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12/09/2001
-
09h32
JANIO DE FREITAS
Colunista da Folha
Haverá outro ataque? Hoje, quando? Onde? E como?
O presidente refugiado e os comandantes da maior força do mundo expulsos de sua fortaleza são, todos, incapazes de aplacar a apreensão que é uma experiência sem precedente para o povo dos Estados Unidos. O medo atômico foi uma fantasia paranóica induzida, agora é o medo com a prova viva da tragédia.
Os Estados Unidos contribuíram para a história da humanidade com a invenção de duas formas de guerra: a guerra atômica e a Guerra Fria. Quando, no lugar onde se erguia a mais alta imagem da riqueza, a nuvem quase esférica se elevou como a de Hiroshima, como a de Nagasaki, surgiu o motivo para se supor que nasceu nova forma de guerra.
O que feriu o poder e a soberba dos Estados Unidos está muito além do terrorismo. É a guerra inventiva, algo que o poder militar não pratica e do qual não sabe como se defender. Não foi um alvo urbano e circunscrito, como é da natureza do terrorismo. Um dos alvos foi nada menos que o Pentágono, terror militar do mundo, cidadela da maior concentração de tecnologia bélica, de repente atingido com precisão no seu ponto mais prepotente. Posto em chamas, uma fogueira, o Pentágono sobre o qual, na mesma manhã, poucos jornais noticiavam, com toda a discrição, que mandara bombardear mais uma vez o Iraque, a quinta de ultimamente, como castigo porque os iraquianos abateram, em seu território, um avião-espião não tripulado dos Estados Unidos.
Em uma operação tão meticulosa no planejamento e precisa na execução, a escolha dos alvos não seria aleatória, jamais. Assim como foi atingido facilmente o Pentágono, a Casa Branca poderia sê-lo, em vez das torres de Nova York. Foi poupada, no entanto. Por quê? Seria tudo uma advertência ou uma espécie de convocatória ao poder político, incluindo a demonstração de ineficácia dos meios militares?
Como bem ressalvou a CNN, nem ao menos há a certeza de que a operação procedeu de fora dos Estados Unidos. O maior atentado terrorista antes havido lá foi feito por americano, com mais de cem vítimas em Oklahoma, e a toda semana há alguém distribuindo terror e mortes à bala, com certa predileção por vitimar crianças. As suspeitas se voltam para o Oriente Médio e suas adjacências, mas o fato de que os espiões israelenses não captaram indício algum preserva outras hipóteses.
Criação interna ou externa, o ataque a Washington e Nova York introduziu no cenário mundial elementos imprevistos, dos quais se podem esperar consequências fortes na opinião pública americana e européia e nos desdobramentos políticos de sua força de pressão.
Biondi
Uma edição especial com os dois volumes de "O Brasil Privatizado", mais artigos a respeito do autor e de seu trabalho, com ótimo caderno de charges sobre privatização: eis o que será lançado logo mais, a partir das 19h, pela Editora Fundação Perseu Abramo e pela Livraria Vila (na paulistana r. Fradique Coutinho, 915) com convite a todos os leitores de Aloysio Biondi.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Análise: Zona de guerra
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Haverá outro ataque? Hoje, quando? Onde? E como?
O presidente refugiado e os comandantes da maior força do mundo expulsos de sua fortaleza são, todos, incapazes de aplacar a apreensão que é uma experiência sem precedente para o povo dos Estados Unidos. O medo atômico foi uma fantasia paranóica induzida, agora é o medo com a prova viva da tragédia.
Os Estados Unidos contribuíram para a história da humanidade com a invenção de duas formas de guerra: a guerra atômica e a Guerra Fria. Quando, no lugar onde se erguia a mais alta imagem da riqueza, a nuvem quase esférica se elevou como a de Hiroshima, como a de Nagasaki, surgiu o motivo para se supor que nasceu nova forma de guerra.
O que feriu o poder e a soberba dos Estados Unidos está muito além do terrorismo. É a guerra inventiva, algo que o poder militar não pratica e do qual não sabe como se defender. Não foi um alvo urbano e circunscrito, como é da natureza do terrorismo. Um dos alvos foi nada menos que o Pentágono, terror militar do mundo, cidadela da maior concentração de tecnologia bélica, de repente atingido com precisão no seu ponto mais prepotente. Posto em chamas, uma fogueira, o Pentágono sobre o qual, na mesma manhã, poucos jornais noticiavam, com toda a discrição, que mandara bombardear mais uma vez o Iraque, a quinta de ultimamente, como castigo porque os iraquianos abateram, em seu território, um avião-espião não tripulado dos Estados Unidos.
Em uma operação tão meticulosa no planejamento e precisa na execução, a escolha dos alvos não seria aleatória, jamais. Assim como foi atingido facilmente o Pentágono, a Casa Branca poderia sê-lo, em vez das torres de Nova York. Foi poupada, no entanto. Por quê? Seria tudo uma advertência ou uma espécie de convocatória ao poder político, incluindo a demonstração de ineficácia dos meios militares?
Como bem ressalvou a CNN, nem ao menos há a certeza de que a operação procedeu de fora dos Estados Unidos. O maior atentado terrorista antes havido lá foi feito por americano, com mais de cem vítimas em Oklahoma, e a toda semana há alguém distribuindo terror e mortes à bala, com certa predileção por vitimar crianças. As suspeitas se voltam para o Oriente Médio e suas adjacências, mas o fato de que os espiões israelenses não captaram indício algum preserva outras hipóteses.
Criação interna ou externa, o ataque a Washington e Nova York introduziu no cenário mundial elementos imprevistos, dos quais se podem esperar consequências fortes na opinião pública americana e européia e nos desdobramentos políticos de sua força de pressão.
Biondi
Uma edição especial com os dois volumes de "O Brasil Privatizado", mais artigos a respeito do autor e de seu trabalho, com ótimo caderno de charges sobre privatização: eis o que será lançado logo mais, a partir das 19h, pela Editora Fundação Perseu Abramo e pela Livraria Vila (na paulistana r. Fradique Coutinho, 915) com convite a todos os leitores de Aloysio Biondi.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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