ministra cursos online voltados para a gestão desses créditos.

"Se a pessoa quiser vender as milhas neste momento, só recomendo se for uma venda direta para alguém, emitindo uma passagem aérea para quem está se planejando para viajar depois", diz.

No Brasil, o mercado de milhas não é regulamentado. Contratos de programas de fidelidade não autorizam a cessão de pontos a terceiros. Ao mesmo tempo, não existe lei que proíba a comercialização.

Uma alternativa que também pode ser considerada neste momento é a troca de milhas por produtos. Essa não é a opção que maximiza o uso dos pontos, mas pode ser útil para quem precisa transformar esses créditos em bens de consumo, afirma Zylberstajn.

"Numa situação normal, não oriento a fazer a troca, porque, muitas vezes, se a pessoa vender essas milhas consegue comprar até dois produtos com o valor. Mas, agora, pode ser uma saída para muita gente", completa Goés.

Em muitos casos, o consumidor consegue trocar seus pontos por mercadorias de uso cotidiano, caso de itens de limpeza e higiene pessoal, além de aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos.

Mas, para não sair perdendo, é importante comparar valores e pesquisar promoções antes de fazer a transação.

Uma dica é ficar atento não só ao preço do produto em milhas mas ao bônus oferecido para a transferência dos pontos do cartão de crédito para um programa de fidelidade, recomenda Goés.

Por exemplo: um produto pode custar 20 mil milhas em um programa e 30 mil em outro, só que neste último o cliente ganha 100% de bônus na transferência de pontos. Isso significa que, se ele transferir 20 mil milhas, vai ganhar mais 20 mil, chegando a 40 mil no total. E aí a mercadoria, apesar ter o valor mais alto, vai custar menos.

Mas, na opinião dos especialistas, quem puder esperar não deve gastar seus créditos agora. "A gente não consegue usar as milhas para viajar, mas o período está excelente para acumular e turbinar esse acúmulo", diz Zylberstajn.

Competindo pelos consumidores neste momento de crise, programas de fidelidade estão oferecendo promoções vantajosas, com bonificações mais altas e também mais tempo para utilizá-las.

A Smiles tem lançado campanhas semanais para estimular o acúmulo de milhas. Uma delas dá 200% de bônus para os usuários que transferirem pontos entre contas do programa até esta sexta (24). Entre os benefícios oferecidos pelo Latam Pass está a extensão da validade dos pontos para três anos.

Além disso, as companhias aéreas também começam a oferecer boas condições para o resgate das milhas quando acabarem as restrições à circulação. "O setor está com sede de turista. Assim que for seguro viajar, quem acumular vai estar com um saldo cheio para usar em promoções", afirma Zylberstajn.

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