Descrição de chapéu Folha Verão férias verão

Costa do Descobrimento retoma turismo e promete 'verão dos verões' na Bahia

Mesmo com restrições, pousadas e hotéis têm ocupação acima de 95% e agenda cheia até 2022

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Artesanato de casinhas e igreja de Trancoso para turistas à venda na vila do Quadrado Eduardo Knapp/Folhapress

Porto Seguro

Um vaivém de lanchas percorre a costa sul de Porto Seguro, ligando praias como Caraíva, Satu, Espelho e a vila de Trancoso. Na faixa de areia, turistas lagarteiam em cima de espreguiçadeiras e sentem a brisa fresca que afaga e atenua o calor de um sol de 32 graus.

Empunhando telefones celulares, não querem notícias sobre pandemia e suas novas variantes. Fazem retratos de si mesmos, ouvem música e tentam relaxar neste novembro que prenuncia aquele que deve ser o "verão dos verões" na Costa do Descobrimento, sul da Bahia.

Vista do Quadrado de Trancoso, na Bahia - Eduardo Knapp/Folhapress

Depois de enfrentar um ano difícil em 2020, a região de Porto Seguro —segundo principal destino turístico da Bahia— iniciou a retomada do turismo em julho deste ano, com a definição de protocolos de saúde e o retorno gradual de festas, shows e eventos.

Nas portas do início de mais um verão, pousadas e hotéis estão com ocupação acima de 95% e agenda cheia até próximo ano. Mesmo com as festas públicas de Réveillon canceladas e o Carnaval ameaçado após o surgimento da nova variante ômicron da Covid-19, o clima é de otimismo na região.

"A nossa expectativa é de ocupação máxima nos próximos meses. Porto Seguro, sem dúvida, terá o verão dos verões", afirma o vice-prefeito e secretário municipal de Turismo Paulo Cesar Onishi, conhecido como Paulinho Toa Toa.

Além da demanda reprimida por viagens após quase dois anos de pandemia, o cenário econômico foi um empurrão a mais para a região: o dólar em alta fez com que os turistas brasileiros optassem por destinos dentro do próprio país.

Em Trancoso, balneário que é destino de visitantes endinheirados, a retomada ganhou tração ainda no segundo semestre de 2020 e se manteve em alta desde então.

Movimento de turistas nos restaurantes localizados na vila do Quadrado, em Trancoso - Eduardo Knapp/Folhapress

Mesmo em meio a uma segunda onda da pandemia, o Réveillon foi marcado por filas para aterrissar jatinhos nos aeroportos da região e por festas clandestinas que contrariaram decisão judicial vetando festejos de fim de ano na Bahia.

A alta procura dos turistas permaneceu na baixa estação, ganhando ainda mais força na medida em que a vacinação avançou e resultou em uma desaceleração nos casos e mortes por Covid-19 no país.

Proprietários da Pousada Alecrim, em Trancoso, os empresários Karine Hardoim e Wladimir Bruzigueci passaram ao menos seis meses com a hospedaria de sete quartos de portas fechadas após o início da pandemia.

Elas aproveitaram o período para reformar a estrutura da pousada, já de olho na retomada, e colocar em prática o projeto de uma segunda pousada com bangalôs em uma praia mais isolada de Trancoso.

A reabertura da pousada após as reformas aconteceu apenas este ano. Desde então, o movimento é intenso. Quanto mais próximo do verão, maior tem sido procura por novas reservas: "Praticamente não temos mais vagas até janeiro", afirma Karine Hardoim.

Nas ruas e praias de Trancoso, o clima era de quase normalidade entre os turistas na última semana de novembro. Não fosse pelo uso de máscaras por parte dos transeuntes, não restariam lembranças de uma pandemia que ainda persiste.

Na praça do Quadrado, onde está fincada a Igreja de São João Batista erguida em 1656, um grupo de jovens jogava futebol ao entardecer enquanto famílias de turistas percorriam os caminhos de terra batida entre pequenas casas coloridas do sítio histórico que antes abrigava pescadores.

À noite, visitantes lotavam os bares, restaurantes e lojas de grife instaladas no casario do sítio histórico. Nos bares, sentados em mesas sob luzes na cor âmbar, aproveitavam shows de artistas locais no formato voz e violão.

O programa é obrigatório para os turistas que visitam de Trancoso e serve como uma continuidade do que invariavelmente começa nas praias do distrito de Porto Seguro.

Nas praias dos Nativos e Coqueiros, as mais procuradas da vila, turistas curtiam a preguiça sentados sob guarda-sóis, enquanto bebericavam e degustavam pratos regionais. A larga faixa de areia dava segurança aos turistas que caminhavam sem máscaras e erguiam celulares para tirar retratos.

"Agora, a gente já se sente um pouco mais seguro para viajar, ainda mais em um lugar onde a gente pode ficar ao ar livre", diz o servidor público Daniel Louro, 37, que veio de Vitória da Conquista, sudoeste baiano, para passar uma semana em Porto Seguro entre as praias de Arraial D’Ajuda, Trancoso e Caraíva.

Nas barracas de praia, mesas cheias em quase todos os dias da demanda. Supervisor de um restaurante pé na areia na praia dos Coqueiros, Johnny Bonfim, 25, diz que os estabelecimentos da região já não sentem mais os impactos decorrentes do período de portas fechadas: "Eu diria que o movimento está até melhor do que antes da pandemia".

Além dos turistas hospedados em Trancoso, as praias também recebem visitantes que chegam em carros e vans para passar o dia na vila, em um esquema de bate-volta organizado por agências de turismo.

Para quem prefere um esquema mais tranquilo, também há as praias que ficam fora do circuito mais badalado.

Cercada por condomínios de alto padrão, que possuem haras e até aeroporto particular, a praia de Rio da Barra fica ao norte da vila e é praticamente intocada. Para chegar lá, contudo, é preciso de um carro e paciência para encarar cerca de cinco quilômetros de estradas de terra.

Turistas na praia dos Nativos, em Trancoso - Eduardo Knapp/Folhapress

Em um cenário que inclui falésias que se erguem junto ao mar, turistas têm à disposição uma faixa de areia praticamente vazia. Em um início da tarde da última sexta-feira de novembro, eram raros os visitantes que caminhavam na areia ou aproveitavam o mar.

O cenário de tranquilidade é distinto ao das praias que ficam ao sul de Trancoso, caso da Praia do Espelho e da Praia do Satu. Apesar de isoladas, ambas recebem um grande fluxo de turistas que chegam em lanchas, carros ou vans.

Ao sul de Trancoso, a praia do Espelho tem como destaque a paisagem que une falésias, vegetação nativa e o mar. Além disso, arrecifes formam piscinas naturais no período de maré baixa.

Ainda mais ao sul, a vila de Caraíva também está com pousadas cheias e um grande fluxo de turistas, que deixam os carros na margem esquerda do rio Caraíva e atravessam em canoas para a vila que tem cerca de 600 moradores.

Além das praias, bares e restaurantes da própria vila, visitantes também fazem podem fazer passeios de bugue até a isolada praia de Corumbau, em Prado, ou podem seguir de barco até o Centro Cultural Porto do Boi para conhecer mais sobre a cultura dos indígenas pataxós.

Para os próximos meses, a expectativa é de um fluxo de turistas por causa das festas de fim de ano, que acontecem desde as vilas mais badaladas como Trancoso às mais isoladas como Caraíva.

O decreto da pandemia do governo da Bahia permite festas com público de até 5.000 pessoas no estado. Mas a tendência é que os eventos sejam mais restritos nas vilas de menor porte. A prefeitura limitou o público das festas privadas a, no máximo, 850 pessoas em Caraíva e 2.000 pessoas em Trancoso.

O objetivo é evitar um novo repique da pandemia na cidade, que desde o ano passado registrou cerca de 29 mil casos e 246 mortes por Covid-19.

O surgimento da variante ômicron fez a prefeitura de Porto Seguro rever o seu plano de reabertura. O decreto desobrigando o uso de máscaras de proteção contra a Covid-19 em espaços públicos, que entrou em vigor no início de novembro, foi revogado duas semanas depois.

Com máscaras ou sem máscaras, hordas de turistas devem seguir desembarcando na região em busca de momentos de alento após quase dois anos de pandemia.

"É óbvio que a gente não e sente totalmente à vontade. Na praia, a gente procura sempre dar um distanciamento para ficar sem máscara. No hotel, volta a máscara. Não é o ideal ainda, mas é o que dá para fazer", disse o comerciante Arthur Ricoldi, 31, enquanto aproveitava o sol em Caraíva.

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