Descrição de chapéu Coronavírus Ao Vivo em Casa

Ao Vivo em Casa discute segunda onda de Covid-19 na Europa e lições para o Brasil

Mirian de Freitas Dalben, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, será entrevistada nesta quarta, às 17h

São Paulo

A segunda onda de casos do novo coronavírus que atinge a Europa e o que ela pode ensinar sobre os cenários futuros para o Brasil são o tema do Ao Vivo em Casa, a série de lives da Folha para este período de quarentena, nesta quarta-feira (21), às 17h. A infectologista Mirian de Freitas Dalben, do Hospital Sírio-Libanês, será entrevistada pelo jornalista Emilio Sant'Anna.

O atual estágio da Covid-19 na Europa, após a reabertura das economias e da flexibilização das restrições sociais, tem apresentado um padrão diferente do observado no início da disseminação da doença no continente.

Dados mostram que, embora a quantidade de novos casos venha crescendo em diversos países, superando o patamar atingido no início do ano, os números de mortes e de hospitalizações mantêm-se em níveis bastante abaixo dos registrados meses atrás.

Em cada país do continente, a maior parte dos óbitos hoje se concentra em regiões inicialmente poupadas. Nos locais que sofreram mais no começo, as mortes agora estão abaixo da média geral.

Portugal é o único país onde o aumento de hospitalizações e mortes é mais significativo, mas o país foi também mais poupado no início por medidas restritivas à circulação de pessoas, quando chegou a ser apontado como exemplo a seguir.

Mirian de Freitas Dalben ao vivo em casa
Mirian de Freitas Dalben ao vivo em casa - Núcleo de Imagem

Enquanto em seu pico a Covid chegou a matar 22 portugueses por milhão de habitantes, na Espanha os mortos somavam 120 por milhão; na Itália, 91; na França, 53.

Agora, na França, as infecções pelo Sars-CoV-2 aumentaram 213% na comparação com o auge da epidemia. As hospitalizações, porém, equivalem hoje a 26% do anotado no pico, ao passo que os óbitos perfazem somente 13%, segundo dados do Instituto Estáter.

O mesmo se verifica em outras nações severamente afetadas pela primeira passagem da doença, como Espanha, Itália e Reino Unido.

O cenário europeu prenuncia a necessidade de aumentar as testagens no Brasil. Uma das causas apontadas para o menor número de mortes agora na Europa está justamente na ampliação da capacidade de testagens de seus cidadãos.

Nesta terça (20), o Brasil registrou 662 novas mortes pela Covid-19 e 23.690 casos da doença. Com isso, o país chega a 154.888 óbitos e 5.274.817 de pessoas infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.

Além dos dados diários do consórcio, a Folha também mostra a chamada média móvel. O recurso estatístico busca dar uma visão melhor da evolução da doença, pois atenua números isolados que fujam do padrão. A média móvel é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete.

De acordo com os dados coletados até as 20h, a média de mortes nos últimos sete dias é de 546, o que representa um cenário de queda em relação à média de 14 dias atrás. Recentemente, o país chegou a estar em situação de queda da média, mas, em seguida, retornou ao patamar de estabilidade dos dados de mortes.

Os dados são fruto de colaboração inédita entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais.

Também nesta terça, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou um acordo com o estado de São Paulo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac que será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, e afirmou, em reunião com governadores nesta terça-feira (20), que vai incorporá-la ao Programa Nacional de Imunizações.

"A vacina do Butantan será vacina do Brasil", disse Pazuello no encontro. "O Butantan já é o grande fabricante de vacinas para o Ministério da Saúde, produz 75% das vacinas que nós compramos."

O ministro disse também que as vacinas serão fabricadas até início de janeiro e devem ser aplicadas no mesmo mês. Ao anunciar o acordo, Pazuello disse: "Isso reequilibra o processo".

O Ministério da Saúde diz que o valor previsto é de R$ 1,9 bilhão, mas representantes ligados ao governo de São Paulo citam custo de R$ 2,6 bilhões. Os recursos, segundo a Folha apurou, devem ser liberados por meio de medida provisória.

O acordo foi anunciado após dias de crise envolvendo a vacina Coronavac e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e secretários estaduais de Saúde.

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