Anvisa integra grupo na OMS para criação de certificado internacional de vacinação

Para infectologista, documento ainda depende de informações sobre contaminação e transmissão de assintomáticos

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São Paulo

As agências de turismo acompanham com atenção a possível criação de um documento que comprove que o viajante foi vacinado contra a Covid-19. "A vacina é a única cura para a economia do turismo", diz Edmilson Romão, vice-presidente da Abav (Associação Brasileira das Agências de Viagens).

Ele acredita que um documento desse tipo será exigido para viagens internacionais, mas não imagina cobrança em atrações turísticas, restaurantes e hotéis brasileiros. "Eles já têm que obedecer ao protocolo sanitário da cidade e do estado", diz.

Já para a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), ainda é cedo para falar em passaporte de imunidade. "Nossa prioridade é ampliar a vacinação, estamos transportando gratuitamente as vacinas", afirma Eduardo Sanovicz, presidente da entidade.

Ilustração de pessoa carimbando passaporte
Catarina Pignato

Questionada sobre o desenvolvimento de um passaporte nacional de vacinação, a Anvisa (Agência Nacional de Segurança Sanitária) informou que participa de um grupo de trabalho instituído pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para discutir a criação de um certificado internacional. A agência afirmou ainda que articula ações com os ministérios da Economia e da Saúde para o caso de o documento vingar.

O uso de passaportes de vacinação como forma de retomar viagens internacionais pode ser atrapalhado pelo pouco conhecimento que ainda existe sobre a efetividade da vacina para evitar contaminações assintomáticas e a transmissão da Covid-19 nesses casos, afirma a infectologista Mirian Dal Ben, do hospital Sírio-Libanês.

"A pessoa vacinada aqui poderia levar a variante brasileira da doença para os Estados Unidos", diz.

Outro ponto que as agências regulatórias terão que resolver é se todas as vacinas serão aceitas por todos os países. A Coronavac foi aprovada no Brasil, mas não nos EUA, por exemplo.

“Será que os países só vão aceitar as vacinas aprovadas pelas suas próprias agências regulatórias?”, questiona a médica, que acredita que poderiam existir, pelo menos no início, certificados diferentes para cada vacina. “Isso terá que ser discutido em fóruns internacionais."

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